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WikiLeaks: EUA financiaram a oposição síria em segredo

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Arquivos de emails de Hillary Clinton

De: Mills, Cheryl D <MiilsCD@state.gov 
Enviado Segunda-feira 18 de Abril de 2011 3:10 AM 
To: 
Assunto: Fw: Telegramas expostos pelo  WikiLeaks mostram que os U.S.A 
apoiaram secretamente grupos de oposição sírios
De: OpsNewsTicker@state.gov [mailto: OpsNewsTicker@state.gov]
Enviado: domingo, 17 de Abril de 2011 11:52 PM
Para: NEWS-DRL; NEWS-NEA; NEWS-Mahogany; NEWS-WikiLeaks; Hunter, Charles F; 
Ford, Robert S Cc: SES-O_ShIft-I; SES-0 OS; SES-O_CMS 
Assunto: Telegramas expostos pelo  WikiLeaks mostram que os U.S.A 
apoiaram secretamente grupos de oposição sírios

De acordo com telegramas  não revelados, o Departamento de Estado financiou secretamente grupos de oposição política sírios e projectos relacionados, incluindo um canal de TV via satélite que promoveu a programação anti-governo sírio no país.

O canal por satélite BaradaTV com sede em Londres, começou a transmitir em Abril de 2009, mas iniciou operações para cobrir os protestos em massa na Síria, como parte da mais longa campanha para derrubar o líder autocrático da Síria, Bashar al-Assad. Grupos de direitos humanos dizem que desde as demonstrações que começaram a 18 de Março, dezenas de pessoas foram mortas pelas forças de segurança de Assad. A Síria atribui as culpas a” gangues armados”.

A BaradaTV está estreitamente associada ao «Movement for Justice and Development (MJD)» (Movimento para Justiça e Desenvolvimento – Ndt), rede londrina de sírios exilados. Os telegramas diplomáticos classificados dos EUA mostram que desde 2006, o Departamento de Estado canalizou até US$ 6 milhões para a rede operar o canal por satélite e financiou outras actividades dentro da Síria.

O nome do canal provém do rio Barada, que atravessa o coração de Damasco, a capital síria. O dinheiro dos EUA para os membros da oposição síria começou a fluir ainda sob o presidente George W. Bush, depois dele ter congelado em 2005 os laços políticos com Damasco. O apoio financeiro continuou ainda sob o presidente Obama, mesmo quando a sua administração procurava reconstruir as relações com Assad. Em Janeiro, pela primeira vez em seis anos, a Casa Branca colocou um embaixador em Damasco.

Os telegramas, consultáveis no site do WikiLeaks, mostram que em 2009, altos cargos da Embaixada dos Estados Unidos em Damasco ficaram preocupados quando souberam que agentes secretos sírios estavam a levantar  questões sobre os programas dos EUA.

Alguns altos cargos da embaixada sugeriram que o Departamento de Estado reconsiderasse o seu envolvimento, argumentando que poderia colocar em risco a aproximação da administração Obama a Damasco.

As autoridades sírias “sem dúvida, veriam que quaisquer fundos dos EUA para os grupos políticos ilegais equivaleriam a apoiar a mudança de regime“, lê-se num telegrama de Abril de 2009 assinado por um diplomata americano de alto escalão, na época em Damasco.

A avaliação da actual programação patrocinado pelos EUA ao apoio das facções anti-governamentais, tanto dentro como fora da Síria, pode revelar-se produtiva“, refere o telegrama.

Não está claro se o Departamento de Estado ainda continua a financiar grupos de oposição sírios, mas os telegramas  indicam que foi reservado dinheiro, pelo menos, até Setembro de 2010. Embora parte desses fundos tenham também apoiado programas e dissidentes dentro da Síria, a pedido do Departamento de Estado, The Washington Post reteve alguns nomes e detalhes do programa, argumentando que a divulgação poderia pôr em perigo a segurança pessoal dos destinatários.

O Departamento de Estado recusou-se a comentar a autenticidade dos telegramas ou a responder a perguntas sobre o financiamento à Barada TV. Tamara Wittes, vice-assistente de secretaria de Estado que supervisiona as pastas da democracia e direitos humanos no Bureau of Near Eastern Affairs, disse que o Departamento de Estado não endossa partidos ou movimentos políticos.

UNCLASSIFIED U.S. Department of State Case No. F-2014-20439 Doc No. C05780999 Date: 01/07/2016

“Nós apoiamos um conjunto de princípios”, disse Tamara Wittes. “Existem muitas organizações na Síria e noutros países que procuram mudanças de governo. Esta é uma agenda na qual acreditamos e vamos apoiar”.

O Departamento de Estado geralmente financia programas por todo o mundo que promovem ideais democráticos e direitos humanos, mas geralmente desenha a linha de dinheiro a dar aos grupos de oposição política.

Em Fevereiro de 2006,  o governo Bush anunciou que concederia US $ 5 milhões em subsídios para “acelerar o trabalho dos reformadores na Síria”. Mas nenhum dissidente dentro da Síria estava disposto a tomar o dinheiro, com medo da prisão ou execução por traição, de acordo com um telegrama de 2006 da Embaixada dos EUA, a qual  informou que “nenhum membro de boa fé da oposição será suficientemente corajoso para aceitar o financiamento.”

Ao mesmo tempo, os sírios exilados na Europa fundaram o Movimento para a Justiça e o Desenvolvimento. O grupo, que foi banido na Síria, defende abertamente a remoção de Assad. Os telegramas dos EUA descrevem os seus líderes como “islâmicos liberais e moderados” e que são ex-membros da Irmandade Muçulmana.

Não está claro quando o grupo começou a receber os fundos dos EUA, mas os telegramas mostram que em 2007,  altos cargos dos EUA levantaram a ideia de ajudar a iniciar um canal de satélite contra Assad. No entanto, as pessoas envolvidas com o grupo e com a BaradaTV,  não reconheceram ter aceite dinheiro do governo dos EUA.

“Não tenho conhecimento de nada assim”, disse Malikal-Abdeh, director de notícias da BaradaTV, numa breve entrevista por telefone de Londres. Abdeh disse que o canal recebe dinheiro de “homens de negócios sírios independentes” que recusou identificar.  Malikal-Abdeh também disse que não havia nenhuma ligação entre a BaradaTV e o Movimento para Justiça e Desenvolvimento, embora tenha confirmado que actua no conselho do grupo político. O conselho é presidido pelo seu irmão, Anas. “Se o seu propósito é manchar a BaradaTV, não quero continuar com a conversa”, disse Malikal-Abdeh. “Isto é tudo o que te vou dar”.

Outros dissidentes disseram ainda que a BaradaTV tem uma crescente audiência na Síria, mas é pequena em comparação com outros canais de notícias por satélite independentes, como a al-Jazeera e a BBC Arabic.

Embora a BaradaTV transmita 24 horas por dia, muitos dos seus programas são repetidos. Alguns dos principais exemplos são o “Towards Change“, um painel de discussão sobre os eventos actuais e o  First Step“, elaborado por um grupo dissidente sírio com sede nos Estados Unidos.

Ausama Monajed, outro sírio exilado em Londres, disse que costumava trabalhar como produtor na BaradaTV e como director de relações dos media para o Movimento pela Justiça e Desenvolvimento, mas que não tem estado  “activo” em nenhum dos trabalhos há cerca de um ano. Disse ainda que agora dedica toda a sua energia ao movimento revolucionário sírio, distribuindo vídeos e actualizações de protesto para jornalistas.

Ausama “não conseguiu confirmar “nenhum apoio do governo dos EUA ao canal por satélite, porque não estava envolvido com as finanças. “Eu próprio não recebi um centavo”, disse ele.

Vários telegramas diplomáticos da embaixada dos EUA em Damasco, revelam que exilados sírios receberam dinheiro de um programa do Departamento de Estado chamado Middle East Partnership Initiative (Iniciativa de Parceria no Oriente Médio- Ndt)

De acordo com os telegramas, o Departamento de Estado canalizou dinheiro para o grupo em exílio através do «Democracy Council», organização sem fins lucrativos com base em Los Angeles. De acordo com seu site, o conselho patrocina projectos no Oriente Médio, Ásia e América Latina para promover os “elementos fundamentais das sociedades estáveis“. J

ames Prince, o seu fundador e presidente do conselho é um ex-membro do congresso e consultor de investimentos da Price Water House Coopers. Contactado por telefone, Prince reconheceu que o conselho administra uma concessão da Middle East Partner ship Initiative, mas que não era “específica da Síria”.

Prince disse ainda que estava “familiarizado com” a BaradaTV e com o grupo sírio exilado em Londres, mas recusou-se a comentar, dizendo não ter recebido aprovação do conselho de administração. “Nós realmente não falamos sobre algo como isso”, disse ele.

O telegrama da Embaixada dos EUA em Damasco datado de Abril de 2009 afirma que o Democracy Council recebeu US$ 6,3 milhões do Departamento de Estado, para um programa relacionado com a  Síria chamado de “Civil Society Strengthening Initiative.” (Iniciativa de Fortalecimento da Sociedade Civil – Ndt)

UNCLASSIFIED U.S. Department of State Case No. F-2014-20439 Doc No. C05780999 Date: 01/07/2016

Edgar Vásquez, porta-voz do Departamento de Estado, disse que desde 2005, a Middle East Partner ship Initiative (Iniciativa de Parceria no Oriente Médio – Ndt) alocou US $ 7,5 milhões para programas sírios. Um telegrama da embaixada em Damasco, no entanto, regista  um total muito maior – cerca de US $ 12 milhões – entre 2005 e 2010. Os telegramas relatam temores persistentes entre os diplomatas dos EUA, de que agentes de segurança do Estado sírio tinham descoberto o rastro do dinheiro de Washington. Um telegrama de Setembro de 2009 informou que agentes sírios haviam interrogado várias pessoas sobre as  “as operações MEPI em particular, em referência à Iniciativa de Parceria no Oriente Médio.

Um telegrama  de Junho de 2009 listou as preocupações sob o título “MJD (Movimento pela Justiça e Desenvolvimento – Ndt): A Leaky Boat?” Nele está relatado que o movimento “procurava expandir a sua base na Síria”, mas tinha sido “inicialmente negligente na  sua segurança, muitas vezes falando sobre material altamente sensível em linhas abertas”.

O telegrama citou evidências de que o serviços secretos sírios estavam cientes da ligação entre o grupo  exilado em Londres e o Conselho da Democracia em Los Angeles. Como resultado, as autoridades da embaixada relataram que todo o programa de assistência à Síria tinha sido comprometido. “Relatos de outros canais sugerem que os  [serviços secretos] sírios podem já ter penetrado no MJD e estarem a usar contactos dele para rastrear a programação da democracia nos Estados Unidos”, refere o telegrama. “Se o [governo sírio] realmente sabe, e optou por não intervir abertamente, levanta a possibilidade de que o [governo] possa  estar a montar uma campanha para atrapalhar os activistas da democracia.”

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This entry was posted on 21 de Abril de 2011 by in Síria, USA and tagged , .

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