A Arte da Omissao

Livro de John Perkins- a história secreta do “império” americano

Se existem nomes que podem e devem ser procurados no youtube,  “john perkins” é definitivamente um deles.

Entre 1971 a 1981, John trabalhou como economista-chefe na empresa Chas. T. Main em Boston, Massachusetts. É considerado um especialista internacional no que se convencionou chamar de “macroeconomia” e presentemente considerado como “ex-membro respeitado da comunidade de negócios na banca internacional”. No seu livro “Confissões de um assassino económico”, descreve como, enquanto profissional altamente bem pago, trabalhou para que os Estados Unidos pudessem defraudar em triliões de dólares países pobres do globo inteiro, emprestando-lhes mais dinheiro do que eles poderiam pagar.

A sua própria história mistura-se com a história contemporânea dos países onde esteve, Indonésia, Colômbia, Arábia Saudita, Panamá, Equador e Irão. John Perkins relata como ainda jovem, foi recrutado secretamente pela Agência de Segurança Nacional norte americana e incluído na folha de pagamento da empresa internacional de consultoria  Chas. T. Main, que lhe proporcionou conhecer bem esses países. A sua função nesses gigantescos geradores de miséria era o de maquinar  números, servindo exclusivamente os interesses da “corporatocracia” norte-americana, ou seja, uma coligação entre governos, bancos e corporações. Auto-denominado de ‘Assassino Económico’ ou simplesmente AEs, John Perkins e seus colegas eram instruídos a sair desses países com algum ‘projecto mirabolante’, como  por exemplo a construção de redes eléctricas. O objectivo era deixar esses países cada vez mais endividados. Decidido a mudar o rumo da sua vida e motivado pelos acontecimentos da história recente como o 11 de Setembro, John levou adiante o seu plano de revelar os bastidores do imperialismo norte-americano.

Padrão exposto:

1) Enviam o chamado “assassino económico”, que encoberto por uma empresa multinacional, promove o  endividamento do país,  de forma a que este se torne economicamente dependente. O fim é conseguir-se que  não tenha forma de liquidar a sua dívida na totalidade, acabando por a aumentar.

2)   Não funcionando o ponto  1), são enviados então os “chacais”, agentes da CIA que se infiltram para desacreditar o governo com algum escândalo tipo: sexual, corrupção….. em último caso até arquitectam a morte do presidente do país alvo e fazem-no parecer um acidente como aconteceu no Panamá.

3) Por fim quando falham os pontos anteriores, os EUA apelam às forças militares, como aconteceu no Iraque, ao usarem operações de falsa bandeira ou a mentirem para o mundo  com “a posse de armas de destruição em massa que afinal nunca existiram”.

Panamá – Assassinato de Omar Torrijos

Torrijos estava prestes a assinar um Tratado de Construção do Canal com o então presidente Jimmy Carter.

Foi uma decisão polémica no país, Torrijo negociou ainda com os japoneses, os quais propuseram  construir o canal ao nível do mar e em condições mais propícias ao Panamá, do que as oferecidas pelos EUA, factos que irritaram enormemente os representantes da companhia construtora americana, Bechtel.

Com a derrota de Carter para George Bush (pai) alguns dirigentes da Bechtel ocuparam  postos políticos de comando no aparelho estatal dos EUA e passaram a pressionar Torrijos, para este construir o canal com os americanos e não com os japoneses. Torrijos manteve-se firme e esta foi a sua sentença de morte. Segundo Perkins, era previsível, pois a falha dos assassinos económicos determinava o início da actuação dos chacais. O método empregado foi a explosão de um gravador dentro do avião que transportava o presidente. Segundo ainda o autor, decisões destas eram tomadas e levadas a cabo pela CIA.

Porquê o livro?

Perkins confessa que se deixou seduzir pelo enorme montante de dinheiro que auferiu ao longo da sua carreira de assassino económico. Confessa-se ter ficado embriagado pelo poder, pelo sexo e drogas que o que recebia lhe proporcionava. Sentia-se envaidecido de participar no esquema de poder da nação mais poderosa do planeta.

Hoje declara-se preocupado com o significado dos atentados de 11 de Setembro, que abalou e colocou  a guerra  dentro do seu país. Declara-se ainda preocupado com o facto da política económica do FMI e do Banco Mundial levar 24.000 pessoas a morrer de fome diariamente no mundo.

Hoje, declara-se desejoso de actuar no sentido de ajudar (“ajudar com a verdade”) as nações do mundo a encontrarem melhores caminhos. Pensa que o americano médio precisa de ser informado desta questão.

Escreve com o desejo de que o conhecimento destes factos conduza a modificações sérias na política interna do seu país, com reflexos internacionais.

Para podermos iniciar a mudança desta arquitectura de pensamento que deixámos estabelecer ao longo de anos, há que iniciar a mudança em nós mesmos.  Não é um processo fácil.

Os que nos rodeiam, família e amigos, acham que de alguma forma, estamos com algum “problema mental”, não o dizem de uma forma clara, pois até são família e amigos, mas sente-se. Então temos duas soluções. Ou insistimos na partilha da informação e luta-se contra tudo e todos, ou baixamos os braços. Realmente a escolha é de cada um.

Reconheço que para os que me rodeiam de mais de perto, como seria para mim à uns 3 ou 4 anos, não é fácil assimilar que existem seres “humanos” que são “umas bestas” no real sentido da palavra. Não é fácil assimilar que ao longo de décadas, fomos e continuamos a ser manipulados. Não é fácil assimilar que existem seres “humanos” que olham para os cidadãos e países, meramente como peças do seu xadrez de operações.

Tomar consciência que, por exemplo, a solicitação constante ao consumismo, associado ao endividamento que por sua vez nos obriga a trabalhar mais, nos impele à constante competição, nos coloca uns contra os outros, nos aliena do que realmente está por de trás do pano e que nos usa como suas marionetas, é uma das bases do processo. Tenho a certeza que se torna mais fácil iniciar a mudança.

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Leiam e vejam John Perkins! É chocante. Como somos enganados dia após dia e desconhecemos o que realmente acontece.

Reconheçamos o papel da imprensa e canais televisivos dentro deste esquema. Notícias pré-estabelecidas, novelas  que ocupam 5 horas seguidas do tempo que nos resta depois de estarmos nas nossas linhas de montagem. Temos que quebrar este padrão. A mensagem e documentários do John Perkins, são públicos e estão na Internet.

Por isso é que todos temos que ter consciência desse poder instituído que não mostra a cara. Leiam / vejam /consultem o que  está a ser exposto em blogues, livros publicitados na net, vídeos, documentários, façam o cruzamento da informação para a validar  e depois, mas só depois, façam juízos.

Ouço de tudo. “Não tenho tempo nem paciência  para estar na net”, “não quero saber dessas teorias de conspiração”,  “não, tenho que acreditar que existe o lado bom”. Claro que existe o lado bom. Mas como podemos intensificar o lado bom, se simplesmente nos recusamos ouvir falar / ler / ver e conhecer o lado menos bom?

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2 comments on “Livro de John Perkins- a história secreta do “império” americano

  1. Pingback: tugaleaks.com: Livro: A história Secreta do “império” Americano

  2. wilson
    24 de Março de 2012

    vivemos num mundo onde somos as peças do jogo pelo poder e dominação de poucos.

    Gostar

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This entry was posted on 9 de Janeiro de 2011 by in Afinal Quem é Terrorista?, GEOPOLÍTICA MUNDIAL, John Perkins and tagged , .

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