A Arte da Omissao

liberdade de expressão

images (1)Liberdade de expressão. Aparentemente, ela é real. Na realidade, não o é. Que o diga a ex-jornalista da Exame e Expresso, Marisa Moura, que se despediu quando retiraram de um trabalho seu sobre fundos de investimento,  (censura real), um parágrafo onde referenciava uma condenação do BCP.

Marisa, coloca a  grande questão: será que a desonestidade de alguns banqueiros se manteria, se os jornalistas  deixassem de colaborar conscientemente com a mesma?

Em Fevereiro de 2010, na revista Exame foi publicada mais uma lista anual das melhores empresas para trabalhar. O  Barclays aparecia na lista preliminar das empresas a listar, posição essa que após a visita de um jornalista, poderia ser anulada.  São as regras do jogo. Marisa, altura, foi a jornalista encarregada de fazer a visita ao Barclays. E o seu veredicto foi um chumbo à entrada da empresa na lista. A direcção da revista Exame, insistiu em o incluir e para tal, a jornalista teria que elaborar  um artigo onde teria que enaltecer as “maravilhas” do  empregador Barclays.

«Reina o que os americanos resumem como ‘be the best, fuck the rest’ , foi frase polémica da jornalista. Após publicação integral do seu artigo, começaram as movimentações entre o Barclays-administração do grupo Impresa e, foram chamados ao que a jornalista intitula de “recepção”, Isabel Canha (na altura, directora da Exame) e Henrique Monteiro (director do Expresso). A Junho de 2010, realiza-se então a entrevista ao presidente do Barclays por outro jornalista,  publicada no Expresso:   título: «A ambição de estar entre os primeiros»

“Qualquer nodoazita negra que uma publicação provoque num anunciante ou credor, logo se promete um hirudoidezinho noutra do mesmo grupo. Assim se protegem bandidos e pior, se os eleva ao pedestal de bem-feitores. Assim se minam as democracias, e a humanidade. Simpatia a simpatia.Isto é só um pequeno episódio entre os muitos diários que toda a gente acha normal, incluindo o próprio sindicato de jornalistas”, escreve a jornalista sobre o artigo “maravilha”.

A Dezembro 2010, a Exame sem a consultar, retirou a frase «Todos terão de prestar mais contas, inclusive fundos de pensões como o do Millennium BCP, onde a antiga administração liderada por Jorge Jardim Gonçalves (já condenada) tentou esconder 593 milhões de euros de prejuízos do banco», de outro artigo de Marisa,  “o meu patrão é um fundo“.

«(…)também porque os dois parágrafos retirados foram substituídos por outros que constavam do texto original da autora, não é possível ao CD concluir de forma inequívoca ter-se tratado de um acto de censura.» – conclusão final do sindicatos dos jornalistas, após apresentação da queixa de Marisa.

“Ou seja: se escrever meio texto mais positivo, e a última metade mais negativa, e me cortarem a última metade toda, repaginando o texto, já não é censura porque não ficou nenhum buraco em branco e todo o texto publicado é de autoria da mesma pessoa”, regista a jornalista.

Por impulso, segundo ela, despediu-se. Hoje é uma jornalista precária, “mas honrada e melhor ainda: mais feliz e saudável”.  Numa democracia, alega Marisa, deveria exercer-se livremente sem pressões dos próprios directores (fonte)

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A censura existe. Antigamente era mais fácil lidar com ela, pois era um facto não escondido. Hoje, anda simulada e só com gestos de grande coragem e de coerência, como o da Marisa , é que a mesma será exposta e questionada.

Mais um “casamento” com o grande $. Inquestionável nesta historia de censura jornalística. É óbvio que a comunicação social, em todas as suas vertentes, foi uma das primeiras áreas a ter que ser controlada e censurada. Francisco Pinto Balsemão, que tem uma cadeira vitalícia na reunião anual do grupo Bilderberg,  foi um dos escolhidos, cá em Portugal.

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This entry was posted on 26 de Abril de 2013 by in DIANTE DOS NOSSOS OLHOS, O mundo visto ao microscópio, Portugal and tagged , , , .

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