A Arte da Omissao

Part 1 ) Os EUA-NATO tentaram golpe de Estado na Líbia?

Tendo em conta toda a história conhecida das invasões,  a arquitectação de ataques terroristas para fundamentar outras, a estreita  relação dos Estados Unidos com o petróleo, não é de descartar que mais um plano tenha sido desencadeado para a Líbia.

A Líbia está entre as maiores economias petrolíferas do mundo com aproximadamente 3,5% das reservas de petróleo globais. A Líbia para os Estados Unidos é como o  dinheiro para o Tio Patinhas.

E dados os indicadores, estará em acção uma “invasão” planeada, na guerra de quem fica com o último barril de petróleo.

INVASÃO PLANEADA 

Uma intervenção militar foi contemplada pelas forças dos EUA e pela NATO sob um “mandato humanitário“.

O cenário na Líbia é diferente do Egipto e da Tunísia e as condições na Líbia são fundamentalmente diferentes. A insurreição armada na Líbia Oriental foi e é apoiada directamente por potências estrangeiras.

“Os Estados Unidos estão a mover forças navais e aéreas na região” para “preparar o conjunto completo de opções” na confrontação com a Líbia: o porta-voz do Pentágono, Cor. Dave Lapan, dos Fuzileiros Navais, fez este anúncio [1 Março]. Ele disse que “foi o presidente Obama que pediu aos militares para se prepararem para estas opções”, porque a situação na Líbia está a ficar pior”. (Manlio Dinucci, Preparing for “Operation Libya”: The Pentagon is “Repositioning” its Naval and Air Forces… , Global Research, March 3, 2011, sublinhado do autor)

“O objectivo real da “Operação Líbia” pode não ser o  de estabelecer a democracia mas sim tomar posse das reservas de petróleo líbias, desestabilizar a National Oil Corporation (NOC) e finalmente privatizar a indústria petrolífera do país, nomeadamente transferir o controlo e a propriedade da riqueza petrolífera da Líbia para mãos estrangeiras. A National Oil Corporation (NOC) está classificada entre as 100 principais companhias de petróleo” ( A Energy Intelligence classifica a NOC no 25º lugar entre as 100 principais companhias do mundo. –Libyaonline.com

Tanto os conselheiros militares como as forças especiais dos EUA e da NATO chegaram rapidamente ao terreno (se é que já não estavam por lá, já à algum tempo). A operação foi planeada para coincidir com o movimento de protesto em países árabes vizinhos. Como também já é conhecido, foi colocada em marcha um movimento de desinformação para levar a opinião pública a  acreditar que o movimento de protesto se espalhou espontaneamente da Tunísia e do Egipto para a Líbia.

A “Operação Líbia” recorda empreendimentos militares anteriores dos EUA-NATO por exemplo na Jugoslávia e no Iraque.

Na Jugoslávia, a guerra civil foi activada pela parelha  “EUA-NATO”, com o fim de  originar  divergências tanto políticas como  étnicas, as quais finalmente levaram à fragmentação do país. Tal objectivo está claro, foi atingido com  financiamento encoberto e com  também com treino de forças paramilitares armadas, primeiro na Bósnia (Bosnian Muslim Army, 1991-95) e a seguir no Kosovo (Kosovo Liberation Army (KLA), 1998-1999). Tanto no Kosovo como na Bósnia, a desinformação dos media foi utilizadas para apoiar afirmações dos EUA-UE, de que o governo de Belgrado havia cometido atrocidades, justificando dessa forma uma intervenção militar com razões humanitárias.

Ironicamente, a “Operação Jugoslávia” agora é falada pelos feitores da política externa Americana. O senador Lieberman “comparou a situação na Líbia aos acontecimentos nos Balcãs na década de 1990 quando, disse ele, os EUA “intervieram para travar um genocídio contra os bósnios. E a primeira coisa que fizemos foi proporcionar-lhes as armas para  se defenderem.  Isso é o que penso que podemos fazer na Líbia”. ( Clinton: US ready to aid to Libyan opposition – Associated , Press, February 27, 2011,

Centenas de conselheiros militares americanos, britânicos e franceses chegaram à Cirenáica, a província separatista do Leste. Os conselheiros, incluindo oficiais de inteligência, foram lançados de navios de guerra e navios de mísseis nas cidades costeiras de Benghazi e Tobruk” ( DEBKAfile, US military advisers in Cyrenaica , February 25, 2011)

Forças especiais dos EUA e aliados estão no terreno na Líbia Oriental,  e estão a dar apoio encoberto aos rebeldes. Tal facto foi já reconhecido quando  alguns comandos britânicos das Forças Especiais SAS foram presos na região de Benghazi. Estavam a actuar como conselheiros militares para forças de oposição:

“Oito comandos de forças especiais britânicas, numa missão secreta para colocar diplomatas britânicas em contacto com oponentes destacados do Cro. Muammar Kadafi na Líbia, acabaram humilhados depois de terem apoiado forças rebeldes na Líbia Oriental”, informa o Sunday Times de hoje.
Os homens, armados mas à paisana, afirmaram que foram verificar as necessidades da oposição e oferecer ajuda “. ( Top UK commandos captured by rebel forces in Libya: Report, Indian Express, March 6, 2011

Ironicamente, as reportagens não só confirmam a intervenção militar ocidental (incluindo várias centenas de forças especiais), como também reconhecem que a rebelião se opunha firmemente à presença ilegal de tropas estrangeiras em o solo líbio:

“A intervenção da SAS enraiveceu figuras líbias da oposição as quais ordenaram que soldados fossem trancados numa base militar. Oponentes de Kadafi temem que ele possa utilizar qualquer evidência de interferência militar ocidental para congregar apoio patriótico para o seu regime”. ( Reuters , March 6, 2011)

O “diplomata” britânico capturado pelos soldados das forças especiais era membro da inteligência britânica, um agente do MI6 numa “missão secreta”. ( The Sun , March 7, 2011) .

Declarações dos EUA e NATO confiram que estão a ser fornecidas armas às forças de oposição. Há indicações, embora não exista prova ainda, de que foram entregues armas aos insurgentes antes do desencadeamento da rebelião. Com toda probabilidade, conselheiros militares e de inteligência dos EUA e NATO também estavam no terreno antes da insurreição. Este foi o padrão aplicado no Kosovo: forças especiais apoiando e treinando o Kosovo Liberation Army (KLA) nos meses que antecederam a campanha de bombardeamento de 1999 e a invasão da Jugoslávia.

Tal como os acontecimentos se desdobram, contudo, as forças do governo líbio recuperaram controle sobre posições rebeldes:

“A grande ofensiva das forças pró-Kadafi lançadas [4 Março] para arrebatar das mãos dos rebeldes o controle das cidades e centros petrolíferos mais importantes da Líbia resultou [5 Março] na recaptura da cidade chave de Zawiya e da maior parte das cidades petrolíferas em torno do Golfo de Sirte. Em Washington e Londres, a conversa da intervenção militar ao lado da oposição líbia foi emudecida pela percepção de que a inteligência de campo de ambos os lados do conflito líbio era demasiado incompleta para servir de base à tomada de decisões “. (Debkafile, Qaddafi pushes rebels back. Obama names Libya intel panel , March 5, 2011, sublinhado do autor)

Uma força naval dos EUA e de aliados foi posicionada ao longo da costa líbia, sob um “mandato humanitário”.

O Pentágono está a mover os seus vasos de guerra para o Mediterrâneo. O porta-aviões USS Enterprise transitou através do Canal de Suez poucos dias após a insurreição. ( http://www.enterprise.navy.mil ) . Os navios anfíbios dos EUA, USS Ponce e USS Kearsarge, também foram posicionados no Mediterrâneo.

Foram despachados 400 fuzileiros navais dos EUA para a ilha grega de Creta “antes do seu posicionamento em navios de guerra ao largo da Líbia” ( Operation Libya”: US Marines on Crete for Libyan deployment , Times of Malta, March 3, 2011).  Enquanto isso, a Alemanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Itália estão no processo de posicionar vasos de guerra ao longo da costa líbia.

A Alemanha posicionou três navios de guerra utilizando o pretexto da assistência na evacuação de refugiados sobre a fronteira Líbia-Tunísia. “A França decidiu enviar o Mistral, o seu porta-helicópteros, os quais, segundo o Ministério da Defesa, contribuirão para a evacuação de milhares de egípcios”. ( Towards the Coasts of Libya: US, French and British Warships Enter the Mediterranean , Agenzia Giornalistica Italia, March 3, 2011). O Canadá despachou (2 Março) a fragata HMCS Charlettetown.

Entretanto, a US 17th Air Force, baseada na Ramstein Air Force Base, na Alemanha, está a assistir à evacuação de refugiados. As instalações da força aérea EUA-NATO da Grã-Bretanha, Itália, França e Médio Oriente actuaram com prontidão.

Links:http://www.globalresearch.ca/

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This entry was posted on 21 de Maio de 2011 by in Líbia and tagged , .

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