A Arte da Omissao

Serviços secretos paralelos – 3ª Parte

Para marcar o lançamento da versão francesa do último livro de Peter Dale Scott, “The US War Machine”, publicamos um estudo detalhado realizado por este diplomata canadense sobre os ataques de 11 de Setembro. Ele traz à luz, evidências da premeditação por parte de uma facção interna do complexo militar industrial dos U.S.

Tradução do artigo Parallel secret services

 de  Peter Dale Scott

Peter Dale Scott com a continuação da sua análise, mostra como os mecanismos de ligação entre as agências dos serviços secretos dos países aliados, deram origem a outros serviços secretos paralelos e a operações encobertas. Este ex-diplomata canadiano, revela desta forma, o método que permitiu aos conspiradores do 11 de Setembro de 2001, utilizar os  meios do aparelho de Estado dos EUA, sem o conhecimento dos de dentro.

VOLTAIRE NETWORK | 29 de Setembro de 2012 

Serviços secretos paralelos – 1ª Parte

Serviços secretos paralelos – 2ª Parte

Acordos de ligação e a proteção da Al-Mihdhar e Al-Hazmi

Mesmo sem o sugestivo precedente do atentado do WTC em 1993, é legítimo referir que os acordos de ligação podem ter inibido o cerco a Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi. Vamos considerar a primeira constatação de Fenton sobre este  facto:

“Está claro que esta informação [sobre os dois homens] não foi retida por uma série de acidentes bizarros, mas sim intencionalmente” [35]

Eu considero essa consideração muito forte, mas não podemos ser tão confiantes sobre a explicação que refere  “o propósito de reter a informação foi o de permitir que os ataques seguissem em  frente”. [36]

Eu acredito que, de fato, há uma série de possibilidades sobre a intenção, que passam desde a relativa inocência (as inibições decorrentes dos acordos de ligação) até ao nefasto. Antes de os considerar, vamos desconstruir a noção de: “permitir que os ataques seguissem em frente.” Lembrem-se, que nos documentos da Operação Northwoods, nos quais se planeava um falso ataque, para justificar uma intervenção militar dos EUA em Cuba, o Chefe de Estado escreveu:

“Podíamos desenvolver uma campanha de terror comunista contra cuba”, na qual “poderíamos afundar um barco cheio de cubanos. “[37]

Será que a perda de quatro aviões carregados de passageiros foi uma tragédia qualitativamente diferente da do 9/11? Claro que se tornou numa tragédia muito maior quando os três aviões atingiram as duas torres e Pentágono. Mas é possível que os assessores de ligação dos dois sauditas não imaginassem que os seus alvos eram capazes de tal feito.

Lembrem-se das suas aulas de voo, mesmo em Cessnas, foram de tal forma um fiasco que rapidamente foram terminadas. O instrutor disse-lhes “voar era simples mas não  para eles“. [38]

Deixem-me sugerir que há três ingredientes separáveis ​​nos ataques do  9/11: os sequestros, os golpe nos edifícios e o colapso surpreendente dos três edifícios do WTC. É pelo menos possível que a equipa de ligação Alec  Station, como um grupo, tenha contemplado só a primeira etapa, sem nunca imaginar as duas etapas que se seguiram.

A explicação menos maligna para a omissão das  informações sobre dois dos alegados piratas, seria a hipótese que propus no caso de Emad Salem – o acesso restrito criado pela autorização especial ao acordo de ligação.

Mas, assim como em 1993, o poder secreto criado por trás da parede das autorizações restritas, pode ter sido utilizado para fins escusos. A perigosa situação assim criada – de potencial candidatos a sequestradores,  protegidos  de detenção num  momento de ataque esperado –  inspirou alguns em explorar as condições resultantes de sigilo, como uma oportunidade para planear um incidente que justificasse uma guerra. Uma  importante analogia com o falso incidente do Second Tonkin Gulf de 1964, usado para justificar o ataque ao Vietname do Norte,  é a presença de uma poderosa facção. [39]

Uma pista para esta sinistra intenção  é que o padrão das omissões de informações detalhado por Fenton não se restringe exclusivamente aos dois sauditas e seus assessores  da  CIA.  Existem outras relacionadas, mas de outras agências – as principais foram foi a omissão das informações do Able Danger, e  a aparentemente omissão da interceptação importante e relevante, aparentemente sobre os alegados terroristas e sobre os Moussaoui, pela NSA  [40]

Se a NSA estava a reter  informações de funcionários competentes, há que recordar o papel da NSA na época do segundo  incidente Tonkin Gulf  em Agosto de 1964. Na altura, a NSA num momento crucial, enviou 15 SIGINT (sinais de inteligência) que indicavam – falsamente – que tinha havido um ataque norte-vietnamita a dois  navios dos EUA. Ao mesmo tempo, a NSA reteve 107 partes desse SIGINT que indicavam – correctamente – que nenhum ataque tinha ocorrido. [41] O comportamento da NSA na época  foi espelhado na CIA: duas agências estavam cientes do consenso poderoso dentro da administração Johnson, que já havia concordado em provocar o Vietname  do Norte, na esperança de criar uma oportunidade para uma resposta militar. [42]

Existem muitos registos sobre outro grande e poderoso consenso pró-guerra dentro da administração Bush,  centralizado em Cheney e Rumsfeld, e na cabala do projecto PNAC (the Project for the New American Century). Antes da eleição de Bush, foi desencadeada uma  vigorosa operação de lóbi para uma acção militar contra o Iraque. Sabemos também que a resposta imediata de Rumsfeld ao  9/11 foi propor um ataque ao Iraque e que o planificação para esse tipo de ataque foi de facto instituído em 17 de Setembro. [43] Vale a pena considerar se alguns dos que protegeram  os alegados terroristas da prisão não compartilham destas  ambições bélicas. [44]

[35] Fenton, Disconnecting the Dots, 310.

[36] Fenton, Disconnecting the Dots, 371, cf. 95.

[37] Joint Chiefs of Staff, “Courses of Action Related to Cuba (Case II),” in Scott, American War Machine, 196.

[38] Washington Post, September 30, 2001; in Summers, Eleventh Day, 293; cf. 9/11 Commission Report, 221-22.

[39] See Scott, American War Machine, 199-203.

[40] Fenton, Disconnecting the Dots, 360-61, 385. There was also apparent withholding of information at a high level in the US Joint Forces Command (USJFCOM): “One official who attended the DO5 [a USJFCOM intelligence unit assigned to watch terrorism against the US] briefing was Vice Adm. Martin J. Meyer, the deputy commander in chief (DCINC), USJFCOM ….. But despite the red flags raised during the briefing , Meyer reportedly told Maj. Gen. Larry Arnold, the commander of the Continental United States NORAD Region (CONR), and other high-level CONR staffers two weeks before the 9/11 attacks that ‘their concern about Osama bin Laden as a possible threat to America was unfounded and that, to repeat, “If everyone would just turn off CNN, there wouldn’t be a threat from Osama bin Laden”’ ” (Jeffery Kaye and Jason Leopold, “EXCLUSIVE: New Documents Claim Intelligence on Bin Laden, al-Qaeda Targets Withheld From Congress’ 9/11 Probe,” Truthout, June 13, 2011,).

[41] Scott, American War Machine, 201.

[42] Scott, American War Machine, 200-02.

[43] Clarke, Against All Enemies, 30-33; Summers, Eleventh Day, 175-76; James Bamford, A Pretext for War, 287.

[44] Mark Selden has described the pattern of “arousing nationalist passions as a result of attacks out of the blue” as one which has “undergirded the American way of war since 1898” (Mark Selden, “The American Archipelago of Bases, Military Colonization and Pacific Empire: Prelude to the Permanent Warfare State,” forthcoming, 2012, International Journal of Okinawan Studies).

 

 Notas : frases, links desta cor, são da minha responsabilidade.

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This entry was posted on 25 de Novembro de 2012 by in 11 de Setembro and tagged , , , , , , , , .

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