A Arte da Omissao

Congo – Estados Unidos, mineração e ditadores

Entrevista de Paul Jay da Real News  a  Kambale Musavuli,  coordenador estudantil e porta-voz nacional dos  amigos do Congo /  Friends of the Congo

Tradução da Entrevista

JAY: Se o que descreve acerca das políticas externas  americanas, do Reino Unido e Canadá,  é que assentam  essencialmente na  ajuda às nossas empresas de mineração e à “extração” das riquezas do Congo,  e se é o que caracteriza a situação atual, o que gostaria de ver diferente?

MUSAVULI: Bem, as pessoas não sabem o que está a acontecer. Assim, o  que eu quero que elas saibam é,  em primeiro lugar,  pressionar o governo a mudar a sua política, a pararem o apoio aos  ditadores. Não é bom para os negócios. Você sabe, o caos que  compartilhamos não permite que as pessoas sejam capazes de vender os seus produtos. Precisamos dos recursos do Congo, mas não é preciso matar os congoleses para se chegar a uma pedra brilhante.  Assim há que colocar pressão sobre os governos do Ocidente, em especial  no governo dos Estados Unidos, para interromper essa a política. Em segundo lugar é começar a responsabilizar as empresas. Não é um mistério. Nós sabemos quem elas são.

JAY: empresas de exploração de minérios, em particular.

MUSAVULI: Sim. Tem sido documentado quem são as empresas que dão aeronaves privadas aos rebeldes, que lhes constroem casas e que lhes pagam. Nós sabemos. O que é que o departamento de Estado vai fazer? Amigos da terra  enviaram uma carta para o departamento de Estado.  O nacional [incompreensível .] não respondeu acerca das empresas americanas que exploram os congoleses. Assim, ao segurar companhias mineradoras, especialmente as que operam aqui nos Estados Unidos, passam também a desempenhar parte desse papel.

JAY: E o Canadá é um grande jogador no negócio de mineração.

MUSAVULI: Sim. Mas eu sempre disse que as empresas de mineração canadense são americanas. Têm apenas os escritórios lá.

JAY: Muitas delas.

 MUSAVULI: Exatamente. É sabido que o Canadá é um refúgio seguro para as empresas de mineração. Muitas delas que operam no Congo assim o fizeram e de seguida, mudaram-lhes  os nomes. Você sabe, primeiro era a American Mineral Fields, mas de seguida, mudou para Adastra. Atualmente é First Quantum. E assim, ninguém vai saber que a Quantum  foi primeiro American Mineral Fields. Em terceiro lugar, o Ocidente tem que largar os assuntos africanos. Temos problemas internos, e você pode ver na minha apresentação, que não falei sobre corrupção.

JAY: E não pode minimizar o grau da corrupção africana, como consequência de uma guerra fria que colocou estas pessoas — que colocou a  Cleptocracia no poder.

MUSAVULI: Exato. Assim, uma retirada do Ocidente da política africana, realmente ajudaria a todos, porque neste momento quem beneficia é um pequeno grupo de empresas de mineração e de elitistas,  enquanto o resto de nós sofre com isso. Veja bem. O Congo poderia alimentar todo mundo até 2050.

JAY: Como poderia o Congo fazer isso?

MUSAVULI: Com a nossa capacidade agrícola. Houve um agrónomo belga que fez um estudo da capacidade agrícola do Congo e descobriu que usamos apenas, menos de 5 por cento da nossa capacidade. Poderíamos alimentar a Somália, que está faminta. O rio Congo poderia fornecer eletricidade.

JAY: A vossa riqueza mineral ronda os 24 triliões de dólares. 

 MUSAVULI: Exato. Você sabe, o Congo ainda sofre com o assassinato de Patrice Lumumba. A imposição de um ditador. O apoio às invasões ao Ruanda e Uganda pelos EUA, ainda afeta o Congo. Mas se pudermos remover essa interferência externa,  os congoleses terão a chance de serem capazes de lidar com os problemas internos.

JAY: Agora, o que sente, quando cinco a seis milhões de congoleses podem ser mortos por uma guerra, maioritariamente criada pelo Ocidente.

MUSAVULI: E alguns deles, eu conheço

JAY: e que foge à perceção do público?

MUSAVULI: Sim. No início, foi realmente desanimador. Começa a crescer   este tipo de raiva e questionamos: porque é que o mundo não sabe, porque é que o mundo não se importa. Mas observei logo que comecei a compartilhar estas informações  com as pessoas, é que elas passam a querer ajudar. As pessoas que não querem ajudar são as pessoas da colina do Capitólio, até mesmo do Departamento de Estado, que me respondem à defesa. E questionamos, o que estamos nós a coordenar  quando 2 milhões de mulheres são violadas no Congo? O que estamos a negociar quando 6 milhões de pessoas morreram no Congo? Por isso, entendemos que o governo não quer é  lidar com a situação no Congo, devido à sua política externa, que oferece suporte à nação que causa o caos.

JAY: A caminho desta entrevista, estava a ouvir C-SPAN, que  houve audiências no Congresso  que está a ser realizada em África. Mas o que discutiam  era como os Estados Unidos podem competir com a China, não sobre as milhões de pessoas que morreram e continuam a morrer no Congo e em toda a África.

MUSAVULI: Igual ao G-8 em 2010. O Congo foi discutido no G-8. Sabia acerca do quê? Primeiro a Quantum perde o contrato de mineração. A primeira vez que o Congo é discutido no G-8 não é sobre os 6 milhões de pessoas mortas ou sobre os milhões de mulheres estupradas; a discussão foi como o Governo congolês cancelou um contrato de mineração de uma empresa canadense. E a pessoa que trouxe o tema para o G-8 foi Stephen Harper, o primeiro-ministro canadense. E aprovaram uma resolução, em como o Congo tem de respeitar as regras internacionais de negócios.

fonte:http://therealnews.com/t2/index.php?option=com_content&task=view&id=767&Itemid=74&jumival=7563

Frases sublinhadas são da minha responsabilidade

One comment on “Congo – Estados Unidos, mineração e ditadores

  1. maria celeste ramos
    28 de Dezembro de 2011

    Já vi várias vezes reportagens na TV – SIC 5 – sobre os diamantes de sangue em angola e algures, e no congo sobre o coltán – mineral que creio ter ouvido haver apenas no congo e que é comerciado clandestinamente para uso posterior para o equipamentos mais delicados como os usados em satélites – as guerres entre as duas etnias radica segundo foi dito, de entre outras razões mas essencialmente na exploração clandestina deste mineral especial e raro e único no Congo, e a guerra gerada entre as duas etnias – por qualquer razão que não recordo, a situação levou à visita de Clinton que afirmou (como vi e ouvi) que de nada sabia do que se passava e razões de luta de genocídio entre as duas etnias

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This entry was posted on 27 de Dezembro de 2011 by in Afinal Quem é Terrorista? and tagged , , , .

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