A Arte da Omissao

O «Novo Médio Oriente»

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo “The Push to ignite a Turkish civil war through a Syrian quagmire

de Mahdi Darius Nazemroaza

Através da muito elogiada doutrina do ‘zero problemas com os vizinhos’, o governo turco criou a oportunidade real de ser amigo de todos. Agora fez-se inimigo de todos, até de si próprio, ao abraçar políticas que a colocam em rota de colisão com o desastre. Ao serem enganados na queima das suas pontes com a Síria – Mahdi Darius Nazemroaya explica como Ancara lançou as fundações para a desestabilização da república turca nas mãos das mesmas potências com que actualmente está em conluio.

| Ottawa (Canada)

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A «Turquia» em si é um dos principais alvos para a desestabilização, agitação e balcanização, com a sua participação no cerco liderado pelos EUA (a mando do seu patrão, Israel – Ndt) à Síria.

Ancara tem queimado as suas pontes na Síria por causa da sua política regional neo-otomana em queda. O governo turco tem activamente prosseguido com a mudança do regime ao espionar a Síria para a NATO e Israel, ao violar a soberania Síria, ao dar suporte a actos de terrorismo e  ilegais e por fim ao fornecer apoio  logístico à  insurgência no interior da Síria.

As fronteiras a sul da Turquia foram transformadas em centros de inteligência e de logística para a CIA, e o Mossad (serviço secreto do Estado de Israel – Ndt) complementa com outro “centro nervoso” de inteligência na cidade turca de Adana.[1]

[Apesar da Turquia desmentir, os relatos sobre Adana são inegáveis ​​e os oficiais turcos foram também “apreendidos” nas operações militares secretas contra a República Árabe da Síria.

O partido trabalhista Turco ainda exigiu que o cônsul americano em Adana fosse deportado por “Planear e liderar as actividades terroristas sírias. [2]

Mehmet Ali Ediboglu e Mevlut Dudu, dois deputados turcos testemunharam que combatentes estrangeiros  alugaram casas [3] na fronteira da Turquia com a Síria e que ambulâncias turcas têm ajudado a passar armas para os rebeldes que estão a lutar no interior da Síria.

Isolamento Regional Turco

Se o colapso do Estado sírio ocorrer a Turquia será o  maior perdedor. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan e o seu governo empurram estupidamente a Turquia para o abismo. Além das relações historicamente más de Ancara com a Arménia, Erdogan conseguiu alienar a Rússia e três dos mais importantes vizinhos da Turquia, danificou a economia turca e interrompeu o fluxo de mercadorias turcas. Ele e o ministro dos negócios estrangeiros Turco, Ahmet Davutoglu, acusaram de traição, os “repórteres que citaram as declarações do Presidente Assad em Cumhuriyet, ao questionaram o relato oficial turco acerca do jacto turco abatido pela  Síria no mês passado“.[5]

No flanco oriental da Turquia erguem-se as tensões com o Iraque e Irão. Bagdad revê os seus laços diplomáticos com o governo turco porque Ancara está a incentivar o Governo Regional do Curdistão, no norte do Iraque, a agir independentemente do governo federal do Iraque.

O governo Erdogan age desta forma em parte devido à firme oposição de Bagdad à mudança de regime na Síria e também devido ao fortalecimento da aliança do Iraque com o Irão. Teerão, por outro lado suspendeu a entrada sem visto a cidadãos turcos no Irão e advertiu o governo turco de estar a alimentar o incêndio regional na Síria que, eventualmente, poderá também atingir a Turquia.

Crescem as divisões internas na Turquia

Apesar de todos os discursos patrióticos levados a cabo pelo governo turco para mobilizar o povo contra a Síria, a Turquia encontra-se muito dividida acerca das hostilidades de Erdogan com Damasco.

Uma parte significativa da Grande Assembleia Nacional da Turquia e dos partidos da oposição condenam Erdogan por enganar o povo turco e por agitar o país para o desastre. Cresce o ressentimento entre os cidadãos turcos sobre a cooperação de Erdogan com os EUA, NATO (outro ninho que fomenta actos de terrorismo -ndt), Israel (ninho mãe -ndt) e as ditaduras árabes – como Catar e Arábia Saudita – contra os sírios e outros.

A maioria dos cidadãos turcos é contra os laços com Israel, a hospedagem das instalações da NATO na Turquia, o projecto do escudo de mísseis e a cooperação com os Estados Unidos no Oriente Médio.

O partido republicano do povo, o segundo maior partido político da Turquia e principal opositor ao governo, condenou Ancara acerca da Síria. Seu líder, Kemal Kılıçdaroğlu acusou abertamente Erdogan de interferir nos assuntos internos da Síria. [6]

De acordo com a imprensa turca, Devlet Bahceli, líder do partido do movimento nacionalista (o terceiro maior partido político turco), advertiu o governo para não arrastar o  país para uma guerra com a Síria. [7]

“Alguns países ocidentais pressionaram a Turquia para uma intervenção na Síria. A Turquia não deve cair nessa armadilha“.

O partido da paz e democracia, o quarto maior partido político turco, também esclareceu que é contra a guerra com a Síria. Selahattin Demirtas, um dos seus líderes advertiu que qualquer intervenção militar de Ancara na Síria, arrastará a Turquia para uma guerra regional mais ampla.

Hasan Basri Ozbey, líder do partido trabalhista turco, anunciou que o seu partido vai apresentar uma queixa contra  Abdullah Gul, ao «Turkish Meclis»  e ao Tribunal Superior Turco, pela:

“clara evidência de que Gul incitou o terrorismo e a guerra contra a Síria além de ter assinado um acordo secreto com os Estados Unidos, acordo este que por si só justifica o julgamento. “[10]

Mustafa Leila, líder do partido Felicity enviou uma delegação turca a Bashar Al-Assad para mostrar o seu apoio à Síria e oposição às políticas do Erdogan. [11]

A mobilização militar turca na fronteira com a Síria como demonstração de força,é uma táctica psicológica para assustar o regime sírio. [12]

Quaisquer operações militares em grande escala contra os sírios serão muito perigosas para a Turquia e poderão fragmentar as forças armadas turcas. Segmentos do exército turco estão em desacordo com o governo turco e a força militar propriamente dita está dividida acerca da política externa.

Erdogan não confia nem em metade dos líderes militares da Turquia e prendeu  quarenta deles por planearem o seu derrube. [13] Como pode ele enviar uma força para atacar a vizinha Síria ou pensará que pode manter o controlo numa  guerra mais ampla?

Os perigos da reacção Síria

Enquanto a Turquia apregoa que não permitirá que milícias curdas estabeleçam bases no norte da Síria o governo turco, por si só,  está na verdade a facilitar tais acções. Existe o risco real  do  “efeito ricochete”  da Síria para a Turquia. Tal como a Síria a Turquia é um caleidoscópio de diferentes povos e religiões. O povo da Turquia é mantido junto pela primazia da língua turca e pela cidadania compartilhada. Uma parte significativa das comunidades das  minorias turcas tem laços com a Síria, Iraque e Irão.

Os curdos e outros povos iranianos juntos formam cerca de 25% da população da Turquia,o que significa que um em cada quatro cidadãos turcos  é curdo ou filho de um persa com um iraniano. Outras minorias étnicas incluem os árabes, arménios, assírios, búlgaros e gregos. Não há números exactos disponíveis sobre os muçulmanos Xiitas na Turquia devido à sua perseguição histórica e às restrições impostas desde os tempos  Ottoman.  No entanto,  20% a 30% ou mais da população turca pode ser categorizada como muçulmanos xiitas, que incluem os «Alevitas», «Alauitas» e «Xiismo duodecimanos».

A Turquia também tem uma pequena minoria cristã,  com laços históricos ou  organizacionais com a Síria, como os Alevitas turcos e os de etnia árabe. A Turquia será consumida de uma forma ou outra, se um amplo conflito sectário se espalhar a partir da Síria e o seu povo for violentamente dividido ao longo das linhas  sectárias.

A natureza auto-destrutiva da participação turca na Síria

Todos os factores discutidos acima são a receita para o desastre. A guerra civil na Turquia é  uma possibilidade real. Se a Síria se queimar a Turquia acaba por se queimar também.  É por isso que  todo um espectro de líderes turcos alertam o seu país e as pessoas das consequências do incêndio que Erdogan, Davutoglu e Gul ateiam na Síria e das consequências desastrosas para a Turquia e todos os países que fazem fronteira com a Síria.

O governo do Erdogan conseguiu alienar a Turquia dos seus vizinhos mais importantes, prejudicar a economia turca e desestabilizar as fronteiras do país. Isto, no entanto, é apenas a ponta do iceberg  em comparação com os  danos que podem ser desencadeados.

Os turcos estão a andar em cima de uma armadilha, destinados a  uma operação kamikaze auto-destrutiva contra a Síria. O cerco liderado pelos EUA à Síria pretende criar o caos em todo o Oriente e inflamar os múltiplos conflitos regionais. A violência e os conflitos da Síria destinam-se a consumir o Líbano e também o Iraque. A Turquia está destinada a  enfraquecer e a ser dividida – tal como os EUA, NATO e Israel previram no seu projecto de criação de um “Novo Médio  Oriente.”[14]

[1] Marak Hosenball, “Exclusive: Obama authorizes secret U.S. support for Syrian rebels“, Reuters, August 1, 2012.  Artigo traduzido em Obama autoriza apoio secreto a rebeldes sírios

[2] Ilya Kharlamovy, “Are outside forces to blame for the humanitarian catastrophe in Syria?“, Voice of Russia, August 2, 2012.

[3] Thomas Seibert, “A rebel fighter falls in Aleppo – but this one was from Istanbul“, The National, August 10, 2012.

[5] Hüsnü Mahalli, “Erdogan Makes War on the Turkish Media“, Al-Akhbar, July 19, 2012.

[6] “Kılıçdaroğlu accuses gov’t of interfering in Syria’s internal affairs“, Today’s Zaman, August 8, 2012

[7] “Opposition calls on gov’t to use diplomatic channels over Syria“, Hurriyet Daily News, June 26, 2012.

[10] “‘Turkish President Encourages Terrorism in Syria’“, Tehran Times, July 21, 2012.

[11] “President al-Assad: No one could affect Historic Relations between the Syrian and Turkish Peoples“, DP-News, July 1, 2012.

[12] “Turkish Army Holds Drills on Syria Border“, RiaNovosti, August 2, 2012.

[13] “Turkish military council retires arrested generals“, Hurriyet Daily News, August 4, 2012.

[14] Mahdi Darius Nazemroaya, “Plans for Redrawing the Middle East: The Project for a ’New Middle East’“, GlobalResearch.ca, November 18, 2006.

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This entry was posted on 18 de Agosto de 2012 by in Síria, Turquia and tagged , , , , , .

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