A Arte da Omissao

Egipto versus Obama

Presidente Obama, tem tido um discurso hipócrita, sobre democracia, liberdade de expressão, direitos para a esquerda e direitos para a direita, sua parceria com o Egipto, tentando assumir sempre um papel dissimulado de nação dominante no mundo.

“Os militares serviram patrioticamente, com responsabilidade, como um zelador do Estado e agora terão de assegurar uma transição que seja credível aos olhos do povo egípcio. Isto significa proteger os direitos dos cidadãos do Egipto, levantar a lei de emergência, rever a Constituição e outras leis de forma a tornar a mudança irreversível e, preparar um caminho claro para as eleições  livres e justas…”

É óbvio que tem de mostrar o seu melhor em relação ao duro golpe desencadeado pelo movimento, e que poderá afectar  a influência dos Estados Unidos na região. O Egipto era aliado dos U.S desde os anos 70 na região e o que o Mister  Obama basicamente tem tentado é associar  o  evento aos valores  dos U.S, à democracia de  Jefferson,  ao movimento não violento de Martin Luther King… e todo o resto. Patético nos dias que correm, pois a cortina que encobriu a verdadeira face deste governo, desta nação auto proclamada de justa, democrática, a favor dos valores humanos, já caiu.

É engraçado ver a reacção dos média na  Síria. A televisão Síria interrompeu sua transmissão para falar do que estava a acontecer no Egipto, e aproveitou para apresentar  a queda do regime de Camp David, significando o  fim de um regime que tinha um tratado de paz com Israel “patrocinado” por Washington. O  que a ditadura da Síria está tentar desta forma é desviar de si esta onda de choque de democracia. Estamos perante outra tentativa de reaproveitar  outra dimensão do movimento, porque se as eleições democráticas reais acontecerem  e o povo do Egipto conseguir aplicar os seus princípios  e  escolhas políticas  no que  diz respeito à política externa de seu país, não será uma escolha  tão  amigável para Israel, o estado de Israel,  nem para os Estados Unidos da América como potência hegemónica.

Uma das grandes e criticas questões com que a política externa da US   vai lidar a  muito curto prazo, é  saber como o governo militar Egípcio  vai agir em relação  à faixa de Gaza. Existe uma grande empatia dos Egípcios com as pessoas em Gaza. Para todos os efeitos, elas têm feito parte do Egipto por muito tempo. Há empatia com o sofrimento, com tudo o que eles têm  passado. Há uma grande animosidade do Egipto contra o estado de Israel e seu comportamento político, contra a sua intransigência e com o tipo de opressão que aplica aos Palestinianos  e  Libaneses. Não existem dúvidas sobre os sentimentos reais do povo Egípcio e qual a  direcção que querem tomar.

Os EUA não podem fazer nada no imediato. Vão usar a sua técnica, sobejamente conhecida, no sentido de tentarem “aconselhar” o comando militar egípcio. Vão tentar colocar na mesa o seu apoio militar ou (mais perigoso) o apoio  financeiro.  Mas além disso, não pode haver uma interferência directa de Washington no processo em curso. Na parte militar reside a grande questão, mas o que se tem visto é que estes  têm sido relutantes  a obedecer à pressão dos EUA.

Durante todo o movimento, as críticas a Washington foram evidentes, embora o que o impulsionou a revolta tenha sido  a política interna do Egipto. Tirando alguns posters e algumas frases, ficou claro que a sua manifestação não passou por queimar bandeiras. No entanto, eles sabem que Washington estava por de trás do regime de Mubarak desde o início e ao mesmo tempo viam as declarações contraditórias que saíram de Washington, especialmente durante os primeiros dias, como a declaração de Joe Biden sobre Mubarak não ser um ditador. Foi visível de mais. É certo que Washington vai tentar falar com todo mundo que pode  estar disposto a o considerar como um amigo. Mas também é claro que para além destas forças liberais, há  a maioria do movimento de massa que é completamente contra tudo o que representa a política externa da U.S. na região. Analise-se. Qual tem sido a política externa americana na região ao longo destes últimos anos? Invasão,  ocupação e contínuo  suporte  ao governo israeliano, que está  cada vez mais intransigente e cada vez mais opressivo. E a administração de Obama não mudou muito esta realidade. E a menos que isso muda, os sentimentos da esmagadora maioria dos egípcios vão ser muito contra a política dos EUA.

Espero que o povo do Egipto se mantenha atento às manobras que de certeza já estão a ser executadas por de trás do pano. E que continue a sua pública exigência das mudanças, até as mesmas estarem implementadas. Nós, temos obrigação de continuar a apoiar estes heróis da paz. Temos que continuar a olhar para o Egipto. As forças ocultas vão tentar desviar a nossa atenção para outros cenários, mas temos que nos manter firmes. Hoje é o Egipto mas amanhã podemos ser nós.

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This entry was posted on 12 de Fevereiro de 2011 by in Egipto, GEOPOLÍTICA MUNDIAL, USA and tagged , .

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