A Arte da Omissao

o novo confronto militar Leste-Oeste

VOLTAIRE NETWORK | ROMA (ITÁLIA) | 14 de Agosto de  2013 

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Desde que Putin voltou à presidência, a Rússia tem reforçado a sua “retórica antiamericana” usando os “velhos estereótipos da Guerra Fria”, assim disse o presidente Barack Obama depois de cancelar um conjunto de reuniões para Setembro.

A palha que fez transbordar a água do copo, foi o asilo que a Rússia concedeu a Edward Snowden, acusado de ter trazido à luz do dia, evidências de que as agências de inteligência dos EUA espionam tudo e todos. Mas há algo mais. Moscovo opõe-se ao “escudo antimíssel”, que permitirá que os EUA possam lançar um primeiro ataque nuclear sabendo que poderá neutralizar o ataque de retaliação. A Rússia também se opõe à expansão da NATO para o leste e ao plano EUA / NATO para demolir a Síria e o Irão, fazendo parte de uma estratégia que tem como alvo a região da Ásia-Pacífico. Moscovo vê tudo isso como uma tentativa de obter uma vantagem estratégica clara sobre a Rússia (bem como sobre a China).

São estes os “velhos estereótipos da Guerra Fria”? Não tenho tanta certeza, considerando o programa da NATO anunciado a 8 de Agosto, que promete “os mais ambiciosos e frequentes exercícios militares”, especialmente perto da Rússia.

De 25 de Agosto a 5 de Setembro, caças-bombardeiros da NATO (incluindo os italianos), com capacidade convencional e nuclear, vão participar na Noruega, no exercício “Brilliant Arrow (seta Brilhante)». Isto é, sob o comando de aeronaves aliadas, cujo chefe recém-nomeado é o general Frank Gorenc, comandante americano da Força Aérea na Europa. Este será seguido em Novembro pelo exercício da força aérea, “Jazz Steadfast”, com caças-bombardeiros da NATO mobilizados na Polónia, Lituânia e Letónia, na fronteira com a Rússia. De Setembro a Outubro, navios de guerra da NATO vão participar no grande exercício “Brilliant Mariner” no Mar do Norte e Mar Báltico. Outros navios de guerra da NATO também serão colocados no Mar Negro. Já em Julho, ocorreu o exercício “Sea Breeze 2013”, no qual a marinha de dez países (incluindo a Itália) participaram, sob as ordens do comandante das forças navais dos EUA na Europa, que, ao mesmo tempo comanda a Força Conjunta Aliada em Nápoles. (Meu Deus, tanto exercício!!)

Os aliados dos Estados Unidos e da NATO vão, portanto, aumentar a pressão militar sobre a Rússia, que, como é óbvio, não limita a sua resposta ao que Obama chama de “retórica antiamericana”. Depois dos EUA terem decido também instalar o míssil “escudo” na ilha de Guam, no Pacífico ocidental, o comando das forças estratégicas da Rússia anunciou que está a ser construído um novo míssil de 100 toneladas”, capaz de superar qualquer sistema de defesa antimíssel”. Ainda este ano, a Rússia irá realizar 16 lançamentos experimentais de mísseis balísticos intercontinentais de vários tipos. E já na água, está o primeiro da nova classe de submarino nuclear Borey, 170 metros de comprimento, capaz de atingir uma profundidade de 450 metros, armados com 16 mísseis Bulava com um raio de 9,000 km e cada um com 10 ogivas múltiplas independentes, capazes de manobras para evitar mísseis interceptores. O novo submarino é um dos oito que a Marinha russa receberá até 2020 (para substituir os anteriores), juntamente com 16 submarinos multi-funções e 54 unidades de superfície. 

Em relação as informações anteriores, os meios de comunicação europeus, especialmente os italianos, que são os campeões da desinformação, têm estado praticamente em silêncio. Assim, a grande maioria das pessoas tem a impressão de que a guerra ameaça só regiões “turbulentas”, como o Oriente Médio e Norte da África, e nem se perceber que a “pacífica”  Europa está mais uma vez, na esteira da estratégia dos EUA, a primeira linha de um confronto militar que não é menos perigoso do que durante a Guerra Fria.

Tradução do artigo, The new East-West military confrontation

Nota: Realces e frases nesta cor são da minha responsabilidade.

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This entry was posted on 16 de Agosto de 2013 by in A arte da Guerra, Nato, USA and tagged , , .

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