A Arte da Omissao

A CIA, 9/11, Afeganistão e a Ásia Central – 1ª Parte

Tradução do artigo The CIA, 9/11, Afghanistan, and Central Asia 

Para marcar o lançamento da versão francesa do último livro de Peter Dale Scott (A), “The US War Machine”, publicamos um estudo detalhado realizado por este diplomata canadense sobre os ataques de 11 de Setembro. Ele traz à luz evidências de premeditação, por parte de uma facção interna do complexo militar industrial dos U.S.

VOLTAIRE NETWORK | 24 de Setembro de 2012 

“Engendrar uma série de provocações para justificar a intervenção militar é viável e poderia ser feita com os recursos disponíveis.” Relatório de Maio de 1963 ao Joint Chiefs of Staff [1]

[1Joint Chiefs oarf Staff, “Courses of Action Related to Cuba (Case II),” Report of the J-5 to the Joint Chiefs of Staff, May 1, 1963, NARA #202-10002-10018, 21,; discussion in Scott, American War Machine, 193, 196.

A 11 de Setembro de 2001, horas depois dos ataques assassinos, Bush, Rumsfeld e Cheney empenhavam-se no que mais tarde chamaram da “Guerra ao Terror”. Creio eu, que deveria ter sido chamada de “guerra do terror”, na qual o terror foi dirigido repetidamente contra civis por todos os participantes, actores estatais e não-estatais. A guerra do terror é aquela, em que o papel principal é interpretado por armas de destruição indiscriminada, sejam IED (artefactos explosivos improvisados) plantados à beira da estrada ou bombas entregues via aérea por um drone de alta tecnologia. [2]

[2] A guerra do terror evoluiu dos ataques aéreos sobre civis na Segunda Guerra Mundial, começando com a Guernica e terminando com os bombardeamentos em massa contra as cidades alemãs e japonesas. Mas a guerra aérea foi apenas uma fase de uma maior guerra convencional entre  forças armadas.

A guerra do Bush também deveria ter sido vista como parte de um grande processo global, no qual  o terror foi usado contra civis, nas campanhas interligadas por todas as grandes potências, incluindo a China em Xinjiang e a Rússia na Chechénia, assim como nos Estados Unidos. [3]

[3] Mas talvez nenhum acto de terror cometido na última década, seja por Kadafi na Líbia ou por Assad na Síria, tenha ultrapassado ou mesmo chegado perto da devastação americana da cidade iraquiana de Fallujah.

A guerra do terror, no seu contexto global,  talvez deva ser vista como o último estágio da disseminação secular  da civilização urbana em áreas de maior resistência rural – áreas onde as formas convencionais de guerra, sejam por razões geográficas ou culturais, provem ser inconclusivas. A guerra do terror foi formalmente declarada por George W., Bush na noite de 11 de Setembro de 2001, quando declarou à nação americana que  “não fará distinção entre os terroristas que cometeram estes actos e os que os arquitectaram.”[4

[4“Statement by the President in His Address to the Nation,” September 11, 2001,

Mas a noção de que a guerra do terror de Bush assentava  na procura  de reais terroristas, perdeu  credibilidade em 2003, quando ela foi aplicada ao Iraque de Saddam Hussein, um país conhecido por ter sido alvo de terroristas, mas não de os abrigar. [5]

[5] Sobre este ponto consultar a Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas nos Estados Unidos, The 9/11 Commission Report (New York: WW Norton, 2004), 66: “Até agora não vimos evidências de que o Iraque … Cooperou com a Al-Qaeda no desenvolvimento ou a realização de quaisquer ataques contra os Estados Unidos. “

Perdeu a credibilidade ainda mais com a publicação em 2005 na Grã-Bretanha, do chamado memorando de Downing Street, na qual o chefe do serviço de inteligência MI6, reportou que em 2002, após uma visita a Washington,  “Bush queria remover Saddam Hussein, através de uma acção militar, justificando-se com a conjugação de terrorismo e armas de destruição maciça. Mas tanto a inteligência como os factos assentavam em torno da política.”[6]

[6] Sunday Times (Londres), 01 de Maio de 2005; Mark Danner, The Secret Way to War : memorando do Downing Street e a história enterrada a Guerra do Iraque (New York: New York Review Books, 2006).

Este ensaio vai demonstrar que antes do  9/11, um pequeno elemento de dentro da unidade Bin Laden da CIA e agências relacionadas, o chamado Alec Station Group, estava ocupado a “consertar” a inteligência com a supressão, de tal forma que, acidentalmente ou deliberadamente, permitiu a guerra do terror. Fizeram-no, ao não passarem ao FBI, evidências  anteriores ao  9/11 sobre dois dos alegados sequestradores, Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi, garantindo assim que o FBI não vigiassem os dois homens ou os seus colegas.

Esta falta na partilha de informação, foi reconhecida no Relatório da Comissão 9/11, mas tratada como um acidente que eventualmente não ocorreria, “se mais recursos fossem aplicados”. [7] 

[7]  9/11 Commission Report, 266-72 (272).

No entanto, esta explicação já foi refutada pelo presidente da Comissão 11/9, Tom Kean. Questionado recentemente por dois cineastas,  se esta  incapacidade de lidar de forma adequada com  Al-Mihdhar e al-Hazmi, poderia ter sido um simples erro, Kean respondeu: “Oh, não foi um descuido descuidado. Foi de propósito. Não há dúvida sobre isso …. A conclusão a que chegámos foi a que no ADN dessas organizações era segredo. E o secretismo foi de tal forma, que não foi compartilhado com ninguém”. [8] 

[8] Rory O’Connor e Ray Nowosielski, ” Who Is Rich Blee?” – 911Truth.org, 21 de Setembro 2011; Rory O’Connor e Ray Nowosielski, “Insiders voice doubts about CIA’s 9/11 story,” Salon, 14 de Outubro 2011O’Connor e Nowosielski  tiveram a confirmação vinda de  Richard Clarke. “ Este assumiu  ‘ter sido uma directriz vinda de um nível alto da CIA,  no sentido de não partilharem essa informação.’. Questionado ainda  sobre quem poderia ter emitido tal ordem, respondeu: ” Eu acho que teria sido feita pelo director “, referindo-se a Tenet –  embora, acrescentou  Richard,  que nem Tenet nem os outros  irão  admitir hoje essa verdade, “nem que os afoguemos ‘.

Em 2011, um livro importante de Kevin Fenton, Disconnecting the Dots, demonstra conclusivamente que a retenção da informação foi propositada  e sustentada por um período de 18 meses. [9]

[9] Kevin Fenton, Disconnecting the Dots (Walterville, OR: TrineDay, 2011).

Esta interferência e manipulação tornou-se particularmente evidente e controversa nos dias antes do 9/11; levou um agente do FBI, Steve Bongardt, a prever com precisão a 29 de Agosto, menos de duas semanas antes de 9/11, que “algum dia, alguém vai morrer.” [10]

[10]  9/11 Commission Report, 259, 271; Lawrence Wright, The Looming Tower: Al-Qaeda and the Road to 9/11 (New York: Knopf, 2006), 352–54; Peter Dale Scott, American War Machine (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2010), 203.

Como será visto, os motivos para essa retenção permaneceu inescrutável. Ao mesmo tempo, eu estava satisfeito com as especulações de Lawrence Wright, nas quais a CIA pode ter querido recrutar os dois sauditas, e que  “a CIA também pode ter protegido uma operação no exterior [possivelmente em conjunto com a Arábia Saudita] e estava com medo de que a mesma fosse exposta pelo FBI”. [11]

[11]Lawrence Wright, “The Agent,” New Yorker, July 10 and 17, 2006, 68; cf. Wright, Looming Tower, 339-44; discussion in Peter Dale Scott, The War Conspiracy: JFK, 9/11, and the Deep Politics of War (Ipswich MA: Mary Ferrell Foundation Press, 2008), 355, 388-89.

O objectivo deste ensaio é sugerir que os motivos para a retenção dessa informação, pode ter tido a ver com um objectivo bem maior a ser imposto, na altura, sobre a política externa norte-americana: a consolidação da hegemonia global americana, com o estabelecimento de bases norte-americanas ao redor dos campos de petróleo da Ásia Central. Em suma, a retenção das evidências, deve ser vista como parte de do padrão mais sinistro na altura, incluindo o mau desempenho do governo dos EUA (USG), na resposta aos ataques de 9/11, e as cartas de antraz assassinas que ajudaram a garantir a passagem da Lei Patriota.

Estou agora convencido por Fenton, que a explicação de Lawrence Wright, sobre  a CIA estar a proteger uma operação secreta, pode explicar o início da retenção de informações, em Janeiro de 2000, mas não pode explicar a sua renovação nos dias antes de 9/11. Fenton analisa uma lista de 35 diferentes ocasiões em que os dois alegados terroristas estiveram protegidos desta forma, desde Janeiro de 2000 até  05 de Setembro de 2001, menos de uma semana antes dos sequestros. [12]

[12] Fenton, Disconnecting the Dots, 383-86.

Veremos que, na sua análise, os incidentes se dividem em dois grupos. O motivo que ele atribui aos anteriores, era o de “encobrir uma operação da CIA que já estava em andamento”. [13]

[13] Fenton, Disconnecting the Dots, 48. Cf. Lawrence Wright, “The Agent,” New Yorker, July 10 and 17, 2006, 68; quoted approvingly in Peter Dale Scott, American War Machine, 399.

No entanto, após “o sistema estar a piscar em vermelho” no verão de 2001 e a CIA esperar um ataque iminente, Fenton só pode ver a explicação do que “o propósito de reter a informação foi para permitir que os ataques seguissem em frente.” [14]

[14] Fenton, Disconnecting the Dots, 371, cf. 95.

A segunda frase de Fenton indicia que o crime homicida foi cometido por membros do grupo Alec Station, mesmo que o crime tenha sido intencional e não um assassinato deliberado e premeditado. Pode-se imaginar razões benignas para reter a informação: por exemplo, a CIA poderia tolerar o comportamento dos dois sauditas, com o fim de rastrear os seus associados. Neste caso, estaríamos a lidar com  um erro de cálculo – ainda que um erro de cálculo homicida.

(A) Ex diplomata Canadiano  e Professor de inglês na Universidade , Berkeley da Califórnia, Peter Dale Scott é o autor de  Drugs Oil and War, The Road to 9/11, The War Conspiracy: JFK, 9/11, and the Deep Politics of War

 

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Notas : Links desta cor, são da minha responsabilidade.

A CIA, 9/11, Afeganistão e Ásia Central – 2 ª Parte

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4 comments on “A CIA, 9/11, Afeganistão e a Ásia Central – 1ª Parte

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This entry was posted on 14 de Outubro de 2012 by in 11 de Setembro and tagged , , , , , , , , .

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