A Arte da Omissao

ACORDEM

A arte da Guerra

Manlio Dinucci é geógrafo e cientista geopolítico. Seus livros mais recentes são: Geograficamente Por la Scuola mídia(3 vol.), Zanichelli (2008);  Escalatio Anatomia della guerra infinita, Derive Approdi (2005).

Tradução do artigo  “Assassinations anonymous, de Manlio Dinucci

Embora o assassinato político no estrangeiro constitua um acto de guerra, os Estados Unidos tem vindo a fazer dele uma prática diária. Após uma ordem presidencial, uma estrutura de comando militar independente com um orçamento anual de 8 biliões de dólares, é capaz de assassinar qualquer pessoa em 48 horas e em qualquer lugar do mundo. Durante o ano 2011, este comando operou em 75 países sem o conhecimento do público.

Essas organizações criminosas de assassinos dão origem a uma condenação unânime e, se capturadas, podem ser punidas com a pena de morte ou prisão perpétua. No entanto, quando encomendadas pelo Estado, geralmente passam a ser consideradas legítimas e recompensadas pelos seus méritos.

Englobam-se nestas organizações, os assassinos profissionais pertencentes às forças especiais americanas. Nascidas como Boinas Verdes [1], formalizadas pelo Presidente Democrático  Kennedy em 1961, testadas  na Guerra do Vietname, as forças especiais foram promovidas pelo republicano Reagan, que em 1987 criou um comando de operações especiais, a USSOCOM. Depois de usadas pelo republicano Bush na “guerra global contra o terrorismo,” em especial no Afeganistão e Iraque, adquiriram uma estatuto ainda maior no mandado democrático de Obama.

Com base numa investigação do Washington Post, operações de forças especiais estão actualmente destacadas em 75 países, em vez das 60 há dois anos. As operações são planeadas pela comunidade de inteligência treinada pela CIA e por outras 16 organizações federais. No Afeganistão (de acordo com funcionários do Pentágono entrevistados pelo New York Times), as forças convencionais dos EUA serão reduzidas em 2013, “a responsabilidade  será  entregue às forças de operações especiais “que”  vão ficar no país, mesmo depois do fim da missão da NATO 2014.”

Sua tarefa será a de  “caçar líderes insurgentes, capturar ou matá-los e treinar tropas locais.” Um  comando de operações especiais será criado e os respectivos componentes serão organizados dentro da nova “Força de ataque no Afeganistão”.

O que for estabelecido neste país, servirá como “modelo” para outros. Uma directiva secreta em Setembro de 2009, autorizou “uma grande expansão das actividades militares secretas com a implantação de comandos de operações especiais em vários países, amigáveis e hostis, Médio Oriente, Ásia Central e no corno da África.”

O comando de operações especiais, que oficialmente tem cerca de 54 000 especialistas de todos os sectores das forças armadas, é organizado em “pequenas unidades de elites” que têm como missão “matar ou capturar inimigos e destruir alvos”. Estão também envolvidos em  “guerras não convencionais realizadas por forças externas, treinadas  e organizadas pela USSOCOM;  em acções de contra-insurgências, para ajudar governos aliados a sufocarem rebeliões; em operações psicológicas para influenciar a opinião pública externa de forma a apoiarem as acções militares americanas.”

Fazendo parte da “guerra não convencional”, a USSOCOM também contrata empresas militares privadas como a Xe (antiga Blackwater, conhecida pelas suas acções no Iraque) que já está envolvida em diversas operações especiais, mesmo no Irão. O uso destas forças além de não exigirem a aprovação do Congresso, são mantidas em sigilo, evitando assim reacções públicas. Geralmente, os comandos de operações especiais não usam uniformes; disfarçam-se em pessoas locais. É a melhor forma de assassinatos e de torturas serem mantidas anónimas.

Uma vez que são os USA que ditam a sua lei à NATO, é bem provável que os seus aliados tenham, por agora, adoptado o mesmo modelo. Esse, do assassinato anónimo das “grandes democracias ocidentais.”

[1] Nome dado à unidade militar infame que assassinou e torturou no Vietname: Mais tarde foi comemorada no filme de 1968 produzido por John Wayne.

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This entry was posted on 1 de Março de 2012 by in Nato, USA and tagged , , , , , , , .

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