A Arte da Omissao

Síria: Discípulos de Goebbel atacam a Síria

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Tradução do artigoGoebbels’ disciples tackle Syriade Domenico Losurdo

Ele,  aponta diversas inconsistências na retórica ocidental contra Síria. Elas revelam que o problema não está onde se pensa estar e que o discurso pretende somente justificar uma guerra, não relatar factos”.

| Urbino (Itália) | 23 de Novembro de 2011

erdogan

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, fez uma curva de 180 graus na última campanha eleitoral. Ele já levou o  seu país para a  guerra contra a Líbia e sonha com um confronto com a Síria.

Qual é a natureza do conflito que subjugou a Síria nos últimos meses? Através deste artigo, gostaria de convidar todos os que defendem as causas da paz e da democracia nas relações internacionais, a questionarem-se com algumas questões, às quais eu,  por minha parte, vou tentar responde, dando destaque aos jornais e jornalistas que não podem ser suspeitos de cumplicidade com a liderança em Damasco.

1. Em primeiro lugar, seria aconselhável descobrir quais eram as condições vigentes neste país do Médio Oriente antes da família Assad (pai e filho) e do actual regime que chegou ao poder em 1970. 

Antes, “a República da Síria era um Estado fraco e instável, uma arena na qual se jogaram rivalidades regionais e internacionais”. Os acontecimentos dos últimos meses fizeram a Síria recuar para “antes de 1970”. São estes os termos usados por Itamar Rabinovitch, antigo embaixador de Israel ao The International Herald Tribune [1]. A primeira conclusão que pode ser tirada é: Os tumultos apoiados principalmente pelos Estados Unidos e União Europeia podem empurrar a Síria de volta para uma condição semi colonial. (claro, é o que está programado – Ndt)

2. Serão as condenações e sanções do Ocidente e o seu desejo de mudança do regime na Síria, realmente impulsionadas pela indignação à “brutal repressão“, alegadamente exercida pelo governo contra as manifestações pacíficas?

Já em 2005, “George W. Bush queria derrubar Bashar al Assad”, disse o antigo embaixador israelita em Washington e acrescentou que a política da mudança de regime na Síria é a mesma perseguida pelo governo de Tel Avive: chegou a hora de acabar com o grupo de líderes em Damasco que suportam o “Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza” e que, para além disso, têm laços estreitos com Teerão. Na verdade, “Israel que está profundamente preocupada com a ameaça iraniana, é de opinião que extrair o tijolo sírio de parede iraniana, podia inaugurar uma nova fase na política regional. Claramente Hamas e Hezbollah estão a andar mais suavemente agora. ” Desta feita, o alvo da revolta e das suas relacionadas manobras não é só na Síria, mas também  na Palestina, Líbano e Irão[2]: O objectivo é dar o golpe decisivo à causa do povo palestiniano e consolidar a dominação neocolonial de Israel e do Ocidente numa área geopolítica e geoeconómica crucial.

3. Como atingir este objectivo? No Corriere della Sera de 29 de Outubro, Guido Olimpio explica como: em Antakya (Antáquia- NdT), região turca na fronteira com a Síria, o “Free Syrian Army, organização que está a liderar a luta armada contra o regime de Assad, já está em actividade, com armas e assistência militar fornecidas pela Turquia”. Além disso, acrescenta Olimpio (no Corriere della Sera de 13 de Novembro), Ancara “ameaçou criar  uma zona-tampão de 20 milhas dentro de território sírio”. Assim, o governo de Damasco não só enfrenta uma revolta armada, como enfrenta uma revolta armada apoiada por um país com um aparato militar de importância primordial, que é membro da NATO e que ameaça invadir a Síria. Quaisquer que sejam os erros dos seus líderes, este pequeno país agora é um alvo de uma agressão militar. Com uma economia em forte expansão, a Turquia tinha já mostrado sinais de impaciência com a dominação do Médio Oriente por Israel e Estados Unidos. Obama respondeu a esta impaciência, empurrando os dirigentes em Ancara no sentido do sub-imperialismo neo-otomanismo, obviamente controlados por Washington.

Ressalta claramente que a Síria está em  condições muito difíceis para salvaguardar a sua independência, em face do grande poder económico, político e militar. Além disso, a NATO ameaça directa e  indirectamente, infligir sobre os dirigentes sírios as mesmas tácticas de linchamento e assassinato usadas para terminar com o Gaddafi. A ignomínia da agressão não deve escapar a ninguém. Excepto que, ao fazer fogo com a multimédia e com o uso das novas tecnologias de manipulação graças à Internet, o Ocidente retrata a crise na Síria como um exercício de anormais e de brutal violência contra manifestantes pacíficos e não-violentas.

 [1] “The devil we knew“, de Itamar Rabinovitch, The International Herald Tribune, 19-20 November 2011.

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This entry was posted on 4 de Dezembro de 2011 by in Afinal Quem é Terrorista?, Nato, Síria and tagged , , , .

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