A Arte da Omissao

ACORDEM

Bernanke acha que os consumidores deveriam consumir mais

Ben Bernanke,  presidente da Reserva Federal Americana, voltou à questão do porquê do crescimento continuar aquém do esperado e das expectativas.

A 8 de Setembro, num almoço em Minneapolis,  usou as explicações já padronizadas, como  a paragem da construção civil e a profunda e persistente dor infligida pelas crises financeiras. Acha que os consumidores deveriam consumir mais, e que não o fazem, porque  ou não têm disposição, ou porque se tornaram “excepcionalmente cautelosos“.

“Um aspecto marcante na recuperação é a baixa invulgar dos gastos domésticos. Depois da  contracção  acentuada durante a recessão, os gastos dos consumidores aumentaram moderadamente até 2010 e começaram a desacelerar na primeira metade de 2011.Os factores que mencionei antes – o aumento dos preços das matérias primas que  atingiu o poder de compra das famílias e as interrupções de produções após o desastre japonês, que reduziu a disponibilidade no ramo automóvel, logo reduziu as vendas – explica parte desta desaceleração. Mas as famílias lutam com outros situações, o persistentemente elevado nível de desemprego, aumentos fracos de salários para os que permanecem empregados, a queda dos preços da habitação e os encargos das dívidas que permanecem elevados para muitos, não obstante as  famílias pouparem e pedirem menos emprestado. Mesmo tendo em conta as muitas pressões financeiras que enfrentam, as famílias parecem extremamente cautelosas. Na verdade, as leituras sobre a confiança do consumidor caíram substancialmente nos últimos meses, assim como as pessoas se tornaram mais pessimistas acerca das condições económicas e das suas próprias perspectivas financeiras. “- continuou Bernanke

Que paradoxo. Ao usar o termo “recuperação”, Bernanke compara o saltar fora dum  fundo desagradável, com a passada retoma pós-recessão. Será que de alguma forma, não percebeu que graves crises financeiras são “bestas” diferentes das recessões, onde as alterações nos níveis de estoque explicam mais de 100% da variação do PIB?

Bernanke parece estar alheio às mudanças fundamentais e estruturais :

*Uma menor participação do trabalho no crescimento económico. Será que Bernanke não reparou  que os lucros das grandes corporações ocupam uma percentagem muito alta do PIB? Este padrão começou com a  retoma fraca de Bush. As empresas não reciclam os frutos de seus crescimentos com os seus trabalhadores como se fazia no passado. Em todas as recuperações económicas pós-guerra anteriores, parte do aumento da renda nacional ia para compensações laborais (significando aumentos na contratação, salários e benefícios) ao invés dos lucros das empresas, de acordo com o National Bureau of Economic Analysis. Na retoma actual, a proporção que vai para os trabalhadores é a mais baixa de sempre — é a primeira vez que a parte do crescimento do PIB que vai para os cofres corporativos excede a fatia  que vai para o trabalho. Assim as perspectivas para o trabalho têm sido permanentemente diminuídas devido à mudança no quanto vai para os trabalhadores v. lucros.

*Períodos de contractos mais pequenos: altas probabilidades de períodos de desemprego e maior dificuldade em manter o nível de vida.

*Dificuldade em permanecer empregado depois dos 40 anos de idade. O preconceito contra as pessoas mais velhas significa que há um número enorme na meia-idade com  subempregos.

Juros mais elevados nos empréstimos a estudantes. Vende-se o conceito que  a educação universitária é necessária para se conseguir um emprego. Mesmo que fosse verdade, alguns prosseguem as suas carreiras com dificuldades em ganharem o suficiente para pagarem as suas dívidas.

“as sondagens mais recentes sobre os  sentimentos dos consumidores  mostram estar perto dos registados no final de 2008,  durante os momentos mais aterrorizantes da crise financeira”.”É difícil ter uma robusta recuperação económica, quando os americanos estão tão desanimados” – disse John Williams, Presidente do Banco Federal de São Francisco, na quarta feira passada, no Rotary Club de Seattle.

“as sondagens mais recentes sobre os  sentimentos dos consumidores  mostram estar perto dos registados no final de 2008,  durante os momentos mais aterrorizantes da crise financeira”.”É difícil ter uma robusta recuperação económica, quando os americanos estão tão desanimados” – disse John Williams, Presidente do Banco Federal de São Francisco, na quarta feira passada, no Rotary Club de Seattle.

Fontes:

http://www.nakedcapitalism.com/2011/09/bernanke-let-them-buy-cake-reveals-pathological-blindness.html

http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/bernanke20110908a.htm

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Este artigo embora americano, retracta realidade geral no resto do mundo. Até é ofensivo, os modelos económicos que se baseiam em padrões históricos de desemprego, salários, dívida e preços da habitação,  sugerirem que as pessoas devem gastar mais dinheiro. (os bancos não desistem)

Esta deterioração fundamental das finanças das famílias comuns foi mascarada pelo acesso a dívida. Já lá vão os tempos que  ninguém financiava um carro. E ninguém usava as suas casas como uma caixa ATM. Demasiados assumiram que poderiam depender da valorização dos preços das cassa como um proxy  para a economia. Todos sabemos como esse filme acabou.

One comment on “Bernanke acha que os consumidores deveriam consumir mais

  1. Carla Semedo
    16 de Novembro de 2011

    este senhor devia ganhar o ordenado e mínimo e pagar estes aumentos todos, para ver se no fim continuava a dizer que as pessoas deviam consumir mais…ridículo!!

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This entry was posted on 10 de Setembro de 2011 by in USA and tagged , , .

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