A Arte da Omissao

O gás secreto israelita

Tradução do artigo, Le secret des gaz israéliens, de Thierry Meyssan

Foram as pesquisas israelitas sobre armas químicas e biológicas, que historicamente empurraram a Síria a rejeitar a Convenção da proibição de armas químicas. É por isso, que a assinatura de Damasco deste documento, arrisca fazer luz sobre a existência e, possivelmente, a continuação, das investigações sobre as armas selectivas destinados a matar unicamente populações árabes.

Rede VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 15 de Setembro  2013 

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Dr. Basson Wounter na seu segundo processo, em 2011. Ele dirigiu o programa de investigação secreta de armas químicas e biológicas liderado conjuntamente por Israel e África do Sul do apartheid, de 1985 a 1994.

Os órgãos de comunicação ocidentais parecem surpresos com a reviravolta dos Estados Unidos em relação à Síria. Enquanto todos, há duas semanas, anunciavam a campanha de bombardeamento e a queda inevitável do “regime”, perderam o pio perante o recuo de Barack Obama. No entanto, era provável, como escrevi nestas colunas, que o envolvimento de Washington na Síria deixasse de ter importância estratégica. A sua política atual é guiada principalmente pelo desejo de preservar o seu status de única superpotência.

Levando à letra o que originalmente era uma piada de John Kerry, quando propôs a adesão da Síria à Convenção da Proibição de Armas Químicas, Moscovo satisfez a retórica de Washington, sem que os USA tivessem de fazer mais uma guerra em tempos de crise económica. Os Estados Unidos mantêm o seu status em teoria, mesmo que todos vejam que quem dirige agora o jogo é a Rússia.

As armas químicas têm duas finalidades: militar ou para exterminar uma população. Foram usadas nas batalhas de trincheiras da Primeira Guerra Mundial  e na agressão do Iraque contra o Irão, mas são inúteis na guerra moderna, onde as frentes estão sempre em movimento. Foi  com alívio que, 189 Estados assinaram a Convenção de 1993 que as proibiu : desta forma, eles poderiam livrar-se do stock perigoso e desnecessário, cuja custódia lhes ficava dispendiosa.

O segundo objetivo é o extermínio de civis que antecede a colonização do seu território. Assim aconteceu em 1935-1936, quando a Itália fascista conquistou uma grande parte da Eritreia, exterminando a sua população com gás mostarda.

Nesta perspectiva colonial, de 1985 a 1994, Israel financiou secretamente as pesquisas do Dr. Wouter Basson no laboratório de Roodeplaat (África do Sul). O seu aliado, o regime de apartheid, pretendia desenvolver substâncias químicas e biológicas, que eliminassem pessoas de acordo com as suas características “raciais”, quer fossem Palestinos em particular, árabes em geral ou pessoas com a pele negra. A Comissão de Verdade e Reconciliação não foi capaz de determinar os resultados obtidos por este programa, nem o que lhes sucedeu. Mas conseguiu provar o envolvimento secreto neste enorme projeto,  dos Estados Unidos e  Suíça. Foi demonstrado que milhares de pessoas morreram como cobaias nas mãos de Basson.

Se entendermos os motivos pelos quais, nem a Síria nem o Egito assinaram a Convenção em 1993, a oportunidade oferecida por Moscovo a Damasco de a assinar agora, é um bónus: não somente  põe um fim à crise com os Estados Unidos e França, como também lhe permite que se livre de stocks desnecessários cada vez mais difíceis de defender. Para todos os efeitos o presidente al-Assad especificou que a Síria agiu desta forma a pedido da Rússia, não pela pressão dos Estados Unidos, maneira elegante de realçar a responsabilidade de Moscovo numa futura protecção do seu país, perante um eventual ataque químico vindo de Israel.

De fato, a colónia judaica da Palestina nunca ratificou a Convenção. Esta situação pode rapidamente tornar-se num peso político para Tele Avive. É por isso que John Kerry foi lá hoje, domingo, para a discutir com Benjamin Netanyahu. Se o Primeiro-Ministro do último estado colonial for inteligente, deve aproveitar a oportunidade para anunciar que seu país irá reconsiderar o assunto. A menos que, Wouter Basson tenha criado gases etnicamente seletivos e que os falcões israelitas ainda considerem usá-los.

Para mais informações: “L’Afrique du Sud, ex-laboratoire secret de bio-terrorisme des démocraties“, Rede Voltaire, 28 de Outubro de 2002.

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