A Arte da Omissao

Em nome do Terrorismo 5 – Geopolítica do petróleo

A segurança nacional dos Estados Unidos,  implicava obrigatoriamente, o domínio das fontes de energia plantadas no Oriente Médio, onde estavam depositadas cerca de 64,5% das reservas conhecidas de petróleo, bem como na Ásia Central.

Qualquer outra potência, que dominasse aquelas regiões, teria uma poderosa arma para ameaçar a sociedade americana, cuja segurança energética se tornara bastante vulnerável, uma vez que mais de 50% do consumo de petróleo nos Estados Unidos dependia das importações. O que fazer ?

1) Atacar o Afeganistão, pois seria lá por onde deveria passar um oleoduto, ligando o Turcomenistão ao Paquistão

2) Invadir e ocupar o Iraque, onde estavam, a seguir as da Arábia Saudita, as maiores reservas provadas de petróleo, com a benesse de algumas terem baixo custo de extracção.

2) Com o objectivo estratégico de estabelecerem plataformas aéreas para eventuais guerras preventivas ou outras missões militares, os Estados Unidos expandiram o seu aparato militar, mediante a construção de um novo arco de bases e instalações nas antigas repúblicas soviéticas – Quirguistão, Tadjiquistão e Usbequistão – situadas no “Coração da Terra” da Eurásia, assim como no Paquistão, Catar e Dijibouti. (de novo a Eurásia)

Documentos de Março de 2001,  – que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, em meados de 2003 teve de desclassificar, como resultado de processo movido pelas organizações Sierra Club (ambientalista) e pela Judicial Watch, – revelaram que a Task Force, dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney, tinha elaborado dois mapas dos campos de petróleo, oleodutos, refinarias e terminais, bem como mais dois outros mapas detalhando os projectos e as companhias que pretendiam intervir.

Depois da invasão pelos Estados Unidos, em 2003, os geólogos das companhias multinacionais realizaram pesquisas e estimaram que nos territórios relativamente inexplorados, os desertos do oeste e sudeste do país, podiam conter reservas adicionais de 45 a 100 biliões de barris (bbls) de petróleo recuperável.

Em 19 de Junho de 2008, The New York Times publica um artigo intitulado “Deals With Iraq Are Set to Bring Oil Giants Back”, comprovando que a ocupação do Iraque visou realmente capturar os campos de petróleo.

Com o  fim de manter a posição de potência mundial, que há mais de um século alcançaram, os Estados Unidos dependem mais e mais de fontes de energia confiáveis, especialmente petróleo, cujas importações, sobretudo da região do Golfo Pérsico, tendem a crescer, significativamente, nas próximas décadas. A expectativa era a de que a procura mundial de petróleo saltaria de 82 milhões de bpd, em 2004, para 111 milhões bpd em 2025, o que representaria um aumento de 35%.

A Energy Information Administration (EIA), de acordo com o “Annual Energy Outlook,” previa um  incremento ainda maior da procura  de suprimentos de petróleo pelos Estados Unidos e pelos  países emergentes da Ásia – notavelmente a China – e, consequentemente, o aumento do preço, por volta de/até 2030.

A segurança nacional dos Estados Unidos passou a significar também, segurança energética, elemento central da sua política externa, e o “Great Game“, o jogo de poder, intensificou-se no coração da Eurásia, devido à emergência da China e à recuperação económica da Rússia, envolvendo os países islâmicos, com reflexos directos sobre o teatro de guerra no Oriente Médio. Abre-se assim novo capítulo nas relações internacionais.


Em nome do Terrorismo 1 – Eurásia (o Palco)
Em nome do Terrorismo 2 – George H. W. Bush (Pai Bush)
Em nome do Terrorismo 3 – William “Bill” Clinton
Em nome do Terrorismo 4 – George W. Bush (Filho Bush)
Em nome do Terrorismo 5 – Geopolítica do petróleo
Em nome do Terrorismo 6 – O grande jogo
Em nome do Terrorismo 7 – O Ocidente em xeque
Em nome do terrorismo 8 – O corredor do petróleo
Em nome do Terrorismo 9 – Os limites do poderio militar

Anúncios

8 comments on “Em nome do Terrorismo 5 – Geopolítica do petróleo

  1. Pingback: Em nome do Terrorismo 2 – George H. W. Bush (Pai Bush) | A Arte da Omissao

  2. Pingback: Em nome do Terrorismo 3 – William “Bill” Clinton | A Arte da Omissao

  3. Pingback: Em nome do Terrorismo 4 – George W. Bush (Filho Bush) | A Arte da Omissao

  4. Pingback: Em nome do Terrorismo 6 – O grande jogo | A Arte da Omissao

  5. Pingback: Em nome do Terrorismo 7 – O Ocidente em xeque | A Arte da Omissao

  6. Pingback: Em nome do terrorismo 8 – O corredor do petróleo | A Arte da Omissao

  7. Pingback: Em nome do Terrorismo 9 – Os limites do poderio militar | A Arte da Omissao

  8. Pingback: Em nome do Terrorismo 1 – Eurásia (o Palco) | A Arte da Omissao

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

Faça perguntas aos membros do Parlamento Europeu sobre o acordo de comércio livre, planeado entre a UE e o Canadá (CETA). Vamos remover o secretismo em relação ao CETA e trazer a discussão para a esfera pública!

%d bloggers like this: