A Arte da Omissao

Austeridade

É já do conhecimento público que as políticas de austeridade levadas a cabo pela União Europeia, BCE e FMI, aplicadas na Europa não têm eficácia económica. A consequente retracção do consumo impele as empresas à redução da produção, salários e funcionários, o Estado por outro lado vê as receitas fiscais a caírem, mas os seus gastos explodem. A Europa está em recessão. 

O papão da problemática dívida pública assombra as nações Europeias, embora em níveis diferentes.

Na grande sala de aulas da Europa, encontramos:

Os alunos do quadro de honra; Bulgária, Roménia, República Tcheca, Polónia, Eslováquia.

Os bons alunos: países bálticos e escandinavos que têm um endividamento inferior a 60% do PIB

Os alunos médios; países cujo endividamento varia entre os 60% e 100% do PIB. França por exemplo.

Os maus alunos, com endividamentos superiores a 100% do PIB: Irlanda, Portugal, Itália e Grécia.

Como os Bancos enriquecem

Nos dias de hoje, os bancos comerciais têm o poder de criar moeda através do crédito e enriquecem à custa dos contribuintes. Antigamente este poder estava nas mãos dos Estados. Com o famoso sistema das reservas fraccionárias, os bancos privados podem por cada Euro que tenham, emprestar até seis. Tudo isto graça à revolucionária possibilidade de criação de moeda através do crédito (empréstimos).  Também podem recorrer aos Bancos Centrais, e contractar os fundos necessários, quase sempre à taxa de 0%, com o fim de o emprestarem aos Estados com taxas que podem variar os 3% a 18%. (a última aplicada por exemplo na Grécia). Na Zona Euro, 90% da massa monetária em circulação, corresponde à criação de moeda através de crédito.

A França em 1973 não tinha problemas de dívidas. O Banco de França financiava directamente o Tesouro francês, para a construção das estruturas principais (escolas, infra-estruturas, hospitais), a juros baixos. Mas, nesse mesmo ano, o presidente Georges Pompidou, que por “mera coincidência” tinha sido director geral do Banco Rothschild, aplica a lei n°73/7 sobre o Banco da França, conhecida como a “Lei Rothschild”. Os mentores desta lei, Olivier Wormser, presidente do Banco da França e Valéry Giscard d’Estaing, na altura ministro da Economia e Finanças, estipularam que o Estado Francês deixaria de poder financiar o Tesouro, através de empréstimos sem juros obtidos no Banco da França, sendo obrigado a recorrer aos célebres mercados financeiros e a pagar juros às respectivas instituições financeiras privadas.

Hoje,  a dívida da França é superior a 1,7 trilião de euros. Entre 1980 e 2010, o contribuinte francês pagou mais de 1,4 triliões de euros aos bancos privados, relativos a juros da dívida. A “Lei Rothschild” depositou nos mais ricos da França, a possibilidade de enriquecerem às custas do contribuinte sem contrapartidas e sem grande esforço. O novo sistema de crédito, estabelecido desde 1973 em França e que foi sancionado nos tratados de Maastricht e de Lisboa,  teve como único objectivo o enriquecimento dos bancos privados.

Mas este vírus não infectou só a França. Contagiou todo o mundo. O debate sobre as reais origens das dividas soberanas não se inicia. A solução passa por retirar a exclusividade da criação monetária da mão destes ladrões e devolvê-la ao Estado.

Espero que, com esta abordagem simples, se entenda um pouco melhor a novela das dívidas soberanas Europeias e a “luta” dos governos pela “confiança” dos mercados financeiros.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

Faça perguntas aos membros do Parlamento Europeu sobre o acordo de comércio livre, planeado entre a UE e o Canadá (CETA). Vamos remover o secretismo em relação ao CETA e trazer a discussão para a esfera pública!

%d bloggers like this: