A Arte da Omissao

Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 3

Tradução do artigo  A hidden world, growing beyond control

Projecto Top Secret America de Dana Priest  e William M. Arkin

day1-lead

Descrição do projecto

Top Secret America” é um trabalho de pesquisa jornalística do Washington Post, divulgado em 2010 e que descreve o enorme acúmulo da segurança nacional dos Estados Unidos após o 11 de Setembro de 2001.

Segundo os autores, quando se trata de segurança nacional, é comum não se olhar a despesas, resultando em grandes empreendimentos que ninguém no governo tem a compreensão completa dos mesmos. Foi o que Dana Priest e William M. Arkin encontraram: omnipresente, muitas vezes ineficiente e quase invisível às pessoas, destinatárias de tal protecção..

O projecto é composto por artigos, uma base de dados on-line com mapas interactivosoutros gráficos e descreve o escopo e complexidade do programa de segurança nacional do governo americano.

O mundo ultra-secreto do governo criado em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, tornou-se tão grande, tão pesado e tão secreto que ninguém sabe quanto dinheiro custa, quantas pessoas emprega, quantos programas contem  e o número exacto de agências que fazem o mesmo trabalho.

 

Enquanto a ideia era essa, Washington tem os seus próprios caminhos.

O primeiro problema foi que a lei aprovada pelo Congresso não deu ao director a autoridade legal ou orçamental clara sobre assuntos da inteligência, o que significava que não teria poder sobre as agências individuais que teria que controlar.

O segundo problema: Mesmo antes do primeiro director, o embaixador John D. Negroponte, estava no ofício e as disputas territoriais começavam. De acordo com dois oficiais seniores, o Departamento de Defesa deslocou milhares de milhões de dólares de um orçamento para outro, de forma que o ODNI não lhe pudesse tocar. A CIA reclassificou alguma das  informações mais sensíveis num nível superior, para que a equipe do National Counterterrorism Center que faz parte do ODNI, não tivesse  permissão de as ver, referiram ex-agentes de inteligência envolvidos.

E então surge um problema que permanece ainda hoje e que tem a ver com a rápida expansão da ODNI.

O escritório de Negroponte, quando foi inaugurado na primavera de 2005, composto por 11 pessoas, estava localizado num bloco seguro da Casa Branca. Um ano mais tarde, a agência principiante mudou-se para dois andares de outro prédio. Em Abril de 2008,  mudou-se para a sua enorme casa: Liberty Crossing.

Hoje, muitos funcionários que trabalham nas agências de inteligência dizem que ainda não estão claros sobre o que o ODNI é responsável. Para ser mais preciso, o ODNI fez alguns progressos, especialmente na partilha dos sistema de informação, da tecnologia da informação e na reforma do orçamento. O DNI e seus gerentes realizam reuniões interinstitucionais todos os dias para promover a colaboração. O último director, Blair, obstinadamente perseguiu essas minuciosas questões como a reforma dos contractos, redes compatíveis de computadores, as normas das novas técnicas usadas na espionagem moderna  e a  interacção cooperativa entre os colegas.

Mas algumas melhorias têm sido ultrapassadas pelo volume no ODNI, como o aumento do fluxo de dados da inteligência destruir a capacidade do sistema de o analisar e usar. Todos os dias, no National Security Agency, sistemas de recolha interceptam e armazenam 1,7 bilhões de e-mails, telefonemas e outros tipos de comunicação. A  NSA organiza uma fracção em 70 bases de dados separadas. O mesmo problema atormenta cada agência de inteligência, nenhuma das quais tem analistas e tradutores suficientes para este trabalho todo.

O efeito prático desta complicação  é visível, numa escala menor, no escritório de Michael Leiter, director do National Counterterrorism Center (Centro Nacional de Contra terrorismo). Leiter passa boa parte do seu dia a virar-se  entre quatro monitores de computador alinhados na sua mesa. Seis discos rígidos estão ao pé dos seus pés. O fluxo de dados é enorme, com dezenas de bases de dados que alimentam redes independentes de computadores que não interagem umas com as outras.

Há uma longa explicação paro o facto dessas bases de dados não estarem ainda conectadas e que equivale a isto: É um processo difícil e alguns chefes de agências realmente não querem desistir dos sistemas que têm. Mas há alguns avanços: “Todas as minhas mensagens num só computador”, diz Leiter. “não é tão complicado como dizem.”

C0ntinua…

Parte 1 Parte 2 Parte 3

Nota: Links e frases sublinhadas com esta cor, são da minha responsabilidade.

Advertisements

2 comments on “Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 3

  1. Pingback: Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 2 « A Arte da Omissao

  2. Pingback: Um mundo escondido a crescer fora do controle – Parte 4 « A Arte da Omissao

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 29 de Dezembro de 2012 by in DIANTE DOS NOSSOS OLHOS, O mundo visto ao microscópio, USA and tagged , , .

Navegação

Categorias

Faça perguntas aos membros do Parlamento Europeu sobre o acordo de comércio livre, planeado entre a UE e o Canadá (CETA). Vamos remover o secretismo em relação ao CETA e trazer a discussão para a esfera pública!

%d bloggers like this: