A Arte da Omissao

Tal “pai” tal “filho”

De certo ainda se lembram do ex-Goldman Sachs, António Borges, se referir aos empresários portugueses que se opuseram às alterações da TSU, de  “empresários “ignorantes”. 

E mais tarde, perante o zunzum que levantou, ter esclarecido  que as afirmações proferidas eram só a sua «opinião pessoal». 

Pois bem, Sr. Borges, está desculpado. Como bom aluno que foi, assimilou totalmente o exemplo do seu ex empregador, na forma como ele se refere aos clientes. 

Tradução do artigo de opinião de Greg Smithe, a 14 Março de 2012 no New York Times, com o nome “porque vou deixar o Goldman Sachs”

“Hoje é o meu último dia no Goldman Sachs. Depois de quase 12 anos na empresa – primeiro como estagiário de verão, enquanto estava na Universidade de Stanford, depois em Nova Iorque por 10 anos, e agora em Londres – acredito ter trabalhado o tempo suficiente para compreender a trajectória de sua cultura, do seu pessoal e da sua identidade, e poder dizer honestamente que nunca o ambiente foi tão tóxico nem tão destrutivo.

Para colocar a questão em termos simples, os interesses do cliente continuam a ser marginalizados na forma como a empresa opera e pensa em fazer dinheiro. Goldman Sachs é um dos maiores e importantes bancos de investimento do mundo, e o facto de também fazer parte integrante do financiamento global, permite-lhe continuar a agir desta forma. A empresa desviou-se tanto, desde o tempo que ocupei quando saí da faculdade, que em sã consciência, já não me identifico com o que ela hoje representa.

Pode parecer surpreendente para um público céptico, mas a cultura sempre foi uma parte vital do sucesso do Goldman Sachs. Ela girava em torno do trabalho em equipa, integridade, espírito de humildade, e sempre agindo de uma forma correcta com os nossos clientes. Essa cultura foi o segredo que fez este óptimo lugar e nos permitiu ganhar a confiança dos nossos clientes há já 143 anos. Não foi apenas ganhar dinheiro, o que por si só não sustenta uma empresa por muito tempo. Tinha algo a ver com orgulho e crença na organização. Estou triste em dizer que hoje, eu olho em volta e praticamente não reconheço nenhum vestígio da cultura que me fez gostar de trabalhar para esta empresa por muitos anos. Não tenho mais o orgulho, nem a crença.

Mas este não foi sempre o caso. Por mais de uma década eu recrutei e orientou candidatos através do nosso árduo processo de entrevista. Eu fui seleccionado num grupo de 10, (numa empresa com mais de 30 mil) para aparecer no nosso vídeo de recrutamento, que é mostrado em todas as faculdades que visitamos por todo o mundo. Em 2006 eu geri o programa de estágio de verão em vendas e negociação em Nova Iorque, para os 80 estudantes universitários qualificados entre milhares que se candidataram.

Eu sabia que tinha chegado a hora de sair,  ao perceber que não conseguia mais olhar nos olhos dos alunos e dizer-lhes que o Goldman era um óptimo local de trabalho.

Hoje, o que se escreve sobre o Goldman Sachs, reflecte a perda dessa cultura na governação do actual chefe- executivo, Lloyd C. Blankfein, e do presidente, Gary D. Cohn. Eu acredito que este declínio na fibra moral da empresa representa a única e a mais séria ameaça à sua sobrevivência a longo prazo.

Ao longo de minha carreira, tive o privilégio de aconselhar dois dos maiores fundos de cobertura do planeta, cinco dos maiores gestores de activos nos Estados Unidos, e três dos mais importantes fundos soberanos do Oriente Médio e da Ásia. Meus clientes tinham uma base total de activos de mais de um trilião de dólares. Sempre tive muito orgulho em aconselhar os meus clientes a fazerem  o que eu acreditava ser correcto e bom para eles, mesmo que tal significa-se menos dinheiro para a empresa. Esta visão tornou-se cada vez mais impopular no Goldman Sachs. Foi outro sinal de que tinha chegado a hora de sair.

Como chegamos aqui? A empresa mudou a forma de pensamento sobre liderança. Liderança costumava ser sobre ideias, dando exemplos e fazendo a coisa certa. Hoje, se você ganhar dinheiro suficiente para a empresa, será promovido para uma posição de influência.

Quais são as três maneiras rápidas para hoje se tornar um líder?

 a) Seguir os “eixos da empresa: o Goldman convence seus clientes a investir em acções ou outros produtos que nós nos queremos livrar por não terem grande potencial de lucro.

b) “A caça aos elefantes” – obter clientes – alguns dos quais são sofisticados  e outros não o são – negociar tudo o que traga maior lucro para Goldman. Chamem-me antiquado, mas eu não gosto de vender aos meus clientes um produto que não é adequado a eles.

c) Estar sentado numa cadeira, onde o seu trabalho é negociar qualquer produto ilíquido e opaco, com uma sigla de três letras.

Hoje, muitos desses líderes, exibem o% da cultura do Goldman Sachs.

Eu participei em reuniões de vendas de derivados onde nem uns minutos eram gastos a fazer perguntas aos clientes de forma a saber-se como os podíamos ajudar. Tudo se resume em saber como podemos obter o maior lucro com eles. Se você fosse um alienígena de Marte e se sentasse numa dessas reuniões, você veria que o sucesso de um cliente ou o seu progresso não faz parte do processo em si.

Incomoda-me ver como insensivelmente se fala em roubar os clientes. Nos últimos 12 meses, eu vi cinco  directores diferentes a referirem-se aos seus próprios clientes como “idiotas”, às vezes por correio electrónico internos. Mesmo depois do  S.E.C., Fabulous Fab, Abacus, God’s work, Carl Levin, Vampire Squids? Sem humildade? Quero dizer, vamos lá. Integridade? Está em plena fase de erusão.

Eu não tenho conhecimento  de qualquer comportamento ilegal, mas será que as pessoas que empurram os envelopes e lançam produtos  lucrativos e complicados para os clientes, mesmo que  eles não sejam  simples investimentos e nem os mais directamente alinhados com os objectivos do cliente? Absolutamente. Todos os dias.

Surpreende-me como só poucos gestores seniores usam a verdade básica: Se os clientes não confiarem, eventualmente vão parar de negociar. Não importa que você seja inteligente. Estes dias, a pergunta mais comum que recebo dos analistas mais novos sobre os derivados é, “Quanto dinheiro fizemos com o cliente?”. Incomoda-me sempre que ouço isto, porque é um reflexo claro do seguimento dos eus líderes. Agora num projecto a 10 anos no futuro: Não é necessário ser um cientista para saber que um  jovem analista, que está sentado calmamente no canto da sala de audiência, a ouvir falar de “idiotas”, e “de ser pago” não se irá transformar num modelo de cidadão.

No meu primeiro ano de analista, não sabia onde era a casa de banho, nem como atar os meus atacadores. Fui ensinado a preocupar-me com a aprendizagem das cordas, a descobrir o que era um derivado, a entender as finanças, a conhecer nossos clientes e o que os motivou, aprender como eles definiam o sucesso e o que podíamos fazer para os ajudar a lá chega.

Os momentos que mais me orgulho na vida: – receber uma bolsa de estudos integral para ir da  África do Sul para a Universidade de Stanford, ser seleccionado como um finalista nacional Rhodes Scholar, ganhar uma medalha de bronze em ténis de mesa, nos Jogos Maccabiah em Israel, conhecido como as Olimpíadas judaicas – tudo obtido com trabalho duro, sem atalhos. Goldman Sachs hoje reside muito em atalhos e não o suficiente sobre a realização. Este comportamento não encaixa comigo.

Espero que esta, possa ser uma chamada de atenção para o conselho de administração. Converta novamente o cliente no ponto focal da empresa. Sem clientes, não ganha negócios. Na verdade, até pode deixar de existir. Eliminar as pessoas moralmente falidas, não importa quanto dinheiro elas fazem para a empresa. E obter de novo a cultura certa, para que as pessoas queiram trabalhar aqui pelas razões certas. As pessoas que se preocupam apenas em ganhar dinheiro não vão sustentar esta empresa – ou a confiança de seus clientes – por muito mais tempo.”

##########

Greg publicou agora o livro “why I left Godman Sachs” onde espelha as suas reflexões mais profundas sobre o Godman.

Quando este texto de opinião surgiu, as acções do Goldman Sachs tiveram uma queda de 3,4%.  Também como reacção à esta publicação, a empresa começou a vasculhar milhares de e-mails no sentido de encontrar os que continham as referência menos impróprias aos clientes, como de “idiotas”. O que confirma o que Greg expõe. Goldman não analisa a questão de fundo, que é  “saber porque tratamos os clientes como imbecis ou pombos, porque os manipulamos ou os depenamos”.

Greg descreve como o Goldam escolhe os seus dirigentes; “os jovens quadros muito inteligentes são postos de lado enquanto outros, menos brilhantes, são promovidos graças ao seu melhor sentido de avaliação…” Mas o facto é que em 2008, esses directores estavam ausentes. Greg confirma esse facto porque a cultura mudou. “Nos inícios d2 2000, com a desregulação de Wall Street, todos esses princípios foram deitados fora e substituídos pelo «Eat what you kill». Pode aparecer por lá o sujeito mais infecto e corrupto, mas se entregar 500 milhões ao banco, tem logo 25 pessoas às suas ordens. Foi assim durante quatro a cinco anos, e agora são aquelas pessoas que gerem o negócio. Disseram-me, de resto, que era essa a principal preocupação de Gary Conh (número dois do banco): ter promovido pessoas que, para ganharem o máximo possível, destruíram as nossas relações com os clientes.”

Greg refere-se a Wall Street “como um casino cujos proprietários podem ver as cartas de toda a gente. Se for um banco e facilitar o negócio dos fundos de cobertura, fundos de pensão, fundos soberanos, etc … pode ver o que eles fazem.”. Também refere que o próprio banco aposta na sua própria conta.

Em relação à administração Obama, diz saber que foi aprovada uma lei de reforma importante, (a Lei Dodd-Frank), “mas passados dois , só entrou em vigor um terço dela. Cerca de três quartos das datas limites para os decretos, foram falhadas pelos reguladores, e Wall Street gastou 300 milhões de dólares em lobby contra duas coisa muito simples: proibir os bancos de jogarem com o seu próprio dinheiro e regulamentar os produtos derivados. As entidades que regulam Wall Street foram convencidas pelos bancos a aceitarem um milhão de escapatórias”.  – vejam até ao fim o documentário Inside Job, onde na parte final se vê quem são os governantes deste mundo e a quem eles respondem.

Fonte: Visão nº 1026

Links relacionados:  Parabéns, tornou-se um parceiro do Goldman Sachs

Vivemos tempos em que nos distraem com “guerras” partidárias. Levantam-se vozes que transversalmente dizem que o que nos espera é o empobrecimento, é a morte lenta dos idosos e dos doentes, é a “escravatura” pelo capital….

Mas porquê é que a essa Merkel que ninguém lhe deu poder de  “mandar”, ninguém lhe faz frente, nem a própria Comissão Europeia? Pensem melhor.

Nos anos em que a bomba de  Hiroshima foi construída, o mundo não o sabia. Nem quem a estava a construir. Consegue-se este feito com a chamada compartimentação do conhecimento. Só quem está no topo da pirâmide é que sabe o que cada empresa está a construir para resultar num todo, que neste caso era uma bomba.

Isto só para dizer que o que está a acontecer a nível global não é por acaso. Esta agenda já é conhecida há muitas décadas. E tal como as empresas que trabalharam independentes para a construção da bomba sem o saberem, também a maior parte dos governos (atenção não são todos)  neste momento estão a desempenhar esse papel.

Merkel já não consegue esconder o seu papel nesta agenda. Mas também não sei será benéfico para ela, expor tão claramente a agenda  do controlo mundial pelo capital.

Reparem:

1) Para dominar o mundo é necessário ser-se dono do capital. Fase já terminada há uns bons anos.

2) A partir do momento que o capital passou para a mão dos 101 “macacos”, foi fácil para eles dominarem a saúde, alimentação, energia, comunicação, educação, governos, áreas políticas, ….. Fases também já finalizadas.

3) Então vamos passar para a fase da dominação global. PODER. E como? Enfraquecer.

Olhem para o mundo, olhem para a Europa, olhem para Portugal. A quarto lado da cerca já está a ser aplicado

Nova Ordem Mundial – não é só nos Estados Unidos – É uma agenda Global

 

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This entry was posted on 13 de Novembro de 2012 by in crise financeira, Nova Ordem Mundial and tagged , , , , , .

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