A Arte da Omissao

Em nome do Terrorismo 6 – O grande jogo

Os Estados Unidos, desde o fim da guerra fria,  avançaram sobre o Usbekistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Kazaquistão, países na margem oriental da baía do Mar Cáspio. Eram as repúblicas mais pobres da extinta União Soviética, mas possuíam vastas reservas de petróleo, iguais ou maiores às da Arábia Saudita, e as mais ricas reservas de gás natural do mundo, comprovadamente mais de 236 triliões de metros cúbicos, praticamente fechadas. 

As companhias ocidentais tinham condições de aumentar em mais de 500% a produção, prevendo 870.000 barris em 1995, 4,5 milhões em 2010, o equivalente a 5% da produção mundial de petróleo.

A estimativa da administração do presidente Bill Clinton, de acordo com a National Security Strategy, era a de que havia reservas de 160 biliões de barris na bacia do Mar Cáspio, reservas que desempenhariam importante papel na crescente procura mundial de energia.

Para manter o controle e a segurança dessas fontes de energia e dos oleodutos que transportam gás e petróleo, os Estados Unidos começaram então a implementar a militarização do corredor da Eurásia, desde o leste do Mediterrâneo, à margem da fronteira ocidental da China, para vencer  o “Great Game”  da Eurásia. 

Em 1999, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a “Silk Road Strategy (SRS),” renovada para “Foreign Assistance Act of 1961” com o objectivo de:

1) dar maior assistência e apoio económico e independência política, aos países do sul do Cáucaso e da Ásia Central, e avançar com os seus interesses geo-estratégicos na região.

2)  opor-se à crescente influência política das potências regionais como a China, Rússia e Irão

Conforme explicitado na Silk Road Strategy, a região a sul do Cáucaso e a Ásia Central podia produzir petróleo e gás em quantidades suficientes para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação às voláteis fontes de energia do Golfo Pérsico.

Alguns cálculos indicavam que, por volta de 2050, a “landlocked” Ásia Central proveria mais do que 80% do petróleo importado pelos Estados Unidos e daí a premente necessidade de controlar as reservas de petróleo da região e os oleodutos através do Afeganistão e Turquia, principal objectivo da invasão do Afeganistão em 2001.

Os Estados Unidos, contudo, não são mais o poder solitário que predominou globalmente ao longo dos anos 1990, após o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria. 

A China emerge novamente como potência económica, política e militar, cada vez mais poderosa.  A Rússia, como sucessora jurídica, herdou todo o poderio bélico da extinta União Soviética, recuperou-se, em  larga medida, pelos alto  preços de energia e matérias primas, e tornou-se a décima economia mundial, com um PIB na ordem dos US$ 2 triliões (est. 2007). E não está disposta a permitir que os Estados Unidos ampliem sua presença na Ásia Central e no Cáucaso, ameaçando a sua segurança.

No início de 2007, o então presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu que “os Estados Unidos haviam ultrapassado as suas fronteiras nacionais em todos os sectores”, o que era “muito perigoso”, e mostrou-se contrário à expansão da  NATO, “uma organização político-militar que reforça sua presença em nossas fronteiras”. E acrescentou: “é um erro”. 

O presidente Vladimir Putin sempre deixou clara a decisão de não tolerar que a NATO estendesse a sua máquina de guerra às fronteiras da Rússia, ameaçando sua posição estratégica, nem o estacionamento do escudo anti mísseis, nos territórios da Polónia e da República checa, conforme pretendido pelo presidente George W. Bush, assim como não aceitava a independência de Kosovo, conforme o plano do ex-presidente da Finlândia e mediador da ONU, Martti Ahtisaari, que previa o reconhecimento de uma soberania parcial da região, sob vigilância internacional. 

A Rússia, ao perceber a ameaça implícita nas iniciativas militares dos Estados Unidos, deu uma demonstração de força. Restaurou de novo a sua frota no Atlântico e no Mediterrâneo,  assim como transformou o porto de Tartus, na Síria, numa base naval para a sua frota no Mar Negro, juntamente com a instalação de um sistema de defesa antiaérea, com mísseis balísticos S-300PMU-2 Favorit, capazes de alcançar 200 km. Ao mesmo tempo, reactivou os voos de patrulha por bombardeiros atómicos, suspensos desde 1992.

Em nome do Terrorismo 1 – Eurásia (o Palco)
Em nome do Terrorismo 2 – George H. W. Bush (Pai Bush)
Em nome do Terrorismo 3 – William “Bill” Clinton
Em nome do Terrorismo 4 – George W. Bush (Filho Bush)
Em nome do Terrorismo 5 – Geopolítica do petróleo
Em nome do Terrorismo 6 – O grande jogo
Em nome do Terrorismo 7 – O Ocidente em xeque
Em nome do terrorismo 8 – O corredor do petróleo
Em nome do Terrorismo 9 – Os limites do poderio militar

 

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