A Arte da Omissao

Em nome do Terrorismo 1 – Eurásia (o Palco)

eurasia

Começo por apresentar o palco, sobre o qual se actua em defesa do “terrorismo”, se promovem guerras, se “libertam” países dos seus opressores, se promete a reconstrução do que foi destruído, se colocam tropas para manter a ordem, mas, afinal estamos perante os maiores embustes. Estou a falar do palco da Eurásia.

A Eurásia estende-se da Europa à Ásia, separada pela cordilheira dos Montes Urais, tendo a Rússia e a Turquia parte dos seus territórios nos dois continentes. Seu “coração”,  situado entre a Ásia Central e o Mar Cáspio, abrange  o Cazaquistão, Arménia, Azerbaijão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turquemenistão, Usbequistão, Sibéria Ocidental e parte setentrional do Paquistão. É circundada pelo Afeganistão, Rússia, China, Índia e Irão.

No início do século XX, sustentava-se que a “closed heartland of Euro-Asia” era o “pivot” do equilíbrio global e o estado que o controlasse teria condições de projectar o poder de um lado para o outro lado da região. O Estado que dominasse este “heartland”, “the greatest natural fortress on earth”, teria, portanto, a possibilidade de comandar toda a Eurásia.

  
James Earl Carter (1977-1981) 

Zbigniew Brzezinski, assessor de Segurança Nacional de James Earl Carter, por achar que no contexto da guerra fria, os Estados estavam a lidar incorrectamente com a Eurásia, começou a “projectar” que o Estado que dominasse este vasto continente, que constituía um eixo geopolítico, controlaria duas das três regiões económicas mais produtivas do mundo, subordinaria a África e tornaria o hemisfério ocidental e a Oceania geopoliticamente periféricos.  Na altura, viviam na Eurásia cerca de 75% da população mundial e lá estavam depositadas 3/4 das fontes de energia conhecidas em todo o mundo.

Com esta percepção, o Presidente Carter induzido por Brzezinski abriu uma terceira frente na Guerra Fria, instigou os povos islâmicos da Ásia Central contra Moscovo, com o objectivo de formar o conhecido cinto verde (A cor verde é símbolo da bandeira do Islão) e conter o avanço dos comunistas na direcção das águas quentes do Golfo Pérsico e dos campos de petróleo do Oriente Médio.

A União Soviética desmorona entre 1989 e 1991,  ao perder o controlo dos estados do Leste-Europeu e outras repúblicas que a integravam, como as do Báltico e da Ásia  Central. Com este cenário foi aberto um “vazio” político, o qual foi de imediato ocupado pelos Estados Unidos.

Com o fim da Guerra Fria, incentivou-se ainda mais  a disputa em torno das imensas fontes de energia – gás e petróleo – existentes naquela parte do coração euro-asiático. Com a independência das cinco repúblicas soviéticas da Ásia Central e a fraqueza dos novos Estados emergentes dos escombros da União Soviética, os Estados Unidos aproveitaram o vazio e avançaram sobre a região. Expandiram a NATO às fronteiras da Rússia, incorporando alguns Estados que antes pertenceram ao Bloco Socialista, impuseram a sua preeminência nos Balcãs, com o desmembramento da antiga Jugoslávia, e empreenderam guerras para a ocupação do Afeganistão e Iraque.

A Rússia não pretendia aceitar que a NATO, sendo uma aliança militar, se transformasse  numa  espécie de ONU, árbitro político com autoridade para intervir contra qualquer regime, como fez com respeito à Sérvia, na questão do Kosovo, e continuasse a incorporar as repúblicas orientais, como a Geórgia e a Ucrânia, que antes integraram a extinta União Soviética.

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