A Arte da Omissao

Facebook na Nasdaq

O Facebook estreou-se no dia 18, na  bolsa de valores de empresas de tecnologia em Nova York, ao vender acções a  US$ 38 cada. Estamos a falar da maior IPO da história. 

O valor de 38 Us$ por acção, foi decidido na véspera, numa reunião entre os executivos do Facebook e os representantes dos bancos responsáveis pela IPO: Morgan Stanley, JP Morgan, Goldmann SachsBank of America, Barclays e Allen & Co. 

Nem cinco minutos passados após  o pregão de abertura, foram negociadas mais de 100 milhões de acções. A alta, nos primeiros minutos, passou os 10%. O papel terminou o dia a valer 38,37 US$, com uma variação positiva de 0,97% e mais de 500 milhões de acções negociadas. Era esperado muito mais e há quem diga que quem segurou a parada foram os bancos.

A grande fatia da facturação do  Facebook vem da publicidade. Devido às características da rede social e da grande maioria dos seus utilizadores, o site sabe demais a respeito deles, conhecimento valioso para os anunciantes. 

Após o lançamento da linha do tempo no Facebook, a rede passou a suportar várias aplicações sociais, destinadas unicamente a saber o que o utilizador está a fazer: se está a ler um artigo, a ver um vídeo ou a ouvir música e de qual artista (o utilizador nem se apercebe desta “partilha”). Para evitar esta superexposição, já existe na Net informação suficiente de como evitar esta partilha de informação levada a cabo por essas aplicações. Além de o deverem fazer, devem passar a informação de forma a remover todos estes dados pessoais da linha temporal do Facebook, embora o ideal, na minha opinião,  seria nem as usar.

Vamos passar os olhos por algumas:

Where I’ve Been aplicação onde se marcam as cidades e  países por onde passámos.  Meu Deus, qual a utilidade? Não é muito melhor marcar encontro com os nossos amigos num café ou bar e mostrar as fotos das nossas férias? O que se ganha? Muito. Fomenta-se a comunicação real entre pessoas, a cultura da privacidade que o Homem nem se apercebe que é o único responsável pela sua destruição.  Não é por falta de informação. TODOS sabemos que as políticas de privacidade não existem e também TODOS sabemos que mesmo que se cancele a conta,  os nossos dados (chats, mensagens, fotos, localizações…), permanecem nas bases de dados. Porque será que não são apagadas?

Honesty Box – A sua publicidade diz ser uma aplicação só  para os “mais corajosos“. Ela permite que os seus “amigos” digam o que lhes apetecer, mantendo-se anónimos.  O que se está a fomentar com esta aplicação? Pensem bem!

Last.Fm Music – Mostra aos seus “amigos” que música ouve.  A Last.fm permite que você mantenha um registro do que ouve em qualquer player. Com base no seu gosto musical, a Last.fm  recomendará mais músicas e shows! Mais uns dados estatísticos dos gostos de cada um guardados algures na Clound.  A Lista de reprodução do Windows média Player não faz isso? Alguém precisa de saber a que horas eu ouço o meu artista preferido? 

DivShare Quase como um rapidshare no Facebook. Permite partilhar ficheiros com mais peso, como documentos, músicas e vídeos, até 200MB. Continuo a dar parabéns a quem teve a brilhante ideia de “partilha” na Web. Porque além de partilharmos com “amigos”, também as partilhamos com as faces que não têm rosto. E mais uma vez, realço. Estes dados ficam na posse do Facebook. 

Picnik – Pode editar as fotos antes de as “partilhar” com os seus amigos. O mundo falso das fotos da  industria da moda, desta vez no facebook. Up’s e se tiver que me encontrar pessoalmente?

Jogos – Com técnicas embebidas para viciar os seus jogadores. Uma vez, ouvi alguém que ia de férias REAIS mas  estava seriamente preocupada, pois não teria condições de “alimentar e dar água” aos seus animais VIRTUAIS da  Farmville. Eu entendo. É preciso alienar as pessoas. 

Birthday Calendar –  Já não há desculpa para se esquecer dos anos de ninguém. Realmente é muito IMPORTANTE.  Os nossos telemóveis nem agendas têm!

Roomster – Classificados para quem procura ou quer alugar casa. A entrada dos mercados financeiros no Facebook, além de estar a ser dada uma fonte de informação importante acerca das nossas vidas financeiras. 

Fluff Friends – Para quem goste da Hello Kitty ou algo parecido, com esta aplicação  pode “adoptar” um animal de estimação VIRTUAL e mantê-lo no seu perfil.!!

Flixster – Quais são os seus filmes preferidos? E os dos seus amigos?  Mais uma interessante “partilha” das características de cada um. 

Web Presence – Para quê obrigar alguém a ter links individuais para as suas contas no Myspace, Flickr, Hi5. Junte-as todos num só. 

Countdown – Um cronómetro a aplicar no perfil para o que quiser. Faltam 15 minutos para lavar os dentes, tantos dias para aquilo, outros tantos para tal… Mais outra interessante “partilha” do nosso dia a dia.

Pensem bem na futilidade destas aplicações, aparentemente ingénuas mas com fins seriamente pensados. Temos que recuperar uma das nossas maiores riquezas, a nossa privacidade.

Margem de lucro, outro factor a despertar investidores. Em 2011,  o Facebook facturou cerca de 3.7 bilhões de dólares e registrou um lucro operacional de cerca de 1 bilhão de dólares, ou seja, 47%. 

A verdade é só uma.Este império lucrativo foi gerado muito à custa dos utilizadores da rede. Cabe a cada um analisar se quer continuar a ter esse papel, se quer continuar a ser “espiolhado” e a permitir que o mesmo ocorra à sua família e amigos. O facebook é um laboratório de conhecimento por excelência, do comportamento Humano e de manipulação de massas (por exemplo farmville). Reconheço-lhe no entanto a vertente da rapidez de passagem de informação, em especial quando se trata de causas ou da passagem de conhecimentos.

No entanto acho muito mau, serem os próprios utilizadores a autorizarem a invasão das suas próprias privacidades.  

Por vezes visualizo o Facebook como uma grande cidade virtual isolada com grandes muros, com habitantes virtuais, com famílias virtuais, com amizades virtuais, com actividades virtuais, que afunila em várias bocas que insaciavelmente se alimentam do que mais gostam e que de mão beijada lhes é fornecido: dados pessoais, fotos, hábitos, desejos, tendências, localizações, rotinas de vida, decepções, anseios.. Estas bocas por sua vez vão dar a uma outra cidade só que  real e desconhecida, de habitantes reais desconhecidos, com gostos reais desconhecidos, que facturam muito dinheiro real e que têm uma das melhores armas de sempre, o controlo ….. É o perigo do Facebook.  A normalização de conversar sem olhar nos olhos, de ser “amigo” de quem é totalmente desconhecido,  da desvalorização total (que leva ao total desaparecimento)  da amizade, privacidade, capacidade de expressão e contacto humano.

Eu já tive uma conta no Facebook, para dar um pouco de visibilidade ao blog, mas usei as regras máximas: nickname, nada de fotos, nada da minha vida pessoal, nada de mensagens. Mas quando descobri que está a dar suporte ao CISPA, foi de imediato cancelada.

Alguns dos donos do Facebook

 

Mark Zuckerberg – Fundador

Acções: 533.8 milhões Valor: US $18,7 bilhões

Accel Partners – Liderada por Jim Breyer

Acções: 201.4 milhões – Valor: US $7,1 bilhões.

Numa das apostas mais estratificadas da  empresa de capital de risco, Accel investe  no Facebook em 2005. Breyer partilha também os conselho de administração de diversas empresas, como  Walmart, Dell  e a News Corp, editora do Wall Street journal.

 

 Dustin Moskovitz  – Co-fundador Ações: 133.7 milhões Valor: US $4,7 bilhões

Moskovitz foi colega de apartamento de Zuckerberg na Universidade Harvard e, como ele, também abandonou a faculdade e mudou-se para Palo Alto, na Califórnia, para fundar o Facebook. Hoje ele gere outro negócio, a Asana, uma ferramenta para trabalhos colaborativos pela internet.

DST Global
Liderado por Yuri Milner
Ações: 131,3 milhões
Valor: US $4,6 bilhões 

Yuri Milner, investidor russo, começou a investir no Facebook em 2009 através da empresa DST Global. Também aplicou dinheiro noutras empresas que começam a despontar, como Groupon, Twitter e Zynga.

 Sean Parker

Investidor, ex-Presidente
Ações: 69,6 milhões
Valor: US $2,4 bilhões

Co-fundador do Napster, ferramenta de partilha de arquivos, Sean Parker chegou a presidir o Facebook no inicio dos negócios. Hoje  trabalha numa fundação chamada The Founders Fund, junto com Peter Thiel, outro grande acionista do Facebook.


 Goldman Sachs – Investidor
Ações: 65,9 milhões
Valor: US $2,3 bilhões
Fez algumas ondas no início de 2011 quando permitiu que  clientes não americanos investissem no Facebook, quando esta estava avaliada em US$ 50 bilhões. 

One comment on “Facebook na Nasdaq

  1. Paulo
    20 de Maio de 2012

    É verdade, conheço pessoas que aderem com muita facilidade a tudo que é aplicação no Facebook. Além disso, publicam tudo e mais alguma coisa. Mas isto não é tudo, todos somos espiados pelas próprias operadoras, através do DNS.

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