A Arte da Omissao

Kadafi e o Mundo – A Hipocrisia

Duas das várias das noticias  divulgadas hoje no site http://pt.euronews.net/

Kadhafi recusa a demissão e ameaça fortalecer  a luta contra manifestantes.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, num golpe mestre de teatro, Kadafi recusa demitir-se e prefere morrer como um mártir. Faz questão de frisar que  “ainda não autorizei a utilização de balas reais, mas se for preciso darei essa ordem”. Mas para morrer como mártir tem de vir para a rua, e antes de decidir o momento da sua santificação, “desafia” os seus apoiantes a saírem  em vez dele  e  a manifestarem publicamente  o seu apoio ao futuro mártir. Será correcto usar a palavra “desafia”, ou “obriga”?

Ministro Franco Frattini defende responsabilidade europeia

Entrevistado pela euronews, Franco Frattini, ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, tece as consequências da revolta árabe. Espera-se um êxodo dos países do Magreb. Itália, Lampedusa, está na linha de frente, mas onde está a UE? A esta questão Franco, responde que “recebemos  respostas evasivas. Pedimos a intervenção da Europa, pois não se trata só de uma questão Italiana. É um assunto europeu. Se 200 mil ou 300 mil desesperados decidem embarcar rumo ao norte, a Itália, sozinha, não pode enfrentar a situação.”

“Os países da UE deviam encarregar-se do problema juntos. Se não, torna-se evidente que não existe o princípio de solidariedade que foi um dos pilares da criação da Europa em 1957. Era dar o golpe final a uma exigência fundamental da Europa. Estamos a trabalhar para que isso não aconteça, para que haja mais Europa nesta situação de urgência.” “Só quem não conhece os árabes pode ser irresponsável ao ponto de achar que vão seguir directivas de Roma, Bruxelas ou Washington. Todos os líderes do Mediterrâneo, que conheço evidentemente muito bem, reconhecem uma virtude a Itália: a de não dar lições aos outros, de ouvir e, depois, ajudar. Esse é o bom caminho.”

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Será que as comadres vão zangar-se e puxar os cabelos?  Sejamos rectos. Nós, governantes e cidadãos, não podemos sacudir a água do nosso capote, sofre o flagelo da opressão nestes países. Os governantes por interesses, nós por vezes, porque ignoramos.

Agora preparam-se sanções. Concordo. E durante os anos de opressão infligidos por estas soberanias banhadas agora pela onda de democratização,  em que se matou como se mata “baratas”, aonde estavam as sanções? Não estavam, porque reinava a aparente serenidade.

Em Julho de 2009, na reunião da Cúpula dos Países Africanos (reunião onde se juntaram ladrões de vidas e  de dinheiro), Lula da Silva é o convidado de honra e  refere-se a Kadhafi como  “meu amigo, meu irmão e líder”.

A Líbia de Kadafi foi recebida por George W. Bush, Tony Blair, Berlusconi em nome da luta contra o terrorismo e em troca do comércio de armas. (hipocrisia. Luta contra o terrorismo!!! Eles não dão tiros nos próprios pés).

A França celebrou acordos como governo de Kadafi para a venda de armamentos. (Armas usadas, como não é segredo, para actos de terrorismo infligidos por Kadafi. Hoje, essas armas estão a ser usadas contra os que protestam na Líbia)

Como Kadafi consegue sozinho passar de terrorista  a parceiro do Ocidente?

Ao longo de cerca de 30 anos, Muamar Kadafi, líder revolucionário, era considerado a  ovelha negra no cenário político internacional. EUA e Europa sofreram constantes provocações. Financiou e conduziu actos terroristas internacionais, inclusive contra a Europa. Mas com o virar do milénio, “renegou” o terrorismo e armas de destruição em massa.  Kadafi começou a ter “cara” de reserva de petróleo e gás natural, e tornou-se interessante para a Europa. (sanções para quê?)

Como se “converteu” num homem de bem?

Indemnizou as vítimas do seu terrorismo. Pagou  2,8 biliões de dólares em indemnizações às vítimas dois  dois atentados terroristas que assumiu a  alvos ocidentais: uma discoteca em Berlim e a um avião sobre Lockerbie, na Escócia. Em troca, as Nações Unidas esqueceram seus actos terroristas. (até dá voltas ao estômago).

Kadafi abdica de armas de destruição em massa. Em 2003, as sanções da ONU contra a Líbia foram suspensas. A União Europeia fez o mesmo pouco depois. (armas de destruição em massa são perigosas para o exterior. E as outras armas que continuou a usar dentro de portas?)

Em 2004, Kadafi veio até  Bruxelas. Dormiu numa barraca. Fez-se acompanhar  por um “exercito” de guarda-costas, formado praticamente por mulheres.

A Líbia é incluída na aliança dos países mediterrâneos. A Itália, que a colonizou até 1943 tinha particulares interesses nesta parceria. A comprovar, hoje na Líbia, existem muitas empresas italianas em actividade. Por outro lado, a Líbia também tem participação em vários grupos italianos. Um deles, a Tamoil, mantém uma rede de postos de gasolina no sul da Europa. E muitas multinacionais do petróleo actuam ainda hoje na Líbia.

Em 2006, outro acordo ente a UE e a Líbia é selado. As embarcações de refugiados devem ser barradas às portas da Europa. Hoje, esse acordo foi ampliado e assim  a Europa “deposita” na Líbia supostamente 10 mil refugiados em seus acampamentos.

Denegrindo  um pouco processo de conversão a “bons seres humanos”, a Itália envia refugiados para a Líbia sem qualquer processo legal. Mas, está claro, “ser um bom ser humano” tem custos. O processo de participação neste acordo, não é de borla. Então e para não dar muitos nas nossas “vistas”,  Kadafi exige 5 biliões da Comunidade Europeia. E se o dinheirito não entra nos seus bolsitos,  ameaça enviar para a Europa, pelo mar ou a pontapé, todos os refugiados que mantêm em seu território.  (preparem-se compadres, falta pouco para abrir o portão). Agora a sério. A Líbia já recebeu cerca  50 biliões de euros da UE (mais propriamente dos escravos europeus)  relativos a acordos sobre refugiados.

Mas o namoro entre Kadafi e a EU atingiu o auge em 2007. Kadafi liberta das suas prisão, as enfermeiras búlgaras e um médico. Mas só porque foram detidos injustamente.

Mais uma vez os escravos europeus e a Bulgária pagaram indemnizações às supostas vítimas das enfermeiras na Líbia.  Foi um marco histórico. A mulher do presidente francês, Carla Bruni-Sarkozy, foi pessoalmente à Líbia ter com  ex-reféns. Pois é, mas, poucas semanas depois, Nicolas Sarkozy, fechou alguns pequenos negócios com o governo Líbio, num valor de 10 biliões de euros.  E para ser reconhecida a “conversão” de Kadafi a um bom ser humano, a França entre outros fornecimentos, forneceria à Líbia um reactor nuclear. (Fez-se jus ao NÃO de  Kadafi  às armas de armas de destruição em massa).

A Líbia é um dos países em que Portugal mais tem apostado nos últimos anos. O primeiro-ministro José Sócrates chegou a ser convidado de honra numa das comemorações da chegada ao poder de Khadafi.

Quase 40 anos perdidos. Só interessou o  dinheiro e poder. Nada mais tinha valor. Até se concordou em pintar a cara de Kadafi de déspota para um arrependido. Em nome de uma boa vizinhança (económica) fechámos os olhos  à repressão usada pelo arrependido. E agora que o povo ( a quem eu tiro o meu chapéu de admiração pela  coragem e  determinação) resolve tentar puxar a si as rédeas do seu futuro nem que para isso tenha de ser abatido, nós hipocritamente apelamos  a sanções.

Que esta história, que vai pertencer à história, nos faça ser mais activos e participativos, que faça despoletar dentro de nós tanto o querer saber como a  necessidade de questionarmos sempre o poder instituído. Nesta história ninguém é isento.

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This entry was posted on 24 de Fevereiro de 2011 by in GEOPOLÍTICA MUNDIAL, Líbia and tagged , .

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