A Arte da Omissao

rei saudita apoia militares egípcios que desafiam Washington

Este site (rede voltaire) foi um dos poucos a denunciar que a retirada forçada de Mohamed Morsi do Egipto pelos militares,  foi realizada com o firme apoio secreto da Arábia Saudita e de vários estados do petróleo do Golfo, num desafio directo à agenda de Washington. O mesmo foi agora confirmado pelo rei saudita Abdullah numa declaração aberta de apoio à ação militar do Egito contra o que o rei chamou de “terroristas.” É a declaração mais aberta até à data em que é evidenciada uma enorme e aprofunda racha entre Washington e os sauditas numa escala sem precedentes desde os acordos de 1945 entre o presidente dos EUA, Roosevelt e, na altura, o rei Ibn Saud.

VOLTAIRE NETWORK | FRANKFURT (ALEMANHA) | 20 de Agosto 2013 

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Na sua declaração oficial de 16 de Agosto 2013, o rei Abdullah disse: “O povo e governo do Reino da Arábia Saudita, levantaram-se e estão com os nossos irmãos no Egito na luta contra o terrorismo, extremismo,  sedição e contra quem está a tentar interferir nos seus assuntos internos … ” O fim do apelo de Obama pelo “diálogo” entre o exército e a Irmandade.

O apoio da Arábia ao general Abdul Fattah al-Sisi, ministro da Defesa do Egipto, foi de imediato também apoiado pela Jordânia e Emirados, depois de vários dias de violentos protestos pelos partidários da Irmandade Muçulmana em várias cidades egípcias e de centenas de mortes resultantes dos confrontos entre militares e partidários da Irmandade que exigem o retorno de Morsi. Os governos da NATO liderados por Washington, ao mesmo tempo tentaram aumentar a pressão sobre o governo provisório para restabelecer Morsi e o seu governo “democraticamente eleito”.

Os EUA cancelaram exercícios militares conjuntos com o Egito e advertiram que os “tradicionais” laços militares com os EUA estavam em risco se a força militar se recusar a ceder.  Angela Merkel telefonou ao residente francês Hollande a 16 de Agosto e ambos pediram uma “revisão” das relações da UE com o Egito. O que está claro com as reações de Washington e da EU até à data é que eles são pressionados a fazer alguma coisa. A UE está ansiosa para inflamar os líderes sauditas a outro embargo do petróleo, como foi feito em Outubro de 1973 na guerra Yom Kippur. Agora, o apoio aberto pelo rei saudita Abdullah à repressão militar criou uma dimensão inteiramente nova para a crise.

Dilema de alto risco de Erdogan

O mais notável neste desdobramento da luta pelo poder, que agora tomou dimensões internacionais, é o fato de uma das vozes isoladas islâmicas, o primeiro Ministro turco Tayyip Erdogan, condenar a intervenção militar egípcia de 3 de Julho. Seu governo ameaçou suspender as relações com o Egipto perante a repressão aos partidários da Irmandade Muçulmana. De acordo com relatos turcos privados a este editor, o partido islâmico AKP de Erdogan, que se acredita ser uma irmã da Irmandade Muçulmana, venceu a última eleição com a ajuda de uns alegados 10000 milhões dólares de “contribuição para a campanha “da Arábia.

O fracasso de Erdogan como procurador militar de Washington, há dois anos na eliminação planeada de Bashar al Assad da Síria e a sua substituição por uma Irmandade Muçulmana,  causou-lhe grandes problemas internos, incluindo protestos e pedidos para a sua demissão nos últimos meses. Ao tomar partido contra a vontade clara saudita em se livrar da ameaça da Irmandade Muçulmana em todo o mundo islâmico, vai isolar-se de um dos seus maiores, senão o maior contribuinte financeiro. (Tio SAM e seus capachos ocidentais disfarçados de cordeiros, ainda não desistiram

A guerra na Síria, que agora está abertamente a ser travada pelas afiliadas da al-Qaeda e de facto apoiadas pelos EUA, (afinal quem é o terrorista?) tem sido um grande revés para a estratégia americana de mudança de regime em todo o mundo islâmico para a Fraternidade Muçulmana.

O Emir do Qatar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani, o maior financiador da guerra contra Assad da Síria e patrocinador da organização Irmandade Muçulmana, surpreendentemente abdicou do trono em favor do seu filho mais moderado, Tamim, evidentemente, não querendo arriscar a ira do seu grande vizinho da Arábia Saudita. Essa mudança de regime de Qatar isola ainda mais a Turquia na região.

Neste ponto, e já está claro, que apesar de tudo, os EUA não pretendem abandonar o seu apoio à Irmandade Muçulmana, nem no Egipto nem na Síria nem em todo o “arco da crise” islâmica desde o Afeganistão até Marrocos. O futuro da super dominação americana como única superpotência, está irreversivelmente ligado ao Grande Projeto do Oriente Médio, nome dado pela administração de George W. Bush em 2003, após a invasão do Iraque. O que há de novo agora para quem planifica em Washington é que o ex estados “vassalos” e condescendentes como a Arábia Saudita ou Egipto,  recusam-se a seguir os ditames de Washington e Washington evidentemente, tem de descobrir um “Plano B” para tal situação.   (fonte)

Nota: frases desta cor são da minha responsabilidade

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