A Arte da Omissao

Alemanha, pequena UE

mapa-da-alemanha-mapas (4)Os dois Estados alemães do sul, Baviera  e  Hesse,  contribuintes líquidos  dos fundos de coesão germânica, apresentaram formalmente ao Tribunal Constitucional, o pedido de alteração do modelo de solidariedade entre as várias regiões do país. Estes dois Estados, que têm como governos, coligações formadas por democratas cristãos e liberais, (à semelhança do executivo federal, que tem ganho “grande notoriedade” com a política da austeridade na Europa), foram por ele inspirados.

OS dirigentes da CSU, partido irmão da CDU na Baviera, ao temerem que o seu resultado eleitoral nas regionais em Setembro, não seja tão brilhante, iniciaram uma campanha doméstica, com o TC alemão, porque à semelhança da Europa, não querem ajudar os Estados alemães mais pobres, invocando exageros indignos por parte deles.

A distribuição económica da Alemanha é feita por duas áreas, que são inversamente proporcionais aos desajustes na Europa. A sul ficam os mais ricos, Baviera,  Baden-Wurttemberg  e Hesse,  e que mais contribuem para o financiamento alemão. Os restantes 13 Estados, na sua maioria, dependem das transferências do fundo de coesão. No entanto, Baden-Wurttemberg, cujo governo é formado pela coligação de centro-esquerda, recusa aliar-se a esta cruzada.

A principal beneficiária do actual sistema é Berlim, que apresenta uma taxa de desemprego que é o dobro da média nacional (6,9%)  e onde 25% dos seus habitantes necessitam de ajuda social para sobreviverem. Berlim é o exemplo de um Estado à mercê dos fundos federais. No lado oposto, está a Baviera, com uma população de 12 milhões, onde o nível de emprego atinge mínimos históricos e o seu PIB é de mais de 465 mil milhões de euros. Horst Seehofer, presidente desta região, arrepende-se de ter transferido em 2012, um pouco menos de 4 mil milhões. Berlim recebeu 3 300 milhões e pondera gastar 21 900 milhões até final do ano. O segundo beneficiário é o land oriental da Saxónia.

Markus Soder, actual ministro regional das Finanças, conseguiu indignar a oposição bávara, ao ter parafraseado Hitler, ao enunciar , no passado dia 26 de Março, que tudo iria parar aos juízes de Karlsrue  (TC deles) : “Desde as 9 da manhã que o caso está tratado”. Estas declarações avivaram a lembrança da frase de Hitler quando deu conhecimento à nação do início da II guerra mundial:”Desde as 5 e 45 que estamos a responder ao fogo”.

A conhecida “união de transferências”, maldição da direita alemã no que diz respeito à integração europeia, desta vez é questionada a nível doméstico.

A  rábula diz que os europeus do Sul são preguiçosos, ao contrário dos europeus trabalhadores do norte.A   “suposta ” generosidade da Baviera tem lembrança curta. Há 60 anos, era o Estado mais atrasado da República Federal da Alemanha. Ao longo das últimas décadas, os fundos de coesão entre as regiões injectaram significativos montantes nos orçamento de Munique. Como exemplo, em 1980, o governo do Estado Livre da Baviera recebeu 206 milhões de euros em marcos. Até 1986, os responsáveis locais não reclamavam. Mas depois dessa data, mais propriamente em 1999, conseguiram forçar uma renegociação parcial do sistema e viram aprovadas algumas das propostas para pagarem menos aos seus compatriotas, quando o país ainda custeava uma elevada factura da reunificação.

O actual modelo de financiamento caduca em 2019  e entretanto terão que chegar a um acordo para o novo que venha a entrar em vigor.

Tal como na restante UE e não só, a Alemanha é cada vez mais um país desigual

Em 1995:

* 10% dos alemães mais ricos possuíam 45% da riqueza privada do país. Hoje, já excedem os 53%.

* 50% da população mais desfavorecida possuía 4% da riqueza privada. Hoje, só detém 1%

* 15% dos alemães tinham trabalho precário. Hoje, 25% (mais de 7.3 milhões), estão nessa situação.

Fonte: Visão nº 1048

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