A Arte da Omissao

Obama autoriza apoio secreto a rebeldes sírios

Combatentes rebeles sírios pousam para uma foto  em  Hama , 20 de Julho  2012.

Credit: Reuters/Shaam News Network/Handout

(Reuters) – O presidente Barack Obama assinou uma ordem secreta onde autorizou o apoio dos Estados Unidos aos rebeldes que procuram depor o presidente sírio Bashar al-Assad e seu governo, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

A ordem de Obama, aprovada no início deste ano e conhecida como ” finding”, autoriza que a CIA e outras agências dos EUA forneçam suporte que ajude os rebeldes a derrubar Assad.

Este e outros desenvolvimentos sinalizam uma mudança crescente de direcção, ainda que circunscrita, no apoio aos adversários armados de Assad –  mudança que se intensificou após a falha do mês passado do Conselho de Segurança da ONU, no acordo de aplicação de sanções mais duras contra o governo de Damasco.

A Casa Branca aparentemente parou por agora, com a ideia de fornecer aos rebeldes armas letais.

Mas autoridades americanas e europeias disseram que houve melhorias visíveis na coerência e eficácia dos grupos rebeldes sírios nas últimas semanas, o que representa uma mudança significativa nas avaliações dos oficiais ocidentais sobre  eles, quando anteriormente caracterizam os adversários de Assad como um povinho desorganizado, quase caótico.

Precisamente quando Obama assinou a autorização secreta, uma acção não anteriormente relatada, não pode ser determinada. Também não é clara a extensão do apoio clandestino fornecido pelas agências , como por exemplo a CIA.

O porta-voz do Casa Branca, Tommy Vietor não quis comentar.

‘CENTRO NERVOSO’

Uma fonte de governo americano reconheceu que, ao abrigo da disposição “finding”, os Estados Unidos estavam já a colaborar com um centro de comando secreto operado pela Turquia e seus aliados.

Na semana passada, a Reuters relatou que a Arábia Saudita, Qatar e  Turquia tinham estabelecido secretamente uma base perto da fronteira Síria, para fornecer ajuda militar directa  e apoio vital em comunicações, aos adversários de Assad.

Este “centro nervoso” é em Adana, cidade no sul da Turquia a cerca de 60 km da fronteira com a Síria, que também é lar da Incirlik, uma base aérea americana onde agências de inteligência e forças armadas dos EUA mantêm uma substancial presença. 

O governo islâmico moderado da Turquia tem vindo a exigir a saída de Assad com crescente veemência. Autoridades turcas são citadas por antigos e atuais funcionários de governo americano, por estarem cada vez mais envolvidas no fornecimento de treino e equipamentos aos rebeldes sírios.

Fontes de governos europeus disseram que famílias abastadas da Arábia Saudita e Qatar têm fornecido financiamento significativo para os rebeldes. Altos funcionários dos governos do Qatar e Arábia Saudita apelaram publicamente à partida de Assad.

Na terça-feira, a NBC News informou que o exército Sírio livre obteve cerca de duas dezenas de mísseis terra-ar, armas que poderiam ser usadas contra os aviões e helicópteros de Assad. As forças armadas de governo sírio têm usado a força aéreo mais extensivamente nos últimos dias.

Na quarta-feira, no entanto, Bassam al-Dada, conselheiro político do exército Sírio livre, negou o relatório da NBC, à rede de televisão de língua árabe Al-Arabiya, afirmando que o grupo “não obteve tais armas.”

Fontes do governo de EUA disseram que não podiam confirmar as entregas de MANPAD. Antigos e atuais funcionários dos Estados Unidos e da Europa já tinham dito anteriormente que o fornecimento de armas, organizado e financiado pelo Qatar e Arábia Saudita, era grande parte limitada a pistolas e um número limitado de armas antitanque, como bazucas.

Há indicações de que agências dos EUA não foram envolvidas no fornecimento de armas aos adversários de Assad. Para isso, Obama teria de aprovar um suplemento, conhecido como “protocolo de notificação”. Esse memorando teria também que ser assinado por Obama para autorizar outras operações específicas clandestinas no apoio aos rebeldes sírios.

APOIO EVIDENTE

À parte da ordem secreta do Presidente, a administração Obama declarou publicamente que está a fornecer algum apoio aos adversários de Assad.

O departamento de Estado disse na quarta-feira que o governo dos EUA reservou US $25 milhões para assistência “não letal” à oposição Síria. Um oficial de U.S. disse tratar-se principalmente de equipamentos de comunicação, incluindo rádios criptografados.

O departamento de estado também referiu que os Estados Unidos reservaram US $64 milhões para ajuda humanitária ao povo sírio, incluindo contribuições para o programa mundial de alimentos, ao comité Internacional da Cruz Vermelha e outras agências de ajuda.

Também na quarta-feira, o tesouro dos EUA confirmou ter concedido autorização para o Syrian Support Group, representante em Washington de uma das facções rebeldes mais activas, o exército Sírio livre, para realizar transacções financeiras em nome do grupo rebelde. A autorização foi relatada pela primeira vez na sexta-feira por Al-Monitor, um site de notícias e de comentários do Médio Oriente.

No ano passado, quando os rebeldes começaram a organizar-se para desafiar o líder líbio Muammar Gaddafi, Obama também assinou uma “finding” onde largamente  autorizou o apoio secreto dos U.S. a eles. Mas o presidente movimentou-se com cautela em autorizar outras medidas específicas para os apoiar.

Alguns parlamentares dos EUA, como os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, criticaram Obama por agir com demasiada lentidão na ajuda aos rebeldes e sugeriram que o governo dos EUA está directamente envolvido na armação dos adversários de Assad.

Outros legisladores sugeriram cautela, dizendo que muito pouco é conhecido sobre muitos dos grupos rebeldes.

Notícias recentes da região têm sugerido que a influência e o número de militantes islâmicos, alguns deles ligados a al Qaeda ou suas afiliadas, têm vindo a crescer entre os adversários de Assad.

Autoridades norte-americanas e europeias dizem que, até agora, as agências de inteligência não acreditam no papel dominante dos militantes da oposição Assad.

Enquanto os EUA e especialistas de governos aliados acreditam que os rebeldes sírios, têm ultimamente vindo a fazer alguns progressos contra as forças de Assad, a maioria acredita que o conflito está longe de resolução e pode continuar por anos.

Fonte: Obama authorizes secret support for Syrian rebels

Links e realces de frases com esta cor são da minha responsabilidade.

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3 comments on “Obama autoriza apoio secreto a rebeldes sírios

  1. Pingback: Quem está a lutar na Síria – 2ª Parte « A Arte da Omissao

  2. voza0db
    3 de Agosto de 2012

    Olá… 😆 😆 Então não sabiam?!?

    A CIA candidatou-se à vaga para “Centro Internacional de Ajuda” no âmbito das Nações Unidas…
    É um novo braço das Nações Unidas que assim consegue esticar o seu apoio humanitário e logístico mas de forma ainda mais discreta…. Pois é na sombra providenciada pela discrição, que se executam os melhores apoios humanitários e logísticos da ERA Moderna.

    Abr

    Gostar

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This entry was posted on 3 de Agosto de 2012 by in Síria and tagged , , , , , , , , .

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