A Arte da Omissao

O segredo do negócio está na dívida

transferir (2)

regressar aos mercados 

Regressar aos mercados, na dialéctica do capital, é a capacidade que um país tem, de pedir dinheiro emprestadoFoi noticiado ontem que Portugal pode voltar aos mercados mais cedo.

No nosso actual contexto, significa que Portugal pode recomeçar  a pedir dinheiro emprestado, prática comum antes da entrada da Troika.

Portugal deixou de “ir aos mercados”, porque a sua divida era muito grande e, passo a referir a célebre  frase , “os mercados perderam a confiança em nós”. Eles até emprestavam mas a juros altíssimos.  Resumindo: a divida antes da troika era muito grande.

E foi assim que fomos “empurrados” a pedir um resgate  (mais dinheiro emprestado) da troika. Resumindo:  A dívida ficou ainda maior (1)

Segundo se diz, regressar aos mercados é um indicador de alguma independência. Não percebo.

A nossa dívida actual é igual à ((dívida antes da troika+juros)+(dívida à troika+juros)) e os mercados ganharam confiança em nós? (2)

Num país onde diariamente pequenas e médias empresas encerram, onde o desemprego aumenta, onde o governo instaura a austeridade sem dar o mínimo de importância à produção de riqueza  e a manter a economia viva, e os mercados ganharam de novo a confiança em Portugal?  

Não se iludam. O segredo do negócio é a dívida. Portugal até pode voltar aos mercados, mas os portugueses pobres e os candidatos a esse estatuto, vão continuar a  ser roubados e a não terem dinheiro para os  bens essenciais. 

  tempo para pagar a dívida

Em Novembro de 2012:

– Os ministros das Finanças da Zona Euro,  decidiram dar um novo prolongamento para os prazos do reembolso dos empréstimos da Grécia. 

– Com base no anuncio público de Juncker, Gaspar anuncia que Portugal também ia ser contemplado com um alargamento de prazos e outras medidas acordadas para a Grécia, respeitando-se assim o princípio da igualdade de tratamento entre  os países sujeitos a programas de ajuda.

– Juncker e Gaspar dão o dito por não dito.

– Ontem (22 de Janeiro de 2013), passados dois meses, Gaspar anuncia que os ministros das Finanças aceitaram estudar a possibilidade de prolongar os prazos estipulados a Portugal seguindo agora o  que acordaram em Novembro para a Grécia. 

Segundo Gaspar,  este terá argumentado o pedido com o bom comportamento de Portugal. Ainda é só um pedido! Mas que grande falácia. A prova está na Grécia,  que “não se portou bem” e já lhe foi dado esse prolongamento. 

Não se iludam também. O segredo do negócio continua a ser a dívida. 

23-01-2013 (actualização do tema)

(1) (Total do crédito “”oferecido a Portugal no âmbito do resgate financeiro foi de €78 mil milhões, mas só em juros iremos pagar quase metade. Não tenham pena dos credores!!! Clique para visitar o dossiê O resgate de Portugal

(2) Dívida pública ultrapassa 120% do PIB 

“A dívida pública portuguesa aumentou de 117,4% para 120,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo para o terceiro trimestre de 2012.

Os dados trimestrais da dívida pública do gabinete oficial de estatísticas da UE revelam que, além de ter a terceira dívida pública mais elevada, Portugal também registou a terceira maior subida entre o segundo e o terceiro trimestres de 2012 (2,9 pontos percentuais), apenas atrás da Irlanda (5,9 pontos) e da Grécia (3,4 pontos).

Comparativamente com o terceiro trimestre de 2011, a dívida pública portuguesa aumentou 9,9 pontos (era, na altura, de 110,4% do PIB), com os maiores aumentos homólogos a pertencerem a Chipre (17,5 pontos), à Irlanda (13,4 pontos) e a Espanha (10,7 pontos) e as maiores descidas à Hungria (4,8 pontos) e à Letónia (3,6 pontos).

No final do terceiro trimestre de 2012, em comparação com os três meses anteriores, o rácio de dívida pública em percentagem do PIB manteve-se praticamente estável, tanto na zona euro como na UE.

Entre os 17 países que partilham a moeda única, a dívida pública aumentou de 89,9 para 90% do PIB entre o segundo e o terceiro trimestre do ano passado, enquanto na UE subiu de 85 para 85,1% do PIB.

Já na comparação com o terceiro trimestre de 2011, foram registadas subidas mais significativas, tanto na zona euro (de 86,8% para 90,0% do PIB), como na UE a 27 (de 81,5% para 85,1% do PIB).

As dívidas públicas mais elevadas no final do terceiro trimestre de 2012 pertenceram à Grécia (152,6% do PIB) e à Itália (127,3%), seguindo-se Portugal (120,3%) e a Irlanda (117,0%), enquanto as mais baixas foram observadas na Estónia (9,6%), na Bulgária (18,7%) e no Luxemburgo (20,9%).” (fonte)

Há também que registar o sorriso de orelha a orelha dos nossos bancários!!!!!!!! – Portugal regressa aos mercados com emissão de dois mil milhões, o que significa que deve mais 2.5 mil milhões de euros. É evidente que a felicidade não é generalizada. Eu entro neste negócio como pagador. Em perspectiva, 2.5 mil milhões de euros é um pouco mais do deram ao BANIF e é cerca de um quarto do que se esfumou no BPN.

A dívida aumenta (o negócio do grande capital assim obriga) e a nossa conta corrente devedora, dos nossos filhos, netos, bisnetos… aumentou em mais 2.5 mil milhões de euros.  Mas nem tudo é mal. Os juros não foram além dos 4.8%.!

Foi bastante referido, hoje nas televisões, que o regresso triunfal aos mercados alivia a austeridade. Como assim? O ciclo da dívida é uma pescadinha de rabo na boca. Quando o Estado tem uma dívida a vencer, este recorre aos tais mercados para pedir mais dinheiro emprestado, isto é, para pagar dívidas contrai mais. A austeridade é-nos apresentada com um mal necessário, mas como pode ela abrandar, com a dívida sempre a crescer?

Mas, esperam lá, ao longo destes dois anos, penalizaram-me e acusaram-me de ter andado a gastar mais do que tinha, contraindo a tal dívida, mas afinal segui o exemplo vindo das cúpulas. Em Setembro próximo, os lá de cima terão de pagar em capital + juros no valor de de 5,8 mil milhões de euros. Com que dinheiro? Parabéns, acertaram. Com mais dívida.

E os mercados agora têm confiança em nós?

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2 comments on “O segredo do negócio está na dívida

  1. voza0db
    23 de Janeiro de 2013

    Um dos Pilares fundamentais do SISTEMA MONETÁRIOS e das regras que estão em vigor é a EMISSÃO DE DIVIDA… Actualmente sem emissão de divida não pode haver emissão de PAPEL MOEDA!

    Temos também os JUROS, em belo acompanhante… E que a BANCA PRIVADA domina na perfeição…

    Como já aqui deixei escrito, de forma muito simplista é certo, e muito resumida, estes são alguns dos aspectos principais que teremos que alterar se quisermos DE FACTO ALTERAR A NOSSA SOCIEDADE, e em último caso CIVILIZAÇÃO…

    Como é evidente tudo aquilo que escrevi soará para a GRANDE MANADA como uns rugidos de leoas prestes a atacar, pois não sabem como está estruturada a actual Sociedade e quem a Domina… E como tal as sugestões escritas são algo de inimaginável!

    Enfim… Parece que não aprenderam nada com o 15Set último, pois vão repetir (ou tentar) a dose… Ainda por cima a um Sábado!

    ESCRAVOS que querem mudanças, mas não estão (ainda) dispostos a PERDER um dia de trabalho (escravo), não irão longe!

    Assim realmente é difícil alterar algo!

    Abr 😉

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  2. Octopus
    24 de Janeiro de 2013

    Nem mais,

    O segredo está na dívida.

    O regresso aos “mercados” é o regresso à dívida.

    Mais dívida.

    Um Estado equilibrado não deveria necessitar de díviada. Mas o sistema monetário toma isso como um dado adquirido. O BCE empresta dinheiro a 1% de juro aos bancos e esses emprestam aos Estados a 5% ou 6%, ao abrigo do artigo 123 do Tratado de Lisboa.

    Tudo parece normal!

    Deixem-se de tretas isto não passa de um embuste.

    Abraço

    Gostar

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This entry was posted on 23 de Janeiro de 2013 by in DIANTE DOS NOSSOS OLHOS and tagged , .

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