A Arte da Omissao

Somos impelidos a usar a nuvem, mas a que custo?

Serviços on-line já não são opcionais. Então, quem está no controle dos seus dados?

1 de Fevereiro de 2014 |Artigo de David Pogue

Num ponto, a frase “na nuvem (cloud)” provavelmente significava algo útil e específico. Hoje em dia, porém, acaba de se tornar um termo de marketing  para a “Internet”. “Seus arquivos são armazenados com segurança na nuvem”, “Você pode enviar mensagens de vídeo através da nuvem”, “Você pode encomendar livros a partir da nuvem! “

Quer dizer, a Internet? Oh.

Os serviços de Internet, tais como esses, tornaram-se elementos essenciais para os ecossistemas da Apple, Google e Microsoft.

Tem um iPhone? Então  tem um grande incentivo para obter um Mac e também um iPad – porque o serviço iCloud gratuito da Apple vai garantir que o seu calendário, agenda de endereços, e-mail, lista de tarefas, notas e senhas sejam magicamente sincronizadas com todos os gadgets da Apple.

Tem um telefone android? Você vai querer ficar com o browser do Google, tablets e laptops, pela mesma razão. Microsoft, também, tem a sua sincronização automática entre computadores Windows e telefones com a Internet.

Se você morder a isca e se casar com o ecossistema de uma empresa, óptimo! Vai desfrutar de espantosas comodidades-de borla. E se essa cena “na nuvem” lhe traz algum nervosismo,  não há problema! Você pode optar por sair e limitar a localização dos seus dados ao  próprio código postal. Pelo menos essa é a maneira que costumava ser. Ultimamente, as grandes empresas tecnológicas discretamente vão removendo a opção  que lhe permite manter seus dados para si mesmo.

Aqui está um exemplo surpreendente: Sabe que não pode mais sincronizar o calendário do seu computador ou agenda com o telefone da Apple ou tablet através de um cabo? A partir da versão deste ano do sistema operacional Mac, Mavericks, só pode sincronizá-los apenas  com redes sem fios e só através de uma conta iCloud.

Algo semelhante está a acontecer com a Microsoft. No Windows 8 e 8.1, você pode fazer logon no seu PC com uma conta local (seu nome e senha são armazenados no PC) ou uma conta Microsoft (elas estão on-line, como no iCloud). A conta microsoft sincroniza automaticamente as configurações familiares, marcadores, informações das contas do Facebook e Twitter em qualquer computador com Windows 8 que use.  (who cares!!!!)

Mas a Microsoft esforça-se para o fazer sentir como um perdedor, se escolher a conta local. ( “Não é recomendado”, diz a tela  ameaçadoramente). Muitos recursos não estão disponíveis sem uma conta Microsoft: o SkyDrive, as suas fotografias, a aplicação integrada da Musica, – de facto, você não pode fazer download de aplicativos da loja online do Windows.

Contas on-line são úteis, mas são também imperfeitas. Se  tem um iPhone 3G, não se pode conectar à iCloud. Se você a viajar fora do alcance da Internet, não pode ocorrer nenhuma sincronização.

Há também uma questão económica. Quanto mais dados enviar e receber, nesse frenético vaivém com a ICloud, mais rapidamente esgota a sua cota mensal de serviços da Internet. (who cares!!!!)

Estes serviços na nuvem mantêm os seus dados pessoais perpétuamente salvaguarda- outra vantagem. No entanto, o disco rígido não é o único que pode morrer. De tempos em tempos, os grandes serviços on-line também caem, – Gmail ficou offline, serviços da Amazon caíram – e nessa altura, não foi possível aceder ao seu próprio material.(who cares!!!!)

Acima de tudo, há o medo. Os seus próprios dados não estão mais na sua posse e é você que os torna disponíveis, pelo menos em teoria, à Apple, Google ou Microsoft. Ou à Agência de Segurança Nacional. Ou, a um hacker. Tudo o que precisamos é um adolescente, em algum lugar, em qualquer lugar, adivinhando a sua senha do Hotmail, e de repente você passa a estar trancado por fora do seu próprio PC.(who cares!!!!)

As grandes empresas de informática estão silenciosamente e lentamente a forçar que lhes confiemos os dados da nossa vida. Tal é um desenvolvimento assustador e perigoso.

Na verdade, pode ser dito que “na nuvem”, não é realmente o melhor termo que os serviços que essas empresas oferecem. O que elas realmente querem é ter-nos  presos “pela  coleira”.(who cares!!!!)

Nota: Links e realçes desta cor são da minha responsabilidade.

Artigos relacionados: Alguém aceder aos dados do seu telemóvel pode ser mais fácil do que julga

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E quando os satélites fritarem! Já pensaram?

Mas já diz o velho ditado, cada um tem o que merece.

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One comment on “Somos impelidos a usar a nuvem, mas a que custo?

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