A Arte da Omissao

drones assassinos da “Kill List “

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Tradução do artigo Assassin drones for the “Kill List”

de Manlio Dinucci

Links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

É de facto um ritual estranho que é executado diariamente pelo vencedor do prémio Nobel da Paz. Todos os dias no seu gabinete oval, Barack Obama marca a lista de pessoas a serem assassinadas: homens, mulheres, adolescentes, crianças, assim “revela” o New York Times. O cúmulo do cinismo! Num país onde o lobby militar-industrial é todo-poderoso e onde  a conciliação é interpretada como sinal de fraqueza, compensa às vezes  iniciar uma campanha eleitoral para se dar a conhecer que se é  “assassino”.

| Roma (Itália) | 27 de Junho de 2012

Os Estados Unidos têm que se defender de quem os ataca, diz Leon Panetta, Secretário de Defesa, rejeitando os protestos contra o aumento dos ataques americanos com  drones no Paquistão.

Segundo Panetta, os paquistaneses devem entender que os «predadores» também lá estão para o seu próprio bem: controlados remotamente a partir dos Estados Unidos a uma distância de mais de 10.000 quilómetros, eles sobrevoam para atacar com os seus perigosos mísseis Hellfire  os terroristas infiltrados dentro do Paquistão.

«Navi Pillay», Alto Comissariado da ONU para os direitos humanos, chegou a conclusões diferentes, depois de ter visitado o Paquistão:

Os ataques com drones, que ocorrem em média a cada quatro dias, “causam mortes indiscriminadas e ferimentos em  civis, que só por si  violam os direitos humanos.” 

Além disso, também se levantam sérias questões relativas ao direito internacional, uma vez que os ataques  são realizados “fora de qualquer mecanismo de controle, civil ou militar.” Pillay, pediu a abertura de uma investigação formal.

A acusação foi bruscamente rejeitada pelo presidente Obama, que afirmou que os ataques com drones – que também são realizados no Afeganistão, Iraque, Iêmen, Somália e outros países – “, não têm causado grande número de vítimas civis”  Eles estão de facto “sob um controle muito apertado.”

Ninguém pode duvidar disto. Conforme relatado pelo New York Times [1], é o próprio Presidente, que faz as  “nomeações secretas” dos alegados terroristas candidatos a serem mortos, na sua maioria através de ataques com drones.

A lista negra americana– que é composta por pessoas de todo o mundo, consideradas prejudiciais aos Estados Unidos e secretamente condenadas à morte sob a acusação de terrorismo – é actualizada semanalmente através “do mais estranho ritual burocrático“: mais de cem “funcionários da segurança nacional” reúnem-se através de uma teleconferência gerida pelo Pentágono, removem as placas dos que já morreram e adicionam navos, numa espécie de jogo macabro em que um funcionário se compara a uma figura de estrela do basebol. A lista é então enviada ao Presidente para aprovação. Especialmente nos casos onde “a família do alegado terrorista estará presente quando o ataque ocorrer”, a “avaliação moral final”  reside no Presidente. Uma vez dada a autorização, o operador – confortavelmente sentado na sua console de comando de UAV nos Estados Unidos – lança mísseis contra a casa no Paquistão, marcada como refúgio do alegado terrorista. Em qualquer caso, as crianças não serão vistas na explosão. (1)

Esta é a “guerra não convencional” travada pela administração Obama. Drones  cada  vez mais sofisticados são desenvolvidos para isso:  desde os drones  de propulsão nuclear capazes de voar durante meses à miniatura “drone Kamikaze” cujos narizes detonam quando ocorre o impacto.

Um negócio crescente para os fabricantes (General Atomics, Northrop Grumman entre outros): o Pentágono decidiu aumentar em 30% a sua frota actual de 7500 drones, gastando cerca de 32 biliões de dólares.

Pesa menos de dois quilos, o “drone ” é suficientemente pequeno para caber na mochila de um soldado. Foto: AFP/Arquivo

A Itália participará nas despesas com 4 biliões US$ para cinco UAVs (Unmanned Aerial Vehicle (Veículo Aéreo Não Tripulado – Ndt), fabricados nos Estados Unidos, implantados pela NATO em Sigonella (Sicília) e vai comprar os mísseis e as bombas de precisão para os seus próprio drones, também construídos nos EUA. Isso, sublinha o Pentágono, servirá para “proteger” não só a Itália, mas também os Estados Unidos.

Será italiana a próxima “lista para matar”?

 

[1] “Secret ‘Kill List’ Proves a Test of Obama’s Principles and Will“, by Jo Becker and Scott Shane, New York Times, 29 May 2012.

(1) Não ocorrem julgamentos, não se dá o direito à defesa. Até pode não estar em questão um terrorista, mas alguém de quem alguém não gosta, ou que está simplesmente a atrapalhar.

Artigos relacionados: Representantes da ONU pedem investigação à utilização de drones pelos EUA

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One comment on “drones assassinos da “Kill List “

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