A Arte da Omissao

Turquia : o golpe judicial do AKP

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Tradução do artigo de Thierry Meyssan, “Turkey : The AKP’s Judiciary Coup

O veredicto do julgamento «Ergenekon» não levantou qualquer clamor internacional. Na melhor das hipóteses a imprensa destacou a divisão que surgiu num país entre os que são a favor de uma sociedade laica e os a favor da Irmandade Muçulmana. Para Thierry Meyssan, este julgamento é a imagem da justiça “excepcional” que termina com a prisão de todos os líderes anti-EUA: tratou-se de um golpe.

Rede Voltaire | Damasco (Síria) | 19  de Agosto de  2013 

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A 5 de Agosto de 2013, 0 veredicto do julgamento Ergenekon entregou na prisão de Silivri, 275 militares, jornalistas e líderes políticos acusados de conspiração contra o Estado e condenou-os a penas de prisão pesadas.

Este julgamento não atendeu aos padrões de justiça democrática: foi conduzido por promotores especiais antes de tribunais especiais numa prisão construída especificamente para este fim. Muitos documentos citados, supostamente apreendidos durante as buscas foram definidos como falsos pelos réus. As testemunhas de autenticação têm permanecido anónimas.

Os condenados têm em comum uma forte oposição à hegemonia dos EUA e sempre foram membros do Partido dos Trabalhadores (Kemalist-Maoista) (ISCI Partisi) ou no caso dos militares desde o desaparecimento da URSS. Apesar de representarem apenas uma pequena minoria da oposição ao partido AKP,  formam um movimento que é ideologicamente capaz de combater a adesão da Turquia na NATO e ao compromisso do seu país na guerra secreta contra a Síria.

Em contrapartida, o governo e seguidores políticos de Recip Tayyip Erdogan formam o equivalente turco do que foi a democracia cristã italiana: um apoio total à Aliança atlântica, recusando ser uma versão «light» de um partido confessional. Na realidade, os democratas cristãos italianos estruturaram-se em torno de lojas maçónicas e foram financiados pela máfia. Da mesma forma, o partido AKP turco está estruturado em torno da Irmandade Muçulmana, que em segredo nada  tem nada a invejar à loja maçónica P2 e é financiado com o saque no norte da Síria.

Em 2003, o Parlamento opunha-se ao ataque ao Iraque pela NATO a partir da Turquia, até negou à Aliança o uso das suas bases turcas, algo que nenhum outro Estado-membro da NATO tinha feito nem mesmo a Alemanha ou a França.

Em contraste, em 2012 Erdogan (Primeiro Ministro turco – Ndt) propôs  e obteve a instalação em território turco, Izmir, de um dos mais importantes centros de comando da Aliança, o Landcom, responsável por todas as forças terrestres dos seus 28 Estados-Membros com o fim de invadir e destruir a vizinha Síria.

As ligações entre o Estado turco e a máfia ficaram bem conhecidas desde o «acidente Susurluk» (1996),  quando o chefe da contra-insurgência e traficante de drogas Husseyin Kocadag, Abdullah Catlin

Neste, Husseyin Kocadag líder do «Gray Wolves» da extrema-direita e traficante de drogas em fuga, Abdullah Catlin e sua amante que contrataram o assassino Gonca Us, morreram no carro do deputado conservador e barão da droga, Sedat Bucak. Essas ligações estendem-se até os dias de hoje com a pilhagem da Síria, onde mais de mil fábricas foram desmanteladas, roubadas e levadas para a Turquia e, onde muitos recursos arqueológicos estão a ser vendidos ilegalmente em Antioquia, sob a protecção do Estado.

Depois de doze anos do governo do AKP, a Turquia detém o recorde mundial de oficiais seniores presos (mais de 2/3 terços dos generais e almirantes), líderes políticos – incluindo jornalistas parlamentares – e advogados. Um símbolo de duplos padrões, esse Estado é no entanto, considerado ainda como uma “democracia”, ainda é um membro da NATO e continua a discutir o processo para a sua adesão à União Europeia.

A estratégia do ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu para tirar o país da crise desde a dissolução do Império Otomano, inicialmente foi um sucesso mas acabou por se transformar num pesadelo. A prematura certeza do colapso e desmembramento da Síria levou o AKP a agir com arrogância, brigando novamente com cada um de seus vizinhos.

Durante o período de melhoria nas suas relações internacionais a Turquia teve um crescimento económico espectacular: 9,2% em 2010. Erdogan prometeu tornar o país o 10º maior produtor mundial. Ai de mim! Após as guerras na Líbia e na Síria, o crescimento caiu para 2,2% em 2012 e poderá transformar-se numa recessão em 2013.

Enquanto o estabelecimento da sua ditadura se desenrolava o AKP mudou a sua política e reduziu a sua base popular. Nas eleições legislativas de Junho de 2012 teve 49,83% dos votos, que ainda garantiram a maioria na Assembleia Nacional. Mas, com a aplicação das orientações da Irmandade Muçulmana para “islamizar a sociedade”, ele tem-se afastado dos Alewis, dos curdos e das organizações sunitas pró-seculares do país. Tornou-se assim numa minoria, como mostrado pela onda de protestos de Junho na Praça Taksin e doravante desce  para o autoritarismo. (fonte)

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This entry was posted on 29 de Agosto de 2013 by in Turquia and tagged , , , , .

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