A Arte da Omissao

Confissões de John Perkins – Brasil: Esqueletos no armário

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » e  realces desta cor, são da minha responsabilidade

Excerto da obra  “secret history of the american empire” – pagina 138

de John Perkins (assassinos económico)

Quando cheguei ao World Social Forum (WSF), no Brasil em Janeiro de 2005, encontrei o continente a elevar-se contra a “Corporocracia”. A acrescentar a Chavez, Lula, Gutierrez,  Néstor, também Kirchner e Tabaré tinham ganho respectivamente as eleições da Argentina e do Uruguai. Independentemente de alguns cederam quando pressionados, todos tinham executado campanhas populistas que denunciavam a intervenção da USA e a exploração sofrida pelas empresas estrangeiras.

A imprensa da Americana do Norte, bem poderia apelida-los de “esquerdistas”, ”amigos de Castro” e mesmo “comunistas”, que na África, Ásia, Europa,  América Central e do Sul, sabia-se que estes adjectivos eram irrelevantes. Cada um dos novos presidentes fez campanha como um nacionalista, determinado a ver os recursos do seu país a serem usados para tirar os cidadãos da pobreza.

Algo extraordinário também estava a acontecer no Chile. Relatórios publicados e documentos governamentais americanos recentes, confirmavam os rumores de que a administração Nixon e a CIA tinham coordenado esforços com empresas dos EUA e militares chilenos para derrubar e assassinar o presidente democraticamente eleito, o Presidente Salvador Allende em 1973.

O “crime” do Allende foi: ter honrado as promessas feitas em campanha, onde assumiu o compromisso de que os recursos Chilenos seriam dos chilenos e depois de ser eleito, ter nacionalizado as empresas estrangeiras do cobre, carvão, siderurgias e 60 por cento dos bancos privados.

Tal como já acontecera no Irão, Iraque, Guatemala, Indonésia e em tantos outros lugares, os Estados Unidos “cozinharam” um homem para substituir Allende, cuja personalidade correspondesse a um déspota sanguinário: General Augusto Pinochet. Duas décadas mais tarde, o WSF (World Social Forum) foi alvoraçado com as notícias que investigadores americanos do Congresso e um juiz chileno tinham descoberto um segredo: As contas bancárias de Pinochet no banco Riggs em Washington juntamente com outras tantas no estrangeiro, totalizavam  pelo menos US $16 milhões e que Pinochet iria finalmente comparecer perante a justiça para ser julgado pela morte estimada de dois milhares de pessoas, infligida pela polícia e exército sob seu comando.

O WSF é o símbolo de mudança a varrer o nosso planeta. Foi criado no início do terceiro milénio como resposta ao Fórum Económico Mundial, fórum onde os governos e líderes empresariais colaboram,  promovem  promoções, definem  políticas comerciais e coordenam outras estratégias da Corporocracia. Em Janeiro de 2005, reuniram-se  no WSF em Porto Alegre, Brasil, mais de 150 mil participantes de mais de 130 países. Nele se discutiram questões económicas, sociais, ambientais e políticas, formularam-se alternativas aos sistemas falhados.  Presidentes Lula do Brasil e Chavez da Venezuela, também compareceram.

Fiquei  particularmente comovido com um jovem  brasileiro, que lançou  uma crítica ao seu próprio governo. Ele acusou Lula de sucumbir aos EHMs (assassinos económicos – NdT) e de ter recuado nas promessas que fez em campanha. O seu breve discurso lembrou-me as críticas semelhantes contra Gutierrez, que eu tinha ouvido falar no Equador.

Um homem  elegantemente vestido entregou-me um cartão de visita onde se identificava como assessor superior do Presidente Lula do Brasil. Pediu-me para ter um encontro com ele num pequeno parque perto do meu hotel. “Por favor, mantenha este assunto confidencial, apenas entre nós”, acrescentou.

Mantive-me na orla do parque por alguns minutos, para tentar relaxar. Pensei sobre esta cidade. Porto Alegre é um centro industrial com uma população de quase 1,5 milhão de pessoas. Segui em frente e entrei no parque.

“Jose” estava sentado num banco debaixo de uma árvore. Tinha trocado a sua indumentária por uma camisa pólo e calça jeans. Ostentava uns óculos grandes que lhe dava a aparência de uma libélula e usava um chapéu de palha puxado para baixo. Quando me aproximei, levantou-se, espiando nervosamente ao redor e apertou minha mão. “Obrigado por ter vindo,” disse.

Ainda de pé, explicou em bom inglês que, se alguém o interrogasse sobre o encontro, ele responderia que estava a tentar aprender mais sobre mim e sobre o meu livro antes da iminente publicação em Português. “Mas eu espero que não chegue a esse ponto”. Sua voz arrastou e acenou para o banco: “Por favor .” Sentamos-nos lado a lado.

Fez perguntas sobre algumas das pessoas do “Confissões”, incidindo em especial  sobre os iranianos “yamin” e “Doc”, que em 1977, correndo grandes riscos, compartilharam comigo informações sobre o Xá e a determinação dos “mullahs “ em o derrubar  (facto que aconteceu quase dois anos mais tarde).

“Jose” expressou o seu alívio com a minha garantia de que as verdadeiras identidades de  Yamin e  do doc nunca seriam divulgadas. Ele disse que queria que sua mensagem chegasse ao povo dos Estados Unidos, mas eu tinha de garantir a confidencialidade de fonte. Convidou-me a tomar notas, desde que o seu nome não fosse divulgado.

Referiu que tinha lido meu livro e apreciado o que lá expus. No entanto,  disse, “é apenas a ponta da icebergue. Tenho a certeza que sabe disso, mas sinto que o devo dizer. Até o seu livro falha na história real”.

“Jose” descreveu a enorme pressão feita ao seu patrão,  Lula. “Não são  apenas os subornos, as ameaças de golpes ou de assassinatos, as impressionantes promoções e as falsas previsões económicas,  não é só  o facto de escravizarem  através das dívidas. É muito mais profundo”.

Explicou que no Brasil assim como noutros países, a “Corporocracia” controla essencialmente todos os partidos políticos. “Mesmo candidatos comunistas radicais que aparecem para se oporem ao Reino Estados-Membros estão comprometidos com Washington”.

Quando lhe  perguntei como sabia de tudo isso, ele riu. “Já ando por aqui  à algum tempo”,  disse. “Estive sempre envolvido na política. De Johnson a Bush, os dois  Bush, já vi de tudo. As vossas agências secretas, bem como os seus assasinos económicos, são muito mais eficientes do que você imagina.”

“Jose” descreveu como os alunos são atraídos enquanto ingénuos e vulneráveis. Falou sobre as suas experiências pessoais quando jovem e como as mulheres jovens, bebidas e drogas eram usadas. “Como vê, mesmo quando um adversário radical dos EUA entra no escritório, e assumindo que neste momento da sua vida ele quer sinceramente ficar em  Washington, a  sua CIA tem o que você chama de ‘mercadorias’ para ele”. “Chantagem”.

Perguntei-lhe se Lula tinha sido corrompido e por quanto tempo. Foi óbvio que esta pergunta foi  extremamente desconfortável para ele. Depois de uma longa pausa,  admitiu que Lula fazia  parte do sistema. “Caso contrário, como poderia ele ter subido para tal posição”? No entanto, “Jose” também professou a sua admiração pelo seu presidente. Ele compreende que para ajudar seu povo não tem nenhuma escolha…” Em seguida, balançou a cabeça. “Receio que Washington tentará trazer Lula para baixo se ele for longe demais.

“Como acha que eles fariam isso?”, perguntei? “Todo mundo tem — como sabe — esqueletos no seu armário. Cada político faz coisas que podem parecer más. Clinton tinha Mónica. Ela não foi questão. Clinton foi longe demais nos seus esforços para rever as moedas do mundo e tornou-se numa ameaça grande para futuras campanhas republicanas— ele era muito jovem, dinâmico e carismático. Assim Mónica marchou para a ribalta. Você acha que Bush não tem também mulheres em background ? Mas quem se atreve a falar sobre elas?

Lula tem esqueletos. Se os poderes que reinam  o  seu Império o quiserem mandar para baixo, abrirão  a porta do armário.

“Existem  muitas maneiras de assassinar um dirigente que ameace a hegemonia dos Estados Unidos”. “José” olhou-me com um olhar que lembrei vários meses mais tarde, quando se demitiram quatro altos funcionários do partido de Lula com acusações de que tinham organizado um plano multimilionário  para pagar a legisladores em troca de votos e parecia que a carreia política de Lula  poderia acabar com o resultado do escândalo.

Em resposta à minha pergunta sobre como nós poderemos refrear o Império, ele disse: “é por isso que eu me encontro com você. Só você nos Estados Unidos pode alterar. O governo criou este problema e é o seu povo que o deve resolver. Os Americanos têm que insistir com Washington  que honre  o compromisso com a democracia, mesmo quando líderes democraticamente eleitos nacionalizam as vossas empresas corruptas. É o povo que tem de assumir o controle das suas empresas e do seu governo. O povo dos Estados Unidos tem um grande poder. Vocês precisam de enfrentar isso. Não há nenhuma alternativa. No Brasil, temos as nossas mãos atadas. Então que o façam os Venezuelanos. E os nigerianos. Cabe a você.”

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This entry was posted on 19 de Janeiro de 2011 by in Brasil, John Perkins, USA and tagged , , , , .

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