A Arte da Omissao

Como a NSA espiou a França

Só agora se começa a perceber a dimensão do “crime” do ex NSA,  Edward Snowden.

Vive-se o “despertar”… da França, da Alemanha,  da Europa, do Brasil, do México …

De acordo com o Le Monde, a NSA terá realizado 70,3 milhões de gravações de dados telefónicos de franceses entre Dezembro de 2012 e Janeiro de 2013.

Indignado Jean-Marc Ayrault, primeiro-ministro francês diz:.

“Estou profundamente escandalizado”. “É incrível que um país aliado possa espionar tantas comunicações privadas sem nenhuma justificação estratégica” refere Jean-Marc que se viu na necessidade de convocar o embaixador dos Estados Unidos em Paris.

Reparem bem no que diz Jean-Marc.  Ele indigna-se pela NSA espionar TANTAS comunicações sem justificação estratégica. Merecem a resposta que a Casa Branca lhes deu:  “todas as nações realizam operações de espionagem”.

Ninguém quis dar crédito aos muitos que ao longo dos últimos anos falam acerca deste big brother em crescimento. Agora, nem a diplomacia vai ganhar. O programa prism custou muito dinheiro e não rendeu ainda nada. Tudo no bom nome da luta contra o terrorismo.

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Tradução do artigo   Comment la NSA espionne la France

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Um dia o futuro poderá dizer, o porquê de Paris ficar tão quieta, em comparação com o Rio de Janeiro ou Berlim, após as revelações dos programas de espionagem electrónicos dos EUA. Porque a França foi igualmente focada e agora tem provas concretas de que os seus interesses são rotineiramente visados.

De acordo com os documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA) obtidos pelo Le Monde, as comunicações dos cidadãos franceses foram, de facto, interceptadas maciçamente. Os documentos, revelados em Junho por Edward Snowden, descrevem as técnicas utilizadas para capturar ilegalmente os segredos ou simplesmente a privacidade dos franceses. Alguns itens foram discutidos pelo semanário alemão Der Spiegel e pelo jornal britânico The Guardian. Outros são inéditos.

Para saber mais sobre o contexto das revelações do Le Monde, leia o editorial:Combater o Big Brother

Entre os milhares de documentos retirados à NSA pelo ex-empregado, figura um gráfico que descreve o grau da vigilância telefónica realizada na França. Verificou-se que só durante um período de trinta dias, de 10 de Dezembro de 2012 e 8 de Janeiro de 2013, a NSA gravou 70,3 milhões de conversações telefónicas francesas.

A agência dispõe de vários métodos de recolha. Quando alguns números de telefone são utilizados em França, a NSA activa um sinal que inicia automaticamente a gravação das conversas. Essa monitorização também recolhe conteúdos SMS com base em palavras-chave. Enfim, a NSA, sistematicamente, mantém o histórico das conexões de cada destino.

Esta espionagem aparece no âmbito do programa “US-985d”. A explicação exacta desta sigla não foi fornecida até agora nem por documentos de Snowden nem por ex membros da NSA. Para efeitos de comparação, as siglas utilizadas pela NSA para o mesmo tipo de interceptação à Alemanha são “US-987LA” e “US-987LB.” Cada série de números corresponde a círculos qualificados pelos Estados Unidos como a “terceira parte”, à qual pertencem à França, a Alemanha, Áustria, Polónia ou Bélgica. A “segunda parte”, são os países anglo-saxões, historicamente  perto de Washington, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, mais conhecidos como os “cinco olhos”. A “primeira parte”, são os 16 serviços secretos dos EUA.

Leia: A magnitude da espionagem mundial realizada pela NSA

As técnicas utilizadas para essas interceptações surgem com os nomes  “DRTBOX” e “Whitebox”. As suas características não são conhecidas. Mas sabe-se que com o primeiro código, foram colectados 62,5 milhões de dados telefónicos na França entre 10 de Dezembro de 2012 a 08 de Janeiro de 2013 e com o segundo foram gravados no mesmo período 7,8 milhões de itens. Os documentos fornecem explicações suficientes para se pensar que os alvos que preocupam mais a NSA, são os que tenham links suspeitos a actividades terroristas, do que simples indivíduos-alvos com meras participações em negócios, política ou na administração francesa.

O gráfico mostra a média das interceptações da NSA, no valor de 3 milhões de dados por dia, com picos de quase 7 milhões entre 24 de Dezembro de 2012 e 07 de Janeiro de 2013. Mas entre 28 e 31 de Dezembro, não surgem interceptações. Esta aparente cessação da actividade pode ser explicada, pela espera da renovação no final de Dezembro de 2012, por parte do Congresso, da secção 702 da lei dos EUA que regula as escutas telefónicas no exterior. Da mesma forma, não aparece nada nos dias 3, 5 e 6 de Janeiro de 2013, não havendo quaisquer razão plausível. Muitas questões permanecem, começando pela identidade exacta do alvo e as justificações para uma recolha tão grande de dados em território estrangeiro soberano de um aliado.

Veja o visual interactivo: “Mergulho no “polvo” da vigilância cibernética da NSA”.  Neste quadro, podemos ficar com a ideia clara da “inocência” de muitos em relação à política da espionagem global.

Solicitadas autoridades dos EUA, que não quiseram comentar esses documentos que entendam ser “secretos”. No entanto, referem-se à declaração feita a 8 de Junho, pelo director de Inteligência Nacional dos EUA: “Para alvos fora das nossas fronteiras, não podem ser visados, sem fundamentos jurídicos, como ameaças terroristas, informáticas ou  proliferação nuclear”.

Informador universal

A França não é o país onde a NSA interceptou o maior número de ligações telefónicas. O sistema “Boundless Informant” (informador Universal), revelado em Junho por Edward Snowden no The Guardian, permite ter uma visão global das informações recolhidas em tempo real de todo o mundo, através de diferentes sistemas de escutas da NSA. “Informant Boundless” não recolhe apenas dados de telefone (DNR), mas também de dados relacionados ao mundo digital (DNI).

Um desses documentos, que o Le Monde consultou, revela que, entre 08 de Fevereiro e 8 de Março, a NSA recolheu 124,8 bilhões de dados DNR e 97,1 bilhões DNI, de zonas de guerra como o Afeganistão, assim como da Rússia e China. Na Europa, apenas a Alemanha, Reino Unido e França foram alvos em termos de número de intercepções. No que diz respeito à Inglaterra, tal foi feito com o consentimento do seu governo. 

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Nota: frases desta cor são da minha responsabilidade

 

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