A Arte da Omissao

ACORDEM

União Europeia – parceira indispensável

Tradução do discurso do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, na Universidade de  Princeton a 27 de Setembro de 2012

Senhoras e Senhores,

Deixem-me primeiro agradecer a Cecilia Dean Rouse e ao professor Woflgang Danspeckgruber pela calorosa recepção. Estou realmente feliz por estar em Princeton, extraordinária universidade e num país onde os laços de parentesco com a Europa são igualmente antigos e fortes.

Estar aqui, faz avivar as  memórias dos meus anos académicos nos Estados Unidos e também dos meus tempos de estudante, em Genebra, onde conheci Wolfgang e onde fiquei fascinado com a política europeia.

Tendo vivido sob uma ditadura em Portugal, vivenciei  a esperança que a aspiração Europeia ofereceu ao meu país e como ela ajudou a ancorar a democracia. Naqueles dias, as estantes das livrarias europeias e americanas estavam preenchidas com volumes dedicados aos méritos da integração europeia. As mesmas são agora preenchidas com volumes que argumentam que a Europa está em declínio, eclipsada pelas economias emergentes, as quais – argumenta-se – são o futuro.

A verdade é que, e fraseando Mark Twain, as referencias sobre a chamada marginalização europeia ou mesmo a sua desintegração, são muito exageradas.

Reconheço que para os nossos amigos no exterior, a Europa pode não ser sempre fácil de entender, o seu processo de tomadas de decisões,  a capacidade dos europeus em tomarem decisões muito importantes. Mas a boa notícia é que, no meio da mais profunda crise da sua curta história, a União Europeia ainda está viva e melhor do que muitos possam pensar.

Os líderes europeus, com o apoio dos cidadãos europeus, continuam a tomar decisões importantes, provando que os anunciantes da desgraça estão errados. Não é verdade quando se diz que não há alternativa. É claro que existem alternativas.

Os eleitores holandeses que foram recentemente às urnas, ofereceram outras alternativas. Sua resposta foi a de que experiencias políticas envolvendo partidos extremistas não poderiam ajudar o país a sair da crise actual.

Na verdade, a realidade é que a integração europeia continua a ser a melhor alternativa. Não é a única alternativa. É, repito, a melhor alternativa. Precisamos de mais Europa.

Primeiro, ninguém, na Europa e além, gostaria de reviver antigas divisões. O seu país pagou um preço alto ao ajudar a Europa a superar essas divisões. 

E quem pode seriamente pensar que, qualquer país europeu seja capaz por si só de  orientar o curso dos acontecimentos e ser capaz de preservar o seu estilo de vida?

A União Europeia surgiu num continente física e moralmente devastado por duas guerras mundiais e pela barbárie dos campos de concentração. Em reacção a estes eventos traumáticos, a paz, a promoção da democracia, da dignidade humana e da partilha da prosperidade, a tolerância e justiça, residem no centro da integração europeia. (estamos a falar de quê?!!!)

Estes valores estão consagrados no Tratado de Lisboa assim como estão consagrados na Carta de Direitos. E é graças à integração europeia, projecto de transformação sem precedentes, que os europeus foram capazes de os consolidar ao longo dos últimos 60 anos.

Por quê? A resposta é: o consentimento do Estado de direito. Os Estados Membros livremente concordaram em partilhar uma comunidade baseada na lei. Nenhum país foi forçado a entrar ou permanecer contra a vontade colectiva dos seus cidadãos. E a própria noção de integração europeia baseia-se no conceito da subordinação do poder à lei. O poder  deve ser organizado de tal forma que possa salvaguardar lei. 

É uma união construída sobre os princípios de igualdade entre os Estados-Membros, o Estado de direito, a solidariedade, coesão e cooperação. A União sustentada por uma cultura de compromisso. (que falácia, tem-se notado esse compromisso, na defesa de alguns Estados Membros, nesta “crise” da divida soberana

Ela atesta a busca por um direito cosmopolita, em que o cumprimento das normas serve o que pode ser considerado de valores universais.

E é, em muitos aspectos um laboratório para a globalização, tanto no sentido de subordinar o  poder político ao Estado de direito, bem como campo de testes para uma cooperação transfronteiriça  supranacional com sucesso. (supranacional assusta!!!Não faz lembrar algo?)

É o único processo político que combina a integração económica com instituições supranacionais. E o sucesso deste processo está a ser medido em termos de paz, estabilidade e prosperidade.

Senhoras e Senhores,

A realidade é que temos tido paz e estabilidade para mais de 60 anos e não somos só uma das regiões mais prósperas do mundo, mas com um dos níveis mais alto de justiça social. (esqueceu de mencionar o actual interregno!!!)

Mesmo em tempos difíceis, a União Europeia continua a ser o maior mercado único do mundo em valor, com mais de meio bilhão de pessoas e 23 milhões de pequenas e médias empresas. (há que subtrair as pequenas e médias empresas que já encerraram e vão encerrar, durante o período da “Crise das dívidas soberanas”). E estamos totalmente empenhados em lançar o seu potencial na geração do crescimento e empregos. (com elas a fecharem??)

As sociedades europeias continuam entre as sociedades mais decentes da história humana, com altos níveis de coesão social. E estamos totalmente comprometidos em preservar o nosso modelo social europeu e em  assegurar  a justiça e equidade, enquanto  implementamos reformas estruturais  que exigem um maior esforço no ajuste. (como mente!!)

Na verdade, são precisamente os países europeus, que têm os sistemas mais eficazes de protecção social e parcerias sociais mais desenvolvidas, e que estão entre as economias mais bem sucedidas e competitivas do mundo. 

As instituições europeias continuam a ser os melhores garantes que os princípios e regras acordadas por todos os Estados soberanos, sejam mantidos.(como mente!!)

E a Comissão, independente de qualquer partido político ou interesse nacional, está totalmente empenhada em exercer as suas  obrigações como guardiã dos Tratados.

A dita integração europeia é um processo dinâmico. O progresso foi sempre feito  passo-a-passo, mas o tamanho dos passos tem sido sempre diferentes.O Tratado de Roma foi um grande passo. O Tratado de Maastricht foi outro. Nesse meio tempo, aconteceram outros passos menores.

Agora estamos novamente num daqueles momentos em que precisamos de dar um grande salto para a frente – (e que grande salto vai ser necessário, para compensar o colossal salto de retrocesso, já está em marcha em alguns estados membros). A crise levou a União Europeia a avançar mais rapidamente com reformas, inevitáveis no entanto, porque não podemos ter um crescimento sustentável, enquanto tivermos uma dívida insustentável. (fomentada por quem e com que fim?)

Mas as medidas económicas que estamos a implementar como uma questão de urgência – que combinam consolidação orçamental com medidas de crescimento, impulsionando reformas estruturais e investimentos focados principalmente na educação, investigação e inovação – não são suficientes.

Precisamos corrigir as falhas na arquitectura do Euro e avançar para uma verdadeira união económica e monetária composta de uma união bancária união, fiscal e política. Precisamos de uma visão ambiciosa, tempo e um sequenciamento inteligente  para a transformar  em realidade.

A Comissão já fez um primeiro passo fundamental para a união bancária com as suas propostas legislativas para um mecanismo europeu único de supervisão. (já espectável. O conceito de Soberania de um Estado é um bem a abater)

Quanto ao horizonte político, recentemente apelei, no meu discurso sobre o “Estado da União” no Parlamento Europeu, para uma federação democrática dos Estados como a melhor forma de conciliar as identidades e  autonomias dos nossos Estados-Membros com a capacidade efectiva de agir e moldar o curso dos acontecimentos. Obviamente, o apoio dos cidadãos europeus é a chave. Precisamos ter um debate sério e aberto entre os cidadãos da Europa sobre o caminho a seguir. Como disse Abraham Lincoln “com o sentimento público nada pode falhar, sem ele nada pode ter sucesso.” – (também já espectável. Aguardemos pelo anunciado debate )

Mas podem ter a certeza de que há agora uma forte vontade política na Europa, para fazer o que for preciso, para sairmos desta crise mais fortes e mais unidos do que nunca. (a fase final da implantação da nova ordem mundial, é autorizar que a solução venha de quem criou o problema. Mas para que essa “autorização” ocorra sem parecer uma imposição, os povos têm que ter fome, não terem emprego, não terem acesso à educação e não terem esperança).

Tudo isto significa que, além do que eu às vezes chamo de glamour intelectual do pessimismo, relacionado com o discurso sobre a marginalização e mesmo o declínio da Europa, tais fatos concretos mostram claramente que a União Europeia está longe de ser marginalizada. Ainda é muito procurada pelos seus próprios cidadãos e pelo  resto do mundo. (Será??)

E é importante não só para nós mas também para o resto do mundo que tenhamos sucesso.

A União Europeia continua a ser, mais do que nunca um parceiro indispensável para a economia mundial, para a sua estabilidade e prosperidade.

Olhemos para as nossas duas economias. A União Europeia e os Estados Unidos ainda são as economias mais integradas do mundo e que permanecem no centro da economia mundial. (Pudera não! Dívidas astronómicas são um factor comum)

A relação das contas transatlânticas é responsável por metade da produção económica mundial, por quase um trilião de dólares em comércio de bens e serviços, e suporta milhões de empregos em ambos os lados do Atlântico. (sim foi assim. Não vai ser mais)

O investimentos total dos EUA na União Europeia é três vezes maior do que em toda a Ásia, enquanto o investimento europeu nos Estados Unidos é  oito vezes maior do que o nosso investimento na Índia e China juntos. 

Sabiam que as empresas americanas estão a investir mais na Bélgica do que na China ou Índia? Que os investimentos norte-americanos no Brasil, China e Índia em conjunto, são menos de metade dos investimentos só na Holanda? Ainda assim, ainda há muito para ser feito para aprofundar e ampliar os nossos laços. 

Os Estados Unidos e a Europa estão agora a trabalhar numa iniciativa ousada na expansão do comércio e investimentos, que pode dar uma contribuição significativa para a nossa estratégia de reforçar o crescimento e criar empregos. 

Isto significa que a interdependência global é uma realidade, que não pode ser contestada. Precisamos trabalhar em conjunto para resolver os desequilíbrios profundos que foram construídos no cenário mundial, na última década e que também contribuíram para a crise actual. (Mas quem acredita em tal consciência!)

A economia mundial não pode continuar como nos últimos anos, com alguns países a acumular enormes reservas estrangeiras com base no superavit comercial, enquanto outros continuam a alimentar o consumo excessivo e a dívida privada e pública. (vai dar um tiro no pé?)

Restaurar o crescimento na Europa é tão importante para o mundo, como as acções dos Estados Unidos em evitar o penhasco fiscal ou o reequilíbrio do modelo de crescimento de algumas economias emergentes.

Estamos todos juntos nisto e só juntos seremos capazes de superar esta crise, que é global.

Senhoras e Senhores,

Neste ambiente de rápida mutação mundial altamente imprevisível, a União Europeia é também um parceiro indispensável para dar forma a este mundo,  um lugar de  direitos justo, mais seguro, onde os direitos humanos  permaneçam. 

Vamos ser claros: os americanos não são de Marte e nós, europeus, não somos de Vénus. Estamos todos no mesmo planeta. Sim, a realidade é que partilhamos o mesmo planeta e a responsabilidade comum de  juntos enfrentarmos os desafios que são globais, desde a luta contra a mudança climática e  o nosso trabalho para a segurança energética,  à luta contra a pobreza e  fome, desde a África e o Afeganistão até ao Oriente Médio e América do Sul. (ele está em campanha não?)

A União Europeia está muito envolvida nessas frentes. O mundo precisa de uma União Europeia que procure soluções cooperativas para os problemas, enfrentando os bens comuns globais, como  estamos a fazer relativamente à  mudança climática.

O mundo precisa de uma União Europeia, que, apesar da crise económica, continue a ser o maior fornecedor de ajuda, com 54% da ajuda mundial ao desenvolvimento (ODA). O mundo precisa de uma União Europeia que coloque os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (MDG).de reduzir a pobreza até 2015, no topo das suas prioridades. (até tenho náuseas!)

O mundo precisa de uma União Europeia que, num período relativamente curto, demonstre  ter a capacidade de promover a estabilidade e segurança em três continentes – Europa, África e Ásia – criando uma ampla gama de instrumentos de gestão, desde  crises militares, policiais e diplomática  à ajuda e ao comércio. (Uau, estamos a falar da  União Europeia que conhecemos?

O mundo precisa de uma União Europeia que esteja pronta para complementar a eficácia da sua política externa com a capacidade de defesa credível.

E entre os parceiros da União Europeia, os Estados Unidos têm, obviamente, um lugar de escolha. Eu acredito que os americanos também vêem  a União Europeia como um parceiro indispensável. Na verdade, quando vi na semana passada, o inquérito sobre o recém criado Fundo Transatlantic Trends, notei um foco renovado americano na Europa. 

Em particular, notei que dois em cada três americanos (63%), considera que é desejável que a UE exerça uma forte liderança na política mundial, e que mais de metade dos americanos (55%), acreditam que para seu país, a Europa é mais importante do que a Ásia. Ainda assim e de acordo com esses resultados, dois terços dos americanos dizem que os Estados Unidos e a União Europeia partilham valores suficientes e têm suficientes interesses comuns, que permitem uma forte cooperação bilateral.

De fato, os Estados Unidos e a Europa unida, fazem realmente uma parceria indispensável.

Porque a realidade dura é que, mesmo que os desafios sejam comuns, nem todos os países fazem a mesma análise ou reagem da mesma forma. A terrível situação na Síria lembra-nos de todas as duras consequências do desacordo entre os membros do Conselho de Segurança da ONU. A situação no país é intolerável. Uma Síria nova e democrática, que realmente represente todas as comunidades do país, tem de emergir. Nós temos a responsabilidade comum para que isso aconteça e para pressionar aqueles cuja cooperação é essencial para atingir esse objectivo.

As ambições nucleares do Irão e a situação tensa em todo o Oriente Médio, lembra-nos também que a paz não é um bem adquirido.

Os regimes autocráticos nas soleiras da nossa Europa, [Belarus sendo um caso em questão] confirmam que a História não funciona de forma linear, no rumo à democracia para todos.

Temos de apoiar aqueles que lutam pela democracia e dignidade humana e que permanecem vigilantes de forma que as transições frágeis não acabem por ser sequestradas por forças não-democráticas. (ok, já respiro melhor. A luta contra os governos que destroem o bem social, a economia, a democracia e que promovem a pobreza,  a decorrer hoje em alguns dos seus Estados membros, vai ter o apoio da União Europeia )

Na verdade, senhoras e senhores, mais do nunca, os cidadãos europeus precisam de uma Europa activa e influente no mundo. E uma Europa activa e influente é necessária ao  resto do mundo.

Esta é a mensagem que eu tenho ouvido de todos os nossos parceiros estratégicos, desde os  Estados Unidos à China, da Índia para o Brasil.

A mensagem seguinte e que estou particularmente satisfeito em ecoar aqui, é do anfitrião desta escola, Woodrow Wilson, cuja visão para a paz mundial e compromisso para o progresso continuam a ser uma fonte de inspiração para todos nós.

O homem que uma vez disse: “Diga-me o que está certo e eu vou lutar por isso.”

Uma União Europeia que se destaca pelos seus valores fundamentais  e que encarna um regionalismo aberto, democracias e sociedades abertas, permanece na verdade, é mais do que nunca um parceiro indispensável na luta conjunta pelas nossas ideias, por aquilo que acreditamos ser certo. (que Mundo!)

Obrigado

Fonte: European Union: An indispensable partner

Nota: Links e frases desta cor são da minha responsabilidade.

2 comments on “União Europeia – parceira indispensável

  1. Leonel
    29 de Outubro de 2012

    Este palhaço que com a sua verborreia de palavras se fartou de apelidar o Guterres de cobarde e de deixar o país de tanga e ele à 1ª oportunidade “fugiu” de Portugal, deixando-o ainda mais à deriva para agarrar um tacho e agora fazer de marioneta! PALHAÇO!

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  2. Pingback: Barroso fala numa nova “nova ordem mundial” « A Arte da Omissao

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This entry was posted on 29 de Outubro de 2012 by in União Europeia and tagged , , , , , , .

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