A Arte da Omissao

Obama alinhado com Bush

Tradução do artigo Would-Be Head of CIA Ready for War on All Fronts

de Nil Nikandrov

Links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

 

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Sr. Presidente, diga-nos quem é o seu director da C.I.A., que nós lhe diremos quem você é!

Nenhum comentário poderia ser mais adequado em função da decisão de Barack Obama em colocar um apologista da tortura e de assassinatos executados por drones, no comando da agência de inteligência dos EUA.  O analista Nil Nikandrov, preenche o perfil de John O. Brennan, um homem que goza da “confiança implícita” do presidente.

| 14 de Fevereiro de 2013

O general Petraeus, chefe da CIA, renunciou devido a um caso de amor extraconjugal escandaloso. Barack Obama teve que encontrar à pressa alguém para o substituir. Veterano dos serviços secretos,  John Brennan era o candidato provável. A  nomeação para o cargo surge pela primeira vez em 2009, mas não passou. Naquela época, ele percebeu que não havia qualquer hipóteses devido  ao seu  envolvimento com as «técnicas de interrogatório duvidosas» da Cia, uso de brutal tortura, para ser mais exacto …

Quem é John Brennan? Porque parece ser insubstituível para Obama? Devo registar que Brennan é uma pessoa muito solitária: tornou-se ainda mais ao atravessar a CIA . É difícil dizer-se que tipo de homem é. Longe vão os anos românticos, quando realizou missões para provar o seu valor. Com cabelos compridos desafiadores, uma estrela como brinco e uma camisa colorida, ao estilo hippie, ele queria ver o mundo. Então foi para a Indonésia, Bahrein e Egipto. Seus estudos incluíram um  ano no exterior para aprender árabe e cursou Estudos sobre o Médio Oriente na Universidade Americana no Cairo.

De acordo com a biografia oficial, Brennan entrou para a CIA em 1980. Seus 25 anos com a CIA incluíram trabalhar como analista do Médio Oriente e Sul da Ásia, no Médio Oriente com um mandato como director do Centro Nacional Contra terrorismo. Ele foi o porta-voz diário da agência ao presidente Bill Clinton, de 1994 a 1995. Em 1996 foi director da unidade da CIA em Riade, Arábia Saudita. O foco do seu trabalho foi o combate ao terrorismo. Afinal, Bin Laden, assim como outros altos líderes da Al Qaeda, vieram da Arábia Saudita. Brennan conseguiu que alguns agentes da CIA penetrassem na Al Qaeda, olhassem as actividades de Bin Laden e usassem alguns membros da organização com interesse para a CIA (se calhar até o próprio Bin Laden – Ndt). O mesmo tipo de actividades foi realizado pela CIA no espaço pós-soviético, na Chechénia, por exemplo.

Em 1999, foi nomeado chefe do gabinete de George Tenet, então director da CIA. Brennan tornou-se director adjunto da CIA em Março de 2001. Foi director do recém-criado Centro de Integração da Ameaça Terrorista de 2003 a 2004, um gabinete que peneirou e compilou informações ultra secretas dos diários do presidente Bush e que contratou  serviços de análise de uma dúzia de agências e entidades dos EUA. O trabalho foi realmente desafiador e exigia uma capacidade de conhecer os corredores do poder no momento em que as estruturas estatais funcionavam em condições de emergência. Desde o início, Brennan entendeu que devia ignorar algumas circunstâncias estranhas sobre a forma como a Al Qaeda conseguiu entrar no Estados Unidos e actuar no território. Muitos factos não corresponderam ao quadro geral de ataque da Al Qaeda em grande escala contra um país. Talvez fosse por essa a razão que  deixou o serviço público em 2005.

Brennan tornou-se Presidente da Intelligence and National Security Alliance  (INSA) e  director executivo da The Analysis Corporation (TAC), agora renomeada para Sotera Defense Solutions. Em 2009, voltou à Casa Branca, na qualidade de conselheiro chefe de Obama em assuntos relativos a terrorismo. Brennan criticou algumas políticas anti-terrorismo da administração Bush, dizendo terem ido, por vezes, longe demais. Ainda assim, aderiu aos mesmos princípios: atirar primeiro e analisar depois. Brennan é o homem que começou a usar drones para assassinar terroristas no exterior. Às vezes, os drones são chamados da arma maravilha do século XXI. A 02 de Maio de 2011 Brennan representou a  equipe que matou Osama Bin Laden no subúrbio de Abbottabad (Paquistão). Como oficial  da Casa Branca,  supervisionou as actividades de busca e tinha alguma razão quando chamava a si algum mérito do sucesso da operação. O uso de drones  na eliminação de Osama bin Laden serviu como argumento para a sua segunda nomeação a director da Agência Central de Inteligência.

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Os protestos surgem na «audiência» da sua confirmação, aparentemente de  membros do grupo de activistas conhecidos como Code Pink. Estes, seguraram cartazes dizendo «Drones Fly Children Die» (voo de drones, morte de crianças – Ndt); Brennan  foi chamado de mentiroso, traidor, inimigo da democracia e uma ameaça à segurança nacional. As fotos tiradas no momento mostram seu rosto a tornar-se uma máscara, os olhos apertados,  lábios congelados antes de completar o que estava a dizer. 

Os manifestantes foram levados para fora da sala. As perguntas feitas pelos senadores giraram em torno de duas questões relacionadas com actividades passadas de Brennan: o terceiro grau das torturas durante os interrogatórios praticados pela CIA e a tentativa de ocultar o número de civis que perderam a vida durante os ataques dos drones. Brennan não soou muito convincente ao responder às perguntas relacionadas com as torturas e prisões secretas. Sendo na altura director-executivo adjunto da CIA responsável pelas actividades quotidianas, é difícil de acreditar que não estaria a par do que estava a acontecer. Brennan disse que viu algumas cópias de documentos sobre o programa de técnicas de interrogatório (tortura), mas que não tinha nenhuma relação com o seu trabalho.

Os  documentos foram copiados para quê? Para supervisionar a implementação do programa? Não há dúvidas sobre isso. É por isso que o argumento de não ter  autoridade para interromper o programa e manter agentes afastados  dos processos de interrogatório foi apenas um subterfúgio. Brennan estava consciente de tudo e aprovou, se não ordenou ele mesmo as torturas. Nunca lhe veio à cabeça levantar-se contra essa  prática brutal. Adversários de Brennan encontraram  algumas das suas entrevistas em que  elogiou as técnicas de interrogatório de tortura utilizados pela CIA, incluindo a simulação de afogamento.

O homem foi um dos arquitectos da controversa escalada de ataques aéreos com drones nos assassinatos de supostos militantes. Ele justificou a sua posição durante as audiências dizendo que o país tinha o direito legal de se defender e de defender as vidas de americanos. O direito é amplamente implementado sem olhar para quaisquer padrões morais ou do direito internacional. Drones atacaram  no Afeganistão, Paquistão, Iémen, Líbia, Somália e outros países. Brennan diz que não ocorreram «danos colaterais.» É uma mentira deslavada. É do conhecimento público que os drones acertam em alvos não identificados, que os ataques resultaram na morte de pessoas inocentes, incluindo crianças. Só no Paquistão, «176 crianças foram mortas» de Junho de 2004 até meados de Setembro de 2012, algumas já  no primeiro mandato do presidente Obama.

Os norte-americanos suspeitos de ligações à Al-Qaeda foram incluídos na lista de alvos. Uma nova onda de indignação ergueu-se devido à caça às bruxas. Por exemplo, em Setembro de 2011, uma operação com um drone não tripulado no Iémen matou Anwar al-Alwaki e Samir Khan, cidadãos dos EUA. Os dois nunca haviam sido acusados ​​de terrorismo, nunca tinham estado na lista dos procurados, mesmo assim foram mortos. Um memorando confidencial do Departamento de Justiça conclui que o governo dos EUA pode encomendar o assassinato de cidadãos americanos se acreditar que os alvos a abater sejam  «altos dirigentes operacionais» da Al-Qaeda ou de «uma força associada» – mesmo que não existam indicações dos serviços secretos de existir um  envolvimento directo num plano activo  de ataque aos EUA. Basta acreditar que há uma relação com a Al Qaeda, para o dedo polegar se baixar na sentença de morte. 

Hoje, ele faz de tudo para agradar aos senadores: maior transparência das actividades da CIA, informação exaustiva disponível para o Congresso, reuniões regulares com os órgãos de comunicação, etc . Corre  uma opinião por aí na imprensa,  que a atribuição do cargo a  Brennan vai mitigar a reputação manchada da CIA durante os excessos no mandato de Bush Jr.. Pressupõe-se que inúmeros  funcionários da CIA sofreram moralmente e psicologicamente ao serem  envolvidos nas torturas.

Não vai ser um mar de rosas para John Brennan. Os milhares de agentes da CIA não só recolhem informações, como  também são envolvidos em acções de combate em  condições muito piores das do Iraque ou Afeganistão. O veterano Brennan vai fazer o que  está acostumado a fazer: guerras, interrogatórios de terceiro grau, espionagem, manter informação escondida  do Congresso, ordenar ataques aéreos para matar americanos como resultado de fogo amigo, no caso das vítimas se tornarem dispensáveis ​​ou perigosas ..

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Se não se soubessem serem armas reais, poderíamos estar a falar de alguns dos filmes de ficção cientifica que os “usaram” nos seus argumentos.

A comunidade internacional, organizações do direito Internacional e dos direitos humanos, vão deixar a “coisa” rolar até  que se materializem a nível global, outros argumentos de outros filmes da mesma categoria, relacionadas com controle citadino, policiamento, abate de cidadãos (criminosos, ladrões, indignados, figuras não gratas ao sistema em vigor…..)

 

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One comment on “Obama alinhado com Bush

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