A Arte da Omissao

Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 2

Tradução do artigo  A hidden world, growing beyond control

Projecto Top Secret America de Dana Priest  e William M. Arkin

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Descrição do projecto

Top Secret America” é um trabalho de pesquisa jornalística do Washington Post, divulgado em 2010 e que descreve o enorme acúmulo da segurança nacional dos Estados Unidos após o 11 de Setembro de 2001.

Segundo os autores, quando se trata de segurança nacional, é comum não se olhar a despesas, resultando em grandes empreendimentos que ninguém no governo tem a compreensão completa dos mesmos. Foi o que Dana Priest e William M. Arkin encontraram: omnipresente, muitas vezes ineficiente e quase invisível às pessoas, destinatárias de tal protecção..

O projecto é composto por artigos, uma base de dados on-line com mapas interactivosoutros gráficos e descreve o escopo e complexidade do programa de segurança nacional do governo americano.

O mundo ultra-secreto do governo criado em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, tornou-se tão grande, tão pesado e tão secreto que ninguém sabe quanto dinheiro custa, quantas pessoas emprega, quantos programas contem  e o número exacto de agências que fazem o mesmo trabalho.

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Um novo dia do Top Secret America começa, com o arranque de uma fila de carros do lado de fora de um condomínio fechado em McLean. Os motoristas esperam pacientemente para virar à esquerda,  subirem a colina e após outra curva,  chegarem a um destino que não existe nos mapas públicos nem sinalizado por qualquer placa.

O campo de inteligência no Liberty Crossing, esforça-se para estar escondido. Mas no inverno, as árvores sem folhas mostram uma montanha de cimento e de janelas, do tamanho de cinco lojas Wal-Mart, empilhadas umas em cima de outras, por trás de um muro  gramado. Um passo mais perto sem o crachá certo, desencadeia  que homens de preto apareçam  do nada com armas em riste.

Ultrapassadas as barreiras dos guardas armados e das barreiras hidráulicas em aço, pelo menos, 1.700 funcionários federais e 1.200 empresas privadas prestadoras de serviço, trabalham no Liberty Crossing, nickname para as duas sedes do Office of the Director of National Intelligence  e seu National Counterterrorism Center. As duas partilham uma força policial, uma unidade de cães e milhares de espaços  de estacionamento.

Liberty Crossing  é o centro de uma colecção de agências governamentais dos EUA e de empresas prestadoras de serviços, colecção essa que depois do 11 de Setembro, teve um aumento enorme não sendo, no entanto, nem de perto a maior, a mais cara ou até mesmo a mais secreta do “empreendimento do 9/11.”

No edifício da Arlington County office (correspondente às nossas Câmaras Municipais) a sinalização interna, não inclui a misteriosa unidade XOIWS da Força Aérea, mas existe uma grande placa de “Bem-vindo!” no hall do 3º andar, a saudar os visitantes. No Elkridge em Maryland, um programa clandestino esconde uma estrutura de cimento equipada com janelas falsas, para se fazer passar por um prédio normal de escritórios. Em St. Petersburg, na Flórida, o mesmo programa encontra-se num modesto bangaló de tijolos num parque empresarial degradado.

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Cada dia, no Centro Nacional de Contra terrorismo em McLean, trabalhadores revêm, pelo menos 5.000 peças de informações relacionadas com terroristas, vindas das agências de inteligência e mantêm um olho sobre os acontecimentos mundiais. (Foto de: Melina Mara / The Washington Post)

Todos os dias nos Estados Unidos, 854 mil funcionários públicos, militares e empresas privadas prestadores de serviço com certificados de segurança do nível Top-secrect são analisados em escritórios protegidos por fechaduras electromagnéticas, câmaras de retina e muralhas, que equipamentos de escuta não conseguem penetrar.

Não estamos a falar exactamente do “complexo militar-industrial” do presidente Dwight D. Eisenhower, que surgiu com a Guerra Fria para dissuadir a União Soviética. Esta é uma empresa de segurança nacional com uma missão mais amorfa: derrotar extremistas transnacionais violentos.

Grande parte das informações desta missão estão classificadas, daí ser  tão difícil medir o sucesso e identificar os problemas do Top Secret America, incluindo se o dinheiro está a ser gasto com sabedoria.

O orçamento para a inteligência dos EUA é vasto, no ano passado, foi anunciado publicamente o valor de US $ 75 bilhões, 21/2 vezes mais do gasto a 10 de Setembro de 2001. Mas o número não inclui muitas das actividades militares ou programas domésticos contra o terrorismo.

Pelo menos 20 por cento das organizações governamentais que existem para a defesa a ameaças terroristas, foram estabelecidas ou remodeladas na sequência do 9/11. Muitas das que existiam antes dos ataques, cresceram em proporções históricas, à medida que a administração Bush e o Congresso, davam às agências mais dinheiro do que elas eram capazes de gastar com responsabilidade.

A Pentagon’s Defense Intelligence Agency (agência de Inteligência de Defesa do Pentágono), por exemplo, passou de 7.500 funcionários em 2002 para os 16.500 na actualidade. O orçamento para a National Security Agency (Agência de Segurança Nacional),  que gere a espionagem electrónica, dobrou. Dos trinta e cinco JTTF do FBI passámos para 106. Foi um crescimento fenomenal que começou quase logo a seguir aos ataques de 11 de Setembro.

Nove dias após os ataques, o Congresso entregou 40 bilhões dólares a mais do que estava orçamentado para fortalecer as defesas nacionais e lançar uma ofensiva global contra a Al-Qaeda. Em 2002, seguiu-se o valor adicional de US $ 36,5 bilhões e em 2003 US $ 44 bilhões. Foi só o começo.

Com a rápida infusão de dinheiro, as agências militares e de inteligência multiplicaram. Vinte e quatro organizações foram criadas até o final de 2001, incluindo o Office of Homeland Security e o Foreign Terrorist Asset Tracking Task ForceEm 2002, foram criadas mais 37 para rastrear armas de destruição em massa, colectar dicas de ameaças e coordenar o novo foco no combate ao terrorismo. Este cenário repetiu-se no ano seguinte com  36 novas organizações, 26 em 2003, 31 em 2004, 32 em 2005,  20 ou mais em 2007, 2008 e 2009.

Ao todo, foram criadas ou reorganizadas cerca de 263 organizações como resposta ao 9/11. Cada exigiu mais pessoas, as quais exigiram mais apoio administrativo e logístico: operadoras de telefone, secretários, bibliotecários, arquitectos, carpinteiros, pedreiros, mecânicos de ar condicionado e, devido ao facto dos locais onde trabalham, encarregados de limpeza com certificados de segurança Top-Secret.

Com tantos funcionários, unidades e organizações, as linhas de responsabilidade começaram a confundir-se. Para remediar, a administração de George W. Bush e o Congresso decidiram criar outra agência em 2004, Office of the Director of National Intelligence (ODNI), com responsabilidades globais de colocar sob controle, este esforço colossal.

Parte 1  Parte 2  Parte 3 

Nota: Links e frases sublinhadas com esta cor, são da minha responsabilidade.

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3 comments on “Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 2

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This entry was posted on 28 de Dezembro de 2012 by in DIANTE DOS NOSSOS OLHOS, O mundo visto ao microscópio, USA and tagged , , .

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