A Arte da Omissao

Racionalidade ocidental

Se gostaram do incidente do Golfo de Tonkin, da Guerra do Vietname, das incubadoras do Kuwait, da primeira Guerra do Golfo, do massacre de Racak, da guerra no Kosovo, das armas iraquianas de destruição em massa, a segunda Guerra do Golfo, das ameaças à Benghazi e a guerra da Líbia, então ireis gostar do gaseamento de civis em Ghouta e do bombardeamento à Síria.

VOLTAIRE NETWORK | DAMASCO (SÍRIA) | 7 de Setembro  2013 

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Num comunicado divulgado pela Casa Branca, o director da Inteligência dos EUA, James Clapper, disse que a 21 de Agosto de 2013, 1.429 pessoas foram mortas num ataque químico em massa em doze localidades nos subúrbios de Damasco [1].

De acordo com notas desclassificadas do coordenador de inteligência Alain Zebulom [2], os serviços secretos franceses não puderam proceder, localmente, ao balança das vítimas[2]. No entanto, viram cerca de 281 vítimas em vídeos, enquanto a organização francesa “não-governamental”, Médicos Sem Fronteiras, contaram 355 nos hospitais.

Todos os serviços de informação dos aliados referem-se aos vídeos. Assim, os americanos colheram cerca de uma centena no youtube enquanto os franceses só descobriram 47.

Washington e Paris consideram-nos todos autênticos. No entanto, alguns deles foram carregados no youtube às 7:00 da manhã, hora de Damasco (o que explica estarem datados de 20 de Agosto, pois o youtube tem sede na Califórnia), e onde é visível quase um sol do meio-dia, o que implica que as filmagens foram gravadas com antecedência [3 ].

Todos os observadores têm notado a grande proporção de crianças entre as vítimas. Os Estados Unidos contaram 426, ou mais de um terço. Alguns observadores, não os dos EUA nem dos seus homólogos franceses, ficaram intrigados ao descobrir que as vítimas eram quase todos da mesma idade e não tinham famílias a chorarem por elas. Mais estranho ainda, o gás só teria morto crianças e homens adultos, e assim teria poupado mulheres.

A grande difusão através dos canais de satélite das imagens das vítimas, permitiu que  famílias alauítas, nos arredores de Latakia, reconhecessem as suas crianças, raptadas duas semanas antes pelos «rebeldes». Esta identificação demorou a chegar porque há poucos sobreviventes do massacre levado a cabo pelos aliados dos Estados Unidos, o Reino Unido e a França em aldeias leais ao governo Síria, onde mais de mil corpos de civis foram descobertos em valas comuns.

Norte-americanos, britânicos e franceses concordam que as vítimas foram mortas com gás que poderia ser sarin ou conter sarin. Afirmam basear-se nas suas próprias análises, realizadas nos seus laboratórios com amostras recolhidas por cada um dos seus serviços secretos. No entanto, os inspectores das Nações Unidas, que foram ao local para recolher outras amostras darão o seu veredicto dentro de uma dúzia de dias. De fato, as análises realizadas pelos norte-americanos, britânicos e franceses são estranhas para a comunidade científica mundial, porque a analise das amostras requer um período muito mais longo.

Sendo claro que as crianças morreram de envenenamento químico, não é de modo algum certo que foram gaseados. Os vídeos mostram que as mesmas expeliam pela boca uma espuma branca enquanto o sarin provoca emissões de espuma amarelas.

As três potências ocidentais também concordaram em atribuir a responsabilidade por este evento às várias extensões do exército árabe sírio. O Diretor de Inteligência dos EUA diz que os seus serviços observaram militares sírios, durante os quatro dias anteriores, a misturar produtos químicos. O presidente do Comité de Inteligência britânico, Jon Day, assegura que não é o primeiro ataque químico que exército sírio faz e que já usou gás 14 vezes desde 2012 [4], o que equivale a dizer que são tantos quantos os relatados com o uso de armas químicas pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra do Golfo.

As revelações dos serviços secretos dos EUA, britânicos e franceses são corroboradas por uma interceptação telefónica. De acordo com essa narrativa, um alto funcionário da Defesa sírio teria feito uma chamada em pânico para o chefe da unidade de gases químicos, a referir-se ao massacre. No entanto, a interceptação não foi feita pelos americanos, ingleses ou franceses, mas sim fornecida pela Unidade 8200 do Mossad israelita. [5]

Em resumo, os serviços norte-americanos, britânicos e franceses estão 100% certos de que o exército árabe sírio gaseou um número desconhecido de civis:

  1. Para isso, teria sido usado um novo tipo do velho gás sarin que não afectou mulheres.
  2. Durante quatro dias, os Estados Unidos observaram a preparação do crime, sem intervir.
  3. o gás magico matou crianças que, segundo testemunhos de familiares, foram sequestrados por jihadistas duas semanas antes a mais de 200  quilómetros de distância.
  4. Os eventos são dados a conhecer através de filmes reais, alguns publicados com antecedência no YouTube.
  5. Eventos confirmados por uma interceptação telefónica produzida pelo inimigo israelita.
  6. Os serviços secretos ocidentais têm um método secreto para a identificação de gás sarin, sem passar pela análise de uma cultura com tecido humano.
  7. O regime sírio ao levar a cabo o décimo quinto ataque químico, cruzou  a “linha vermelha” e tem de ser “punido” com bombardeamentos que o vão privar dos seus meios de defesa.

No direito internacional, a propaganda de guerra é o crime mais grave, porque torna todos os outros crimes possíveis. (fonte

Thierry Meyssan

[1] ” U.S. Government Assessment of the Syrian Government ’s Use of Chemical Weapons on August 21, 2013 “, Voltaire Network, 30 August 2013.

[2] ” Summary of the French Information about the chemical attack of 21 August 2013 “, Voltaire Network, 2 September 2013.

[3] ” About videos of the massacre of August 21s “, Voltaire Network, 30 August 2013 .

[4] ” Letter From the Chairman of the UK Joint Intelligence Committee on Syria “, Voltaire Network, 29 August 2013.

[5] “Israel’s role in the announcement of the attack against Syria”, Translation Alizée Ville, Voltaire Network, 1 September 2013.

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This entry was posted on 9 de Setembro de 2013 by in A arte da Guerra, Israel, O mundo visto ao microscópio, Síria, USA and tagged , , .

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