A Arte da Omissao

Segurança Social obrigada a comprar títulos da dívida pública portuguesa – Portaria

Dei-me ao trabalho de fazer uma procura na net por Portaria n.º 216-A/2013, e além de muitos blogs e o site Economia e Finanças, não consegui encontrar um só canal informativo alinhado que tenha informado o povo Portutgues de mais este saque. Só com um boicote a esta corja de comunicação social vendida, com uma baixa a sério de audiência, fazer com que entre menos nesse bolso do Sr. Pinto Balsemão e não só, é que acordarão para a vida. Para isso acontecer, nós também temos de acordar para a vida e agir com as armas que temos. O boicote seria uma delas. Só quando se mexe nos bolsos deles é que de imediato levantam a cabeça para saber quem os está a “tocar”.

Eis a célebre portaria que o observador/executor  interno da Troika preparou antes de dar cordas aos sapatos.

MINISTÉRIOS DAS FINANÇAS E DA SOLIDARIEDADE E DA SEGURANÇA SOCIAL
Portaria n.º 216-A/2013 de 2 de julho
O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), nos termos da Lei de Bases da Segurança Social, pretende acumular reservas até que assegure a cobertura das despesas previsíveis com pensões, por um período mínimo de dois anos, com o objetivo, nos termos do disposto no Decreto-Lei n.º 367/2007, de 2 de novembro, de contribuir para o equilíbrio e sustentabilidade do Sistema Previdencial.
O regulamento de gestão, aprovado pela Portaria n.º 1273/2004, de 7 de outubro, define, ainda, como objetivo o ajustamento do regime financeiro do sistema público de Segurança Social às condições económicas, sociais e demográficas.

O regulamento define os limites mínimos e máximos de investimento por classe de ativos, tendo subjacente uma política de investimentos que visa a obtenção a médio prazo da maximização dos valores investidos, considerando níveis de volatilidade similares aos da carteira de dívida pública do Estado Português. Tendo em vista garantir investimentos em mercados dotados de níveis adequados de transparência e de supervisão, o mesmo regulamento de gestão limita os investimentos
do FEFSS a ativos com origem em Estados-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Atualmente, 55% da carteira do FEFSS está investida em dívida pública portuguesa e 25% em dívida pública de outros Estados da OCDE. Existe ainda uma parcela de 17% investida em ações de empresas estrangeiras.
Sucede que, nas atuais condições, os mercados de dívida pública dos Estados membros da OCDE apresentam níveis de taxas de juro particularmente deprimidos pelos efeitos das políticas monetárias recentemente conduzidas pelas autoridades dos Estados com maior representatividade nos mercados de dívida. Tal situação representa uma diminuição das oportunidades de rendibilidade futura para o FEFSS e um risco acrescido de desvalorização dos investimentos em dívida pública antes realizados. Acresce que no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira, os pressupostos considerados na análise de sustentabilidade da dívida pública assumem a alienação de ativos sobre o estrangeiro da carteira do FEFSS e a respetiva conversão em dívida pública portuguesa.

Atenta esta situação, entende o Governo que o FEFSS deve desinvestir em ativos de outros Estados da OCDE por contrapartida da aquisição de dívida pública portuguesa.
Assim, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 203/2012, de 28 de agosto, bem como no uso dos poderes de tutela e superintendência, previstos no n.º 2 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 203/2012, de 28 de agosto, e 42.º da Lei n.º 3/2004, de 15 de janeiro, e após ouvido o conselho  consultivo do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, IP, manda o Governo, pelos Ministros de Estado e das Finanças e da Solidariedade e da Segurança Social, o seguinte:

Artigo 1.º

Objeto
O conselho diretivo do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, IP, procede à substituição dos ativos em outros Estados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) por dívida pública portuguesa até ao limite de 90% da carteira de ativos do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS).
Artigo 2.º
Reavaliação
Os resultados da política de investimento resultante do disposto no artigo anterior serão reavaliados até ao final de 2015.
Artigo 3.º
Entrada em vigor e produção de efeitos A presente Portaria entra em vigor no dia seguinte ao da
sua publicação, produzindo efeitos à data da sua assinatura.

Em 1 de julho de 2013.
O Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Louçã Rabaça Gaspar. — O Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Luís Pedro Russo da Mota Soares (fonte)

«Os trabalhadores por conta de outrem são obrigados a comprar com as suas poupanças (as quotizações para a Segurança Social) títulos da dívida pública que os sufoca. E depois, através dos impostos, eles próprios vão pagar os respectivos juros que deviam receber! Em suma: os trabalhadores ficam obrigados por lei a comprar a corda que vai enforcá-los.» Mais aqui.

Ainda restam dúvidas do que é pretendido fazer em Portugal?

Isto já não vai nem com engodos dos acordos de salvação nacional. Temos votar Não a esta classe política vendável aos poderes económicos, sem um mínimo de Patriotismo. Aguardo com esperança, que  o  escândalo espanhol nos contagie, pois cá não faltarão iguais falcatruas.

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2 comments on “Segurança Social obrigada a comprar títulos da dívida pública portuguesa – Portaria

  1. Ricardo
    17 de Julho de 2013

    Portugueses, ACORDEM, PORRA!!!!

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  2. Chatice
    18 de Julho de 2013

    Ainda o ex-ministro diz que a sua acção foi um falhanço, mas quem acha que está a falar, porra?! Desta forma ele conseguiu realizar o seu objectivo e ainda nem se discutiu o assunto, no meio de toda esta inocente confusão. Filhos-da-puta!!!
    Temos de arranjar um Glass Stegall já.

    Gostar

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