A Arte da Omissao

Império ocidental – hipocrisia e crimes de guerra

Inspecção minuciosa de armas químicas. A frequência da monotorização do arsenal de armas químicas,  garante a segurança dos trabalhadores, meio ambiente e a comunidade. http://www.cma.army.mil/bluegrass.aspx

Os EUA têm uma longa história em desencadear guerras químicas e biológicas contra civis,  tanto no exterior como dentro do próprio país, primariamente como experiências mas também para se livrarem do material obsoleto, enquanto inventam um outro vilão para crucificar. Robert Rodvik, autor canadiano acusa Barack Obama de hipocritamente advertir a Síria contra o alegado uso de armas químicas e acusa o seu próprio país de se ter transformado num cúmplice dos EUA,  na guerra química travada contra o povo vietnamita.

 VOLTAIRE NETWORK | 11 de Novembro de 2012 

No mundo da política real, nada acontece aos EUA e seus parceiros da NATO, que não seja infundida com doses maciças de propaganda,  seguidas de imediato, pela amplificação das mesmas a cargo da classe tagarela, que considera a hipocrisia como um complemento normal do seu papel de  adivinhos de guerras. Os comerciantes de armas ditam a política externa dos EUA e a imprensa do Pentágono faz a  lavagem cerebral às massas, no apoio às políticas assassinas. A fabricação do material de guerra não faz sentido se não for para ser usada.

As bombas deixadas nas prateleiras, caso contrário, apodrecem e desintegram-se: inúteis já para os belicistas, representam o verdadeiro propósito de militares que serviram ao Pentágono, e que agora, devido à porta giratória, se deleitam com as suas recompensas extravagantes pagas pelos mercadores de armas, os novos patrões desta hierarquia guerreira que corre nas nações capitalistas  – a hipocrisia dada pela noção de que esses países representam a democracia e  que se preocupam com os princípios humanitários.

Relembro, por exemplo, um encontro casual que tive com um cavalheiro num bar em Los Angeles. Depois de alguns minutos de conversa, perguntei-lhe no que se ocupava. Ele, então, mostra um cartão de visita, onde além do seu nome figuravam as seguintes palavras: ” Investment Castings “. Perante o meu total desconhecimento do significado de tais palavras, elucidou-me:

 “Bem, quando você quer fazer algo exactamente idêntico a outra, por exemplo uma mira de uma arma, pode fazê-la usando Investment Castings. Não há um pingo de diferença entre a primeira e a número 20 mil e um.”

Perguntei-lhe quem usava esse mecanismo de produção? “Os militares, são os meus únicos clientes.”, respondeu. Interessado, questionei se as grandes quantidade de armas, eram fabricadas desse jeito?

“Meu amigo”, respondeu-me, “você não vai acreditar. O governo tem armazéns cheios com  brinquedos de guerra. E só me estou a referir aqui, em LA. O país, esse,  está cheio até ao tecto.”

Obviamente, não há nenhum interesse em pagar para armazenar esse tipo de material. No entanto vai servir de desculpa para os criminosos da guerra, justificarem, em primeiro lugar, novas guerras, e depois com a demonização de algum assunto, esvaziarem os armazéns de investimentos americanos,  cujo conteúdo está quase fora da garantia. A imprensa do Pentágono nunca vai revelar o que eu acabei de dizer, porque eles precisam de manter a imagem de guerreiros e não de filósofos. E os meios da comunicação impressa e electrónica, são os verdadeiros mestres no negócio da propaganda. Guerra é a paz que repetidamente se instrui os ingénuos. E, graças ao lamentável sistema de educação, os otários continuam a comprar esta nova linguagem e a dar as suas vidas, para que os negociantes  de armas, incluindo o grupo Carlyle  da família Bush, recolham  lucros excepcionais e  intermináveis. O capitalismo não é isto?

Voltando ao assunto da hipocrisia, um par de manchetes recentes chamou a minha atenção. A primeira era uma frase, hipócrita de Obama sobre as “enormes consequências”, que a  Síria poderá sofrer se tentar usar armas químicas ou biológicas contra alguém. Uma série de acções vergonhosas que a nação terrorista que Obama representa, vêm-me  à mente. Uma delas ocorreu no período entre as guerras dos anos vinte e trinta, quando os EUA planearam  invadir o Canadá para “tomar” os seus recursos hídricos abundantes – o plano da War Red.

Floyd Rudmin, no seu livro, Bordering on Aggression: Evidence of US Military Preparations Against Canada, transmite o seguinte:

“Em Outubro de 1934, os Secretários da Guerra e da Marinha aprovaram uma emenda que autorizava bombardear  Halifax, Montreal e Quebecm, através de  “operações aéreas imediatas, na maior escala possível.” A segunda emenda, também aprovada a nível do gabinete e dirigida ao exército dos EUA, referia em letras maiúsculas, “para fazerem todos os preparativos necessários para o uso da guerra química a partir da eclosão da guerra. Está autorizado o uso de químicos de guerra, incluindo o uso de agentes tóxicos…”

Rudmin conclui ainda que o uso do gás venenoso “foi concebido como uma acção humanitária que faria com que o Canadá se rendesse rapidamente e, assim, se salvariam vidas americanas.” Raciocínio semelhante, devemos lembrar, levou também os EUA a lançar bombas atómicas sobre o Japão, o pior crime de guerra desde os massacres de Genghis Khan a populações inteiras com o fim de enriquecer os seus cofres – um verdadeiro capitalista.

Obviamente que a Segunda Guerra Mundial colocou a invasão dos EUA ao Canadá na sua lista de espera. No auge da Segunda Guerra Mundial e da invasão dos EUA pela bota da Itália, os EUA tinham colocado centenas de navios de guerra e navios de abastecimento no porto protegido, em Bari, Itália. Desconhecido praticamente de todos cidadãos italianos e pessoal dos EUA, os criminosos de guerra de Washington tinham carregado centenas de bombas de gás mostarda, a bordo do USS John Harvey. Então, como em todas as guerras, o desastre aconteceu.

Como relatado pelo autor Glenn B. Infield , no seu livro Disaster at Bari, o que pode dar errado, certamente vai dar errado. Assim:

“A 2 de Dezembro de 1943, a Luftwaffe voou pela costa italiana e chegou a Bari, cujo porto estava lotado com navios dos EUA, que por si só  “parecia uma árvore de Natal.”

No curso do bombardeamento alemão, 17 navios aliados foram afundados e o John Harvey “dissolvido numa enorme explosão”. Centenas de pessoas morreram num instante, mas o pior ainda estava por vir. A mistura do gás mostarda com óleo e contaminantes libertados na água, lançou uma nuvem mortal para milhares, a maioria cidadãos italianos de Bari – nas suas próprias casas. Nunca saberemos se alguém se salvou, pois os EUA ao ocultaram o motivo da intoxicação misteriosa  com o fim de encobrirem o seu crime, diminuíram as chances de uma assistência clínica eficaz. Terra dos livres e lar dos bravos.

Operação Mão de Ranch [1]

O uso consistente da guerra química e biológica contra os seus inimigos, logo se transformou na “maior guerra química que o mundo presenciou.” Pouco mais se pode acrescentar a esse comentário, excepto oferecer algumas informações adicionais. Por exemplo, a suposta campanha “humanitária” na Indochina, que matou cerca de três milhões de vietnamitas, também deixou para trás uma paisagem devastada e envenenada para o futuro distante, cujo legado nos diz tudo o que precisamos saber sobre a moral dos Estados Unidos e, mais  importante, sobre a sua inerente loucura.

No total, 83 milhões de litros de herbicidas, principalmente de gaz laranja, foram lançados em mais de um quarto da superfície do Vietname do Sul. Considerando as várias toxinas contidas na bebida química, os seus efeitos devastadores foram bem compreendidas pelos cientistas dos EUA, através dos pagamentos DOD (departamento da defesa) e entre a hierarquia militar que destruiu o Vietname por todos os meios. Pessoas com moral e decência fortes, tinham que questionar os depravados e as pessoas distorcidas, envolvidas neste exercício desprezível. Alguns dos resultados ainda podem ser vistos hoje, pois as toxinas ainda assolam muitas áreas.

Dentro do hospital de obstetrícia e ginecologia de Tu Du em Ho Chi Minh, no Vietname do norte, existe um quarto com uma vista como nenhum outro. Suas paredes são revestidas com simples prateleiras que guardam centenas de grandes frascos de laboratório, contendo fetos. Não são fetos normais: algumas têm duas cabeças, alguns têm um único olho no meio da testa, e todos, sem excepção, têm membros e troncos grotescamente torcidos e distorcidos; bebes bizarros alienígenas num cemitério de vidro.

Ao desencadear esta operação criminosa contra a população camponesa do Terceiro Mundo do Vietname, os EUA nem ofereceram ajuda na limpeza das áreas contaminadas, nem o fornecimento dos US $ 5 biliões, na altura oferecidos e que depois retirou da mesa. Na sua tentativa de destruição do Vietname, os EUA foram bem auxiliados pelo seu sátrapa do Norte, o governo do Canadá. Tal como hoje, o ministro das Relações Exteriores, John Baird, acusa o Irão de ser o “maior perigo para a paz mundial”, Paul Martin, secretário de estado para assuntos externos do governo liberal de Pearson (primeiro ministro do Canadá),  fez o seguinte comentário no debate da Câmara dos Comuns em 1966:

“Acredito ser importante, antes de tudo, reconhecer claramente que é o Vietname  do Norte, que há mais de dez anos é o agressor, e que desde 1954 vem tentando obter por meios militares o que não pode  obter por meios políticos, ou seja, o controle sobre o território do Vietname do sul. Nessa situação, os Estados Unidos, responderam à chamada das autoridades do sul do Vietname. “

Como o pesquisador Victor Levante correctamente observou, o liberal Paul Martin ou era um homem com uma “ignorância monumental” ou então exibiu “os cálculos frios de um co-conspirador.” A julgar pela minha própria pesquisa, eu diria que foi uma combinação de ambos. Os políticos do Canadá  expõem regularmente uma ignorância incrível sobre Relações Externas e facilmente colocam essa ignorância ao serviço da hegemonia dos EUA em todo o planeta. Poucos meses depois, Paul Martin acrescentou:

“Se esta agressão  [pelo Vietname do Norte] for permitida, haverá consequências incalculáveis ​​para a paz mundial … Basta dizer que, se o Vietname do Norte consegue assumir a totalidade do Vietname pela força … seremos, na minha opinião, culpados de um erro da mesma natureza dos erros em Munique, e antes disso, na Liga das Nações. Agressão é agressão, quer tenha lugar na Europa, Etiópia ou no Vietname. [2] [3]

Claramente que na altura,  o liberal Paul Martin e o conservador John Baird podem ser vistos como os  bajuladores dos EUA, ao participarem na matança de inocentes, em países praticamente incapazes de se defenderem  contra a violência dos terroristas ocidentais que se apresentam como “humanitários”. Cerca de 35 anos depois dos EUA fugirem do campo de batalha, as dioxinas ainda geram vítimas e cada tentativa do governo vietnamita em procurar compensações nos tribunais dos EUA é até aos nossos dias recusada. Onde quer que os EUA vão, a justiça é sempre negada.

Por fim, o outro título que me chamou a atenção:

“O governo Obama pediu ao Iraque para exigir que os aviões iranianos que transitam no  seu espaço aéreo a caminho da Síria, aterrem para se submeterem a inspecções, de forma a garantir-se que não transportam armas para as forças militares sírias.”

A hipocrisia é tão incrível que apenas uma boa risada pode fazer justiça ao absurdo da acusação. Aqui temos os EUA e seus bajuladores a entregarem todos os armamentos de fabricação ocidental para os seus amigos esquadrões da morte, que tentam  instalar um governo Sharia na Síria e no processo matam membros das comunidades Allawite e cristãs ainda vivos. Mas, graças ao Pentágono / imprensa corporativa todas as realidades descritas permanecem envoltas na  ofuscação e distorção. As ovelhas, afinal, são necessárias para as guerras dos EUA que ainda estão por vir.

Nota do  escritor Glenn Greenwald sobre o  país de seu nascimento:

“Nos últimos cinco anos, um extremismo rasteiro tomou conta de nosso governo federal, e ameaça alterar radicalmente o nosso sistema de governo e de quem somos como nação. Esse extremismo nem é conservador nem liberal, mas é, ao invés impulsionado por teorias de poder presidenciais ilimitadas totalmente estranhas e antitéticas, aos valores políticos que têm governado o país desde a sua fundação”:, pois,”o facto de que esta apreensão em expansão do poder presidencial ser em grande parte justificada pelo interminável medo, especialmente de terroristas – significa que não é só o nosso sistema de governo que está a mudar radicalmente, mas também o nosso carácter nacional, a nossa identidade nacional e o que significa ser americano “. [4]

[1] Operation Ranch Hand was the tactical military project for the aerial spraying of herbicides in South Vietnam during the Vietnam Conflict (1961-1975). In these operations Agent Orange, the collective name for the herbicides 2,4-D and 2,4,5-T, was used for defoliation.

[2] House of Commons Debates, February 19, 1965, 11511. Cited in Victor Levant, Quiet Complicity: Canadian Involvement in the Vietnam War, (Between The Lines Press: Toronto, 1986), p.54

[3] Canada, Parliament, House of Commons, Standing Committee on External Affairs and National Defence, Minutes of Proceedings and Evidence, June 10, 1965, 11.

[4] Greenwald, Glenn. “Preface”. How would a patriot act?; Working Assets Publishing (San Francisco), 2006. pp. 1-2

fonte: Hypocrisy and War Crimes: The Western Imperium de Robert S. Rodvik

 

 Notas : Links desta cor, são da minha responsabilidade.

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