A Arte da Omissao

Goldman Sachs de olho nas nossas privatizações

Qual o factor comum? 

É do conhecimento geral que Mario Monti, Mario Draghi e  Lucas Papademos pertenceram ao clã  Goldman Sachs (GS).  Os três, fazem parte do que chamam, nos Estados Unidos, a Europa de Sachs.

Goldman Sachs tem tentáculos em todo o mundo. É responsável por muitas das grandes crises que o mundo viveu e ainda vive: a maré negra do Golfo do México,  a crise da dívida soberana na Europa e a crise do subprime nos EUA, esta última tão bem documentada no documentário  Inside Job.

E Portugal, na figura da marioneta Passos Coelho, coloca outro ex-boy da GS, como conselheiro de Estado para as privatizações. O Sr. António Borges, ex-Fmi, foi dirigente do Goldman Sachs Internacional, filial inglesa do banco norte-americano, entre  2000 a 2008.  

Enquanto a Islândia coloca os criminosos  atrás das grades, Portugal opta por os premiar.

Porquê conselheiro de Estado para as privatizações? Vamos conhecer um pouco melhor o Sr. António Borges.

2005 – Dinheiro mal gasto com António Borges

“a seguir à publicação pela Sábado de uma notícia sobre o custo dos serviços de assessoria que o banco de investimento Goldman Sachs, de que António Borges é vice-presidente, prestou ao Estado português nos negócios da Galp Energia e na definição do modelo energético nacional. O negócio já rendeu ao Goldman Sachs 1,7 milhões de euros em 2004 e – apesar de o Governo Santana Lopes ter prescindido dos seus serviços na sequência da oposição de Bruxelas à integração do gás na EDP – condições contratuais leoninas parecem garantir-lhe mais 13 milhões nos próximos 18 meses.  Goldman Sachs tem também um contrato de consultoria com a EDP, mas desse, para já, não se conhecem os montantes.” Mais aqui.

9 Maio 2008  “Sub-prime” é uma das melhores inovações dos últimos anos – António Borges

O economista António Borges defendeu na noite de quinta-feira que o “sub-prime” (crédito à habitação de alto risco) é “uma das melhores inovações dos últimos anos”, demarcando-se assim da convicção generalizada de que este produto financeiro está na origem da presente crise mundial.

O mercado sub-prime “funcionou muito bem durante muitos anos e com uma taxa de sinistralidade muito baixa”. Um dia, porém, “tornou-se vítima do seu próprio sucesso”.

Os bancos europeus estão entre os mais atingidos. Socorrendo-se de uma metáfora, acrescentou: “Têm 80 por cento do material tóxico que existe aí nos balanços globais.”

 António Borges também se afasta daqueles que pensam a etapa seguinte será uma recessão, declarando-se “pessoalmente convencido” de que o mundo não corre esse risco. Leia mais aqui.

13.10.2008 António Borges: “O sistema financeiro caiu como um castelo de cartas”

“A crise só termina quando os depositantes voltarem a ter confiança na banca, defendeu António Borges, numa entrevista ao PÚBLICO.”- Leitura obrigatória aqui.

 01/06/2012 – António Borges: “A austeridade está a salvar a economia”

O antigo quadro do FMI salientou que a atual “diminuição dos salários é uma emergência, não é uma política”, e considerou que “não podemos escapar à moderação salarial.”

“Quando há uma recessão, há sempre quem sofra”, disse, afirmando que se “tivéssemos mais tempo não é evidente que o custo fosse menor.” Leia mais aqui

Isto vai além da ficção cientifica. António Borges, defende a austeridade como forma de cumprimento dos  “acordos” por exemplo com o FMI, de forma a Portugal ganhar a  confianças dos mercado, blá blá… 

Mas em 2011, quando director do FMI para a Europa, ganhou cerca de 306 mil dólares (cerca de 225 mil euros ao câmbio da altura) isentos de impostos. Todos os funcionários do FMI, têm o estatuto de funcionário de organização internacional, o que implica o pagamento de salário líquido. Não admira, que por onde passe o FMI, deixe um rastro de pobreza e de destruição. Leia mais aqui

Marc Roche e o livro «O Banco: Como Goldman Sachs dirige o Mundo»

 Numa entrevista dada à Agência Financeira, Marc diz:

«O problema é que o senhor Borges não disse o que fez no Goldman Sachs. Pode haver um conflito de interesses». É preciso total transparência». 

O nome de António Borges, aparece na primeira página do livro, como responsável por supervisionar os resgates da Grécia e da Irlanda no FMI.  Segundo noticiado, saiu de Washington oficialmente por razões pessoais.

Oficiosamente «por fazer parte do banco responsável pela «maquilhagem das contas gregas em 2002-2003», acusa Marc Roche. Refere ainda  ser díficil garantir transparência  num mundo onde «os governos estão fracos e os bancos são fortes». Onde «os políticos estão nas mãos dos bancos». Por isso, António Borges «tem de ser claro», «O senhor Borges tem de decidir se o Goldman Sachs tem ou não um papel nas privatizações», diz Marc

Já para o GS «tanto lhe faz: ganha com ou sem o euro». Neste banco, «só trabalham os mais inteligentes, os melhores»: o processo de recrutamento é árduo (20 ou 30 entrevistas) e a manutenção no cargo exigente. Ir de férias sem estar ligado à Internet ou ter relações extraconjugais são motivo de despedimento. «Há uma clara política de beneficiar a empresa em detrimento do indivíduo». Escreve Roche no seu livro.

Mas «não se trata de uma máfia ou maçonaria». São uma elite que sai ilesa dos seus esquemas financeiros. «Os juízes e os tribunais não entendem a alta finança. E a GS tem os melhores advogados» 

Marc Roche,  tanto dá uma no cravo e outra na ferradura. Daí eu colocar algumas reticencias acerca da mensagem que quer transmitir. 

Por um lado, Marc com as considerações que fez, induz e bem, que a saída de Borges do FMI, esteve oficiosamente relacionada  com o facto «de fazer parte do banco responsável pela «maquilhagem das contas gregas em 2002-2003».  

Esse banco é o GS, que teve uma relação directa com a crise 2008 e com a actual. Crises criminosas que lançaram e ainda lançam milhões de pessoas para o desemprego, outras tantas ficam sem casas… falência de milhares  de empresas, para não falar nas dívidas soberanas. Se isto não é crime, o que é então?

Mas continua Marc, «quanto a António Borges, tal como os outros que passaram pelo Goldman Sachs, “será muito bom a privatizar”. (Resta saber, para qual lado ele é bom! Mas iremos saber, quando o estrago estiver feito)

Por outro lado, Roche valoriza o GS e até o iliba: «O Goldman Sachs (GS) continua a ser dos bancos mais poderosos na finança e na política global, mas faz para o merecer.» «O Goldman Sachs “está por detrás da atual crise financeira”, mas porque os políticos são fracos e deixam»  (Verdade, mas por isso deixa de ser menos criminoso?)

Um dos “crimes” do GS

COMO O “GOLDMAN SACHS” AJUDOU A QUEBRAR A GRÉCIA

O Goldman Sachs arrecadou para os seus bolsos, cerca de 600 milhões de euros ao  “ajudar” a Grécia a mascarar as suas contas. Esta operação teve como fim, a entrada da Grécia na zona do euro.

O caricato da situação é que a Grécia colocou o seu “salvador”, Goldman Sachs, como  agente da sua própria derrocada.

Esta fraude foi exposta por dois dos seus protagonistas (Christoforos Sardelis e Spyros Papanicolaou), ao falarem pela primeira vez sobre as transacções encobertas mediante as quais Atenas escondeu o tamanho de sua dívida. 

Tratado de Maastricht da União Europeia, fixa como requisito para um nação se integrar no euro, que o seu valor máximo das dívidas, não exceda  60% do PIB e os déficits públicos não podeem superar os 3%. 

Em Junho de 2000, o Goldman Sachs põe em practica o seu plano para ocultar o enorme peso da dívida grega que era de 103% de seu PIB e desta forma garantir que a Grécia fosse qualificada para entrar no euro: transportou a dívida grega de uma moeda para outra.  Esta transacção consistiu em mudar a dívida que estava cotada em dólares e em yens para euros, com base numa taxa de câmbio falsa.

E assim, se reduziu o endividamento grego e a Grécia ingressou no Euro. O GS estabeleceu um contrato com a Grécia mediante o qual dissimulou o acerto sob a forma de um SWAP, (wap significa troca. Essa é justamente a principal diferença entre o mercado de swap e os outros derivativos. O contrato consiste, segundo o Folheto Série Introdutória: Mercados Derivativos, elaborado pela BM&FBovespa, em um “acordo entre duas partes para troca de risco de uma posição ativa (credora) ou passiva (devedora), em data futura, conforme critérios preestabelecidos.” Os swaps mais comuns são os de taxas de juro, câmbio e commodities. Os contratos são negociados em balcão e não são padronizados não havendo a possibilidade de transferência a outro participante nem antecipação do vencimento.)

Esse esquema fraudulento fez com que, na base nos chamados produtos derivados  implicados na operação, em apenas quatro anos a dívida que a Grécia contraiu com o “Goldman Sachs” passasse de 2,8 bilhões de euros para 5,1 bilhões.  A história de 2008 repetiu-se.

Impera a impunidade.  O Goldman Sachs obteve bons lucros nessa operação. No entanto, em sua defesa alega que não fez nada de ilegal, que tudo foi realizado respeitando as directrizes do “Eurostat”, o organismo europeu de estatísticas. 

Por outro lado, o “Eurostat”, alega que só tomou conhecimento dos níveis de endividamento grego em 2010. As primeiras denúncias da maquiagem datam de 2003 (ver  vídeo 2 mais abaixo)Em 2010, Jean Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu (BCE), negou-se a entregar os documentos requeridos para se conhecer a amplitude da verdade

No meio desta lamaçal de mentiras, temos o personagem central:  Mario Draghi, hoje presidente do Banco Central Europeu e grande partidário em acabar de vez com modelo social europeu. Draghi é um homem do “Goldman Sachs”. Foi seu vice-presidente  para a Europa entre 2002 e 2005, logo, como nunca foi cego, estava a par da fraude das finanças  públicas grega, estruturada pelo seu próprio banco .

Fontes:

Há dedo da Goldman Sachs nas nossas privatizações?

COMO O “GOLDMAN SACHS” AJUDOU A QUEBRAR A GRÉCIA

Artigos relacionados:

1)vídeo :  Goldman Sachs presente demais nas instituições e governos europeus

2) vídeo:   How Goldman Sachs Helped Mask Greece’s Debt

3) Vídeo : Esquerda: Conflito Interesses António Borges Goldman Sachs Trilateral Bilderberg Jerónimo Martins


##############

Penso ter conseguido dar a imagem real do GS e de quem circula neste lamaçal de corrupção, de total desprendimento pelos restantes seres humanos que povoam este planeta. Não deixam ser uns criminosos que com a nossa ajuda continuam impunes. 

António Borges não “ganha” o lugar de conselheiro de Estado para as privatizações, porque o governo vê qualidades nele, mas porque um dos tentáculos da Goldan Sach tinha que entrar no nosso país, e o petisco mais apetitoso são sem dúvidas as privatizações. E o governo fantoche que temos “satisfaz” com Borges essa necessidade.

E será que a GS aplicou este seu plano, em que meteu tanto dinheiro ao bolso, só à Grécia?

REPITO. OS ISLANDESES COLOCARAM-NOS ATRÁS DAS GRADES.

E NÓS? 

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5 comments on “Goldman Sachs de olho nas nossas privatizações

  1. maria celeste ramos
    3 de Junho de 2012

    É claro não é ?? só que ainda não se viu o fim do que pretendem de exaurir todos os “pigs” (excepto espanha que pelos vistos lhes interessa – talvez para comer portugal no que resta e vem o “princepezinho” dar bocas a Lisboa ?? e a fingir de “ibérico” – assim como em portugal o dinheiro foi drenado para os 5% dos ricos e a nós nos tiraram o nosso para eles, assim os países da UE deitarão abaixo os do sul com excepções – nem sei de que lado está itália – Tocam sinos a rebate – 1 milhão de súbditos a ver passar a rainha para festejar o seu jubileu com orquestra sinfónica a tocar à chuva e todos os barcos de todos os tempos encheram o Tamisa – boa ?? Portugal abateu desde 1974 toda a magnífica frora comercial e tinha navios lindíssimos da Companhia Nacional de Navegação – Portugal desperdiça sempre riqueza e história que hoje seria fonte de economias – pobre não é não ter dinheiro mas não perceber os valores que se vão deitando ao lixo – começou pela destuição da agriculltura – o que vale são as Festas dos Santos populares – se é que não há já feriados

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    • urantiapt
      3 de Junho de 2012

      É muito sério. Estão em questão as nossas empresas, o nosso conhecimento a ser vendido a estes criminosos.

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  2. voza0db
    3 de Junho de 2012
    • urantiapt
      3 de Junho de 2012

      Impressionante. Vou partilhar esta informação. Impressionante. Obrigado

      Gostar

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