A Arte da Omissao

Honduras – Brutal repressão a Professores, Resistência Popular

30.3.2011

Continuam as manifestações contra o regime e  seus planos para privatizar a educação pública. Professores completam três semanas de greve nas Honduras, com novas manifestações em Tegucigalpa e outras zonas do país. Estas  manifestações são apoiadas por estudantes, que entram em confronto quase diariamente com as forças de segurança.  O sub-diretor da Polícia Nacional, René Maradiaga, disse a jornalistas que grupos de manifestantes bloquearam ao menos três bulevares da capital. Ele alertou ainda que devem ser retirados à força se não retirarem o bloqueio.

DOUGHERTY: Enquanto os Estados Unidos e muitos dos seus aliados reconhecerem  o governo de Pepe Lobo, a Organização dos Estados americanos e a maioria dos países da região consideram esta administração  ilegítima. Lobo chegou ao poder a seguir às eleições, debaixo do regime ilegal de Roberto Micheletti, o qual tomou o poder num violento golpe militar contra o Presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya, em Junho de 2009.

A Frente Popular de Resistência Nacional, uma ampla coligação de movimentos sociais e de partidos políticos, pedem a expulsão do governo golpista e a formação de uma Assembleia Constituinte, desde que têm sido sistematicamente alvo de uma onda de repressão do Estado. Na sequência do golpe de estado de 2009, numerosas violações dos direitos humanos são relatadas na Honduras, incluindo regulares casos de tortura e de assassinato político. Em 2010, Honduras tornou-se o país mais perigoso do mundo para jornalistas. Segundo a principal defensora de direitos humanos de Honduras, Bertha Oliva, coordenadora geral para o Comité de parentes dos desaparecidos em Honduras, a repressão do Estado intensificou drasticamente nas últimas semanas.

BERTHA OLIVA: Estamos a falar de total desprotecção  do povo hondurenho. Estamos a declarar  a desprotecção ao mundo, para que o mundo venha em nosso auxilio e que se termine com esta  selvajaria. Já não se trata só de ataques selectivo que aconteceram ao longo dos vários meses após o golpe de Estado; Agora eles  são enormes e em plena luz do dia. Perante isto, estamos num Estado indefeso  porque não temos um Estado de direito.

O que temos é uma política de Estado criminosa onde não há espaço para fazer reclamações, nem para levar ao  Tribunal aqueles que são responsáveis pelos crimes, pelas torturas que infligem a quem prendem , pelos espancamentos e abuso excessivo do poder e más praticas que existem nos militares e forças policiais. Neste momento as forças armadas, atacam pessoas desarmadas que apenas exigem a o direit à reclamação. Elas não  têm nenhuma  forma de se defenderem que não seja  a sua capacidade de pensarem.

EDGAR SORIANO ORTIZ: Estou em frente ao Supremo Tribunal Federal. Estamos  a  exigir a liberdade dos 19 professores, homens e mulheres que foram presos. Hoje, no dia 30, a nossa luta é uma manifestação pública a nível nacional. Faz parte de um processo de luta em curso nas últimas duas semanas, especificamente envolvendo o sindicato dos professores do Magistério do Grêmio, que é o mais forte no país, uma das associações que mais fortemente tem defendido  A Frente Nacional de Resistência Popular.

Nesse sentido, nossa luta é para defender a união dos professores contra a Lei de Municipalização,que nada mais é do que um movimento para desmantelar o sindicato dos professores e iniciar o processo de privatização da educação pública. E assim, os alunos também têm ocupado a Universidade Nacional por várias semanas. Da mesma forma, muitas escolas também estão sendo ocupados por famílias com o motivo de defender a educação pública. Por trás de tudo isso há uma lógica do regime, que é destruir o sindicato dos professores, e como tal destruir a Resistência Nacional da Frente Popular. Esta é uma luta contra a direita ultra e da oligarquia que não só desejam destruir o sindicato dos professores, mas também destruir a resistência popular.

DOUGHERTY:Ilse Velasquez, professor e defensor dos direitos humanos em Honduras,  foi morto em 18 de março.Muitos outros ficaram feridos em confrontos com a polícia, e há relatos não confirmados de outra morte ter ocorrido em quarta-feira, 30 de março.

David Dougherty com a Real Network.

*

Não convém que se estimule nem o conhecimento nem a inteligência, para as politicas de manipulação e escravidão possam ser aplicadas.

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One comment on “Honduras – Brutal repressão a Professores, Resistência Popular

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This entry was posted on 1 de Abril de 2011 by in Afinal Quem é Terrorista?, Honduras and tagged , , .

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