A Arte da Omissao

Confissões de John Perkins – Chaves da Venezuela

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » e  realces desta cor, são da minha responsabilidade

Excerto da sua obra  “secret history of the american empire

Chaves da Venezuela

… líder de um país repleto de petróleo. Sua vitoria e o seu contínuo desafio a Washington e às empresas de petróleo inspiraram milhões de latino-americanos.

Chávez manteve os seus compromissos com os pobres — urbanos e rurais. Em vez de tornar a injectar todo o lucro na indústria do petróleo, investiu em projectos destinadas a combater o analfabetismo, desnutrição, doenças e outros males sociais.

Em vez de declarar grandes dividendos para os investidores, ajudou o Presidente da Argentina Kirchner quando este estava em apuros e vendeu petróleo com desconto aos que não podiam custear o preço da altura – incluindo comunidades nos Estados Unidos.

Reservou uma parte das suas receitas do petróleo para Cuba, e enviou médicos para áreas carentes em todo o continente. Criou leis que consolidaram os direitos das pessoas indígenas – incluindo os direitos de propriedade de idioma e terra — e lutou para a criação de currículos Afro-venezuelanos nas escolas públicas.

A “Corporatocracia” viu em Chavez uma grave ameaça. Não só desafiou as empresas internacionais e empresas do petróleo, como se transformou num líder que outros podiam tentar imitar.

De acordo com a perspectiva da administração Bush, dois intransigentes chefes de Estado, Chavez e Hussein, tinham evoluído e estavam a criar grandes pesadelos, e como tal tinham que ser parados. No Iraque, esforços subtis — dos EHMs (Economic Hit Man– assassinos económicos – NdT) e dos chacais — tinham falhado,  agora estava a caminho os preparativos para a solução final: a invasão. Na Venezuela, os EHMs tinham sido substituídos pelos chacais e Washington esperava que eles resolvessem o problema.

A 11 de Abril de 2002, com o uso de tácticas aperfeiçoadas no Irão, Chile e Colômbia, os chacais enviaram milhares de pessoas para as  ruas de Caracas, numa marcha para a sede da Empresa estatal de petróleo da Venezuela e para Miraflores, o palácio presidencial. Lá, interagiram  com  manifestantes pró-Chávez que acusavam os seus lideres de serem peões da CIA e dos Estados Unidos. Em seguida, de repente e inesperadamente, as forças armadas anunciaram que Chavez tinha renunciado ao cargo de Presidente e que estava  preso numa base militar.

Washington comemorou, mas a alegria durou pouco. Leais a Chávez, os mais pobres apelaram a um maciço contra golpe em 13 de Abril. Cháves retomou a sua presidência.

Investigações oficiais venezuelanas concluíram que o golpe de Estado foi patrocinado pelo Governo dos EUA.  A Casa Branca praticamente admitiu a culpabilidade; o Los Angeles Times relatou: “funcionários da administração Bush reconheceram na terça-feira que  tinham discutido a remoção do presidente venezuelano Hugo Chavez à meses com líderes civis e militares de Venezuela”.

Ironicamente, a invasão de 2003 ao Iraque foi uma bênção para Chavez. Os preços do petróleo subiram vertiginosamente. Os cofres da Venezuela ficaram cheios. De repente, a perfuração para a extracção de  petróleo bruto pesado da região de Orinoco do país tornou-se viável.

Chávez anunciou que, quando o preço do petróleo atingisse cinquenta dólares por barril, que a Venezuela — com a sua abundância de  crude  — ultrapassaria  todo o Médio Oriente e passaria a ser o principal repositório de petróleo. Sua análise, disse ele, foi baseada em projecções do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

O resto da América Latina vigiava de perto, como a Administração Bush iria lidar com Chavez após o falhanço do golpe de Estado  contra ele.  A Casa Branca percebeu que tinha de lidar com cuidado. A Venezuela foi o nosso segundo maior fornecedor de petróleo e seus derivados (quarto maior fornecedor de crude). Seus campos de petróleo estão  muito mais perto do que os do Médio Oriente. Sendo a Citgo, sua propriedade, a Venezuela teve um grande  impacto sobre muitos trabalhadores americanos, camionistas, e sobre uma infinidade de empresas que vendem/compram para/da Citgo.

Além disso, Caracas tinha sido nosso aliado na quebra do embargo de petróleo da OPEP na década de 1970. As opções da administração Bush para as intervenções militares estavam limitadas devido às guerras do Iraque e do Afeganistão, ao descalabro israelo-palestiniano, e à  crescente impopularidade da família real da Arábia Saudita, problemas políticos no Kuwait e um Irão militarizado.

A esmagadora vitória do Luiz Inácio “Lula” da Silva no Brasil em 2002, reforçou ainda mais os movimentos nacionalistas. Fundador do Partido Progressista dos trabalhadores em 1980, Lula foi um político com um longa história na reforma social, exigindo que  Brasil dedicasse  os seus recursos naturais à ajuda dos pobres e insistindo em auditorias para as dívidas brasileiras  ao FMI, que alegou serem ilegais.

Ao ganhar a eleição com mais de 60% dos votos, Lula juntou-se a Chavez na onda das novas lendas  do continente. Pela primeira vez na recente história,  viram a oportunidade de se libertarem do domínio norte americano. Mais dois países foram em especial influenciados,  pelo sucesso de Chávez e Lula. Tinham também grandes populações indígenas e possuíam recursos petrolíferos e de gás, cobiçados pela “Corporocracia”. Eram países onde eu tinha fortes ligações. Equador e Bolívia”.

Confissões de John Perkins  – Chaves da Venezuela

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2 comments on “Confissões de John Perkins – Chaves da Venezuela

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This entry was posted on 11 de Janeiro de 2011 by in Afinal Quem é Terrorista?, GEOPOLÍTICA MUNDIAL, John Perkins, Venezuela and tagged , , .

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