A Arte da Omissao

O que há de comum entre o 11 de Setembro, o assassinato de JFK e o atentado de Oklahoma (1)

O ex diplomata Peter Dale Scott compara os acontecimentos do 11 de Setembro, o assassinato de JFK e o atentado de Oklahoma City. Expõe também a existência e a continuidade de um “Estado profundo” por trás da cortina.

Tradução do artigo de  Peter Dale Scott,  27 de Abril de 2013

9/11, the JFK Assassination, and the Oklahoma City Bombing as a Strategy of Tension 

Introdução: Eventos estruturais profundos e a estratégia da tensão na Itália

Do ponto de vista americano, é fácil ver  como a história italiana foi sistematicamente desestabilizada na segunda metade do século 20, por uma série de eventos, que os identifico como eventos estruturais profundos. Tenho-os assim definido, o assassinato de JFK, o arrombamento do Watergate, ou o 11/9, pois violaram repetidamente a sociedade (tiveram grande impacto na estrutura social), envolveram  violação da lei ou violência e, em muitos casos procedem de uma força escura desconhecida. “[1]

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Atentado em Bolonha

Os exemplos da Itália, bem conhecidos pelos italianos, incluem o atentado da Piazza Fontana em 1969, o atentado da Piazza della Loggia em 1974 e o do comboio em  Bolonha no ano de 1980. Estes, nos quais mais de uma centena de civis morreram e muitos mais feridos, foram atribuídos, na altura, a marginais da esquerda da sociedade. No entanto e, principalmente graças  a uma série de investigações e processos judiciais, é hoje sabido que os atentados foram obra de elementos de extrema-direita em conluio com a inteligência militar italiana, fazendo parte de uma “estratégia para gerar tensão” em curso com o fim de desacreditar a esquerda italiana e incentivar o apoio a um status quo corrompido. [2] Vincenzo Vinciguerra, um dos conspiradores, declarou mais tarde: “O atentado de Dezembro 1969 era para ser o detonador que teria convencido as autoridades políticas e militares a declarar o estado de emergência”. [3]

Vinciguerra também revelou que ele e outros tinham sido membros de uma rede paramilitar “stay-behind“,  originalmente organizada no final da II Guerra Mundial pela CIA e  NATO  e conhecida como  “Operação Gladio“.

Em 1984, questionado pelos juízes sobre o atentado de Bolonha em 1980, Vinciguerra disse: “Com o massacre de Peteano  e com todos os que se seguiram,  já deveria  ser  claro que existia uma verdadeira estrutura viva, oculta e escondida,  com a capacidade de criar uma direcção estratégica para os ultrajes … [ela] está dentro do próprio Estado … Existe na Itália uma força secreta paralela às forças armadas, composta por civis e militares, que resistem em solo italiano contra o exército russo … uma organização secreta, uma super organização com uma rede de comunicações, armas e explosivos e com homens treinados para os usar … uma super organização que, na falta de uma invasão militar soviética, que pode não acontecer, assumiu a tarefa, em nome da NATO,  de impedir o deslizamento para a esquerda no equilíbrio político do país. E les fizeram isso, com a ajuda dos serviços secretos oficiais e das forças políticas e militares. [4]

Ligações à Gladio sustentadas por falsas bandeiras, envolvendo a NATO e CIA, foram posteriormente reveladas noutros países, nomeadamente na Bélgica e Turquia. [5]

O propósito original da Gladio foi o de consolidar a resistência no caso de uma “tomada” Soviética. Mas muitos dos italianos seniores envolvidos nos atentados, estavam também envolvidos com a  CIA e  NATO:

O general Miceli Vito, chefe da inteligência militar italiana, depois de ser preso em 1974, sob a acusação de conspiração para derrubar o governo, declarou que “a organização incriminada, … foi formada sob um acordo secreto com os Estados Unidos e no âmbito da NATO “.

O ex-ministro da Defesa italiano, Paulo Taviani, disse ao Magistrado Casson durante uma investigação em  1990, “que durante seu mandato (1955-1958), os serviços secretos italianos foram comandados e financiados pelos ‘meninos na Via Veneto’- ou seja, por agentes da CIA na embaixada dos EUA, no coração de Roma. “

Em 2000, “um general italiano dos serviços secretos,  Giandelio Maletti disse … que a CIA aprovou a tácita  usada  numa série de atentados à bomba na Itália durante a década de 1970,  para semear a  instabilidade e manter os comunistas afastados do poder ….” A CIA queria, através do nascimento de um nacionalismo extremo e com a contribuição da extrema direita, especialmente pela Ordine Nuovo, parar o deslize da Itália para a esquerda ” [6]

Daniele Ganser, no seu importante livro, Nato’s Secret Armies (exércitos secretos da NATO),  avalizou um relatório espanhol que, em 1990, o Secretário Geral da NATO, Manfred Wörner (um político e diplomata alemão) secretamente confirmou que a sede da NATO, SHAPE, era de fato responsável:

The Supreme Headquarters Allied Powers Europe  (SHAPE),  órgão dirigente do aparato militar da NATO, coordenou as acções da Gladio, de acordo com as revelações do Secretário-Geral Manfred Wörner da Gladio, durante uma reunião com os embaixadores de 16 nações aliadas da NATO. [7] 

Extrapolando com base neste testemunho, Ola Tunander comparou a estratégia de tensão na Itália, com os seus atentados sustentados por falsas bandeiras, como “o que a elite militar turca descreveu: correcção do curso da democracia pelo ” deep state’ “[expressão turca].”[8]

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Mas eu acho que seria muito simplista analisar e culpar a estratégia italiana de gerar tensão exclusivamente à “super organização“ relatada por Vinciguerra que … assumiu várias tarefas [atentados sustentados por falsas bandeiras, em nome da NATO”.  Parece terem existido outras forças para além da NATO e Vinciguerra estava ciente dela,  SISMI. É importante relembrar que nos julgamentos italianos dos condenadas pelo atentado de  Bologna em 1980, não se encontrava só Vinciguerra, SISMI ou Gladio. Encontravam-se também elementos da máfia italiana (Banda della Magliana) e a Loja Maçónica-Propaganda Due (P-2), com links a banqueiros criminosos e ao Vaticano. [9] (Ver Dossier Berlusconi)

Em suma, se sugerimos que algo como o deep state esteve envolvido na estratégia italiana de gerar tensão, tal não sugere a solução para o mistério italiano, tanto como a  zona ou a rede de bloqueio, temas para futuras pesquisas.

[1] Peter Dale Scott, “The Doomsday Project and Deep Events: JFK, Watergate, Iran-Contra, and 9/11,” The Asia-Pacific Journal: Japan Focus, November 21, 2011, .

[2] Daniele Ganser, Nato’s Secret Armies: Operation Gladio and Terrorism in Western Europe (New York: Routledge, 2005); Philip Willan, Puppetmasters: The Political Use of Terrorism in Italy (London: Constable, 1991).

[3] Vincenzo Vinciguerra, in “Strage di Piazza Fontana spunta un agente USA,” La Repubblica, February 11, 1998 .

[4] “Secret agents, freemasons, fascists . . . and a top-level campaign of political ’destabilisation,’” The Guardian, December 5, 1990 ; quoted in Daniele Ganser, NATO’s Secret Armies: Operation Gladio and Terrorism in Western Europe (London: Frank Cass, 2005), 7.

[5] Ganser, NATO’s Secret Armies, 125-47, 224-44.

[6] Peter Dale Scott, The Road to 9/11 (Berkeley: University of California Press, 2007), 181. Cf. Ganser, NATO’s Secret Armies, 6.

[7] Ganser, Nato’s Secret Armies, 26; citing El Pais, November 26, 1990.

[8] Tunander, “The War on Terror,” 164.

[9] Cf. Peter Dale Scott, American War Machine (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2010), 30: “In February 1989 Italian Special Prosecutor Domenico Sica asserted that responsibility for at least some of the terror bombingsduring the past decade lay also with the Mafia—that is, what I am referring to as the global drug connection.”

Nota: Frases  e  realces desta cor são da minha responsabilidade

Parte 1 Parte 2 continua …

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