A Arte da Omissao

Estados Unidos, principal financiador mundial de terrorismo

Les États-Unis, premiers financiers mondiaux du terrorisme, de  Thierry Meyssan

Desde da guerra do Afeganistão contra os soviéticos, que muitos autores têm destacado o papel dos Estados Unidos no financiamento do terrorismo internacional. No entanto, até agora, eram apenas acções secretas, nunca assumidas nas épocas por Washington. O passo decisivo foi dado com a Síria: o Congresso aprovou o financiamento e armamento de duas organizações que representam Al-Qaeda. O que antes era um segredo, tornou-se agora a política oficial do “país da liberdade”: o terrorismo.

REDE VOLTAIRE | DAMASCO | 3 Fevereiro 2014

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Violando as resoluções 1267 e 1373 do Conselho de Segurança, o Congresso dos Estados Unidos votou o financiamento e armamento à frente al-Nosra e ao Emirado Islâmico do Iraque e do Levante, duas organizações relevantes da Al Qaeda e classificadas como “terroristas” pelas Nações Unidas. Esta decisão é válida até 30 de Setembro de 2014.

A primeira semana da Conferência de Paz de Genebra 2 foi agitada. Infelizmente, o público ocidental não foi informado, vítima da censura que o oprime.

Este é de fato o principal paradoxo desta guerra: as imagens são o oposto da realidade. Segundo a imprensa internacional, o conflito opõe, por um lado os Estados Unidos reunidos em torno de Washington e Riad, pretendendo defender a democracia e liderar a luta global contra o terrorismo, e por outro a Síria e seus aliados russos, inibidos pela pressão de serem difamados como ditaduras que manipulam o terrorismo.

Se todo mundo está consciente de que a Arábia Saudita não é uma democracia, mas sim uma monarquia absoluta, a tirania de uma família e de uma seita sobre um povo, os Estados Unidos tem a imagem de uma democracia e melhor ainda da “terra da liberdade”.

No entanto, as principais notícias da semana foram censuradas em todos os Estados membros da NATO: o Congresso dos EUA reuniu-se para votar secretamente o financiamento e armamento a “rebeldes na Síria” até 30 de Setembro de 2014. O Congresso realiza reuniões secretas e a imprensa não está autorizada a noticiar. É por isso que a informação originalmente publicada pela agência de notícias britânica Reuters, foi escrupulosamente ignorada por toda a imprensa impressa e audiovisual nos Estados Unidos e na maioria dos meios de comunicação na Europa Ocidental e Golfo. Somente os habitantes do “resto do mundo” tiveram a possibilidade de saber a verdade.

A liberdade de expressão e o direito dos cidadãos à informação são ainda pré-requisitos para a democracia. Eles são mais respeitados na Síria e Rússia que no Ocidente.

Como ninguém conseguiu ler a lei aprovada pelo Congresso, não se sabe exactamente o que estipula. No entanto, é claro que os «rebeldes» em questão não pretendem derrubar o Estado sírio, mas sim «sangrá-lo». É por isso que não se comportam como soldados, mas como terroristas. Vocês leram bem: Os Estados Unidos, supostamente vítimas da Al-Qaeda em 11 de Setembro de 2001 e líderes da “guerra global contra o terrorismo”, financiam o principal foco de terrorismo internacional, onde actuam duas organizações oficialmente subordinadas à Al-Qaeda (a frente al-Nosra e o Emirado Islâmico do Iraque e do Levante). Já não se trata mais de uma manobra obscura dos serviço secretos, mas de uma lei totalmente assumida, mesmo que tenha sido aprovada à porta fechada de modo a não contradizer a propaganda oficial.

Por outro lado, não vemos como a imprensa ocidental – que afirma há 13 anos que a Al-Qaeda é a autora dos ataques de 11 de Setembro e ignora que nessa data ocorreu a destituição do presidente George W. Bush pelos militares – poderia explicar esta  decisão ao seu público. De fato, o processo norte-americano da “Continuidade de Governo” (CoG) foi também protegido pela censura. Assim, os ocidentais nunca souberam que, nesse dia  11 de Setembro, o poder foi  transferido dos civis para os militares, das 10h da manhã até a noite e que durante o dia os Estados Unidos foram governados por uma autoridade secreta, violando as suas leis e a sua constituição.

Durante a Guerra Fria, a CIA financiou o escritor George Orwell, enquanto este imaginava a ditadura do futuro. Washington pensava assim aumentar as consciências para a ameaça soviética. Mas, na realidade, a URSS nunca se pareceu com o pesadelo de “1984”, enquanto os Estados Unidos se tornavam na encarnação disso.

O discurso anual de Barack Obama sobre o Estado da União é, assim, transformado num exercício excepcional de mentira. Perante os 538 membros do Congresso que o aplaudiam de pé, o presidente disse: “Uma coisa não mudará: a nossa determinação em que os terroristas não lancem outros ataques contra o nosso país.” E ainda: “Na Síria, iremos apoiar a oposição que rejeita o programa das redes terroristas.”

Assim, quando a delegação síria na conferência Genebra 2, submeteu uma moção exclusivamente baseada nas resoluções 1267 e 1373 do Conselho de Segurança, condenando  o terrorismo, àquela que supostamente deveria  representar a sua “oposição”, esta rejeitou-a  sem causar qualquer protesto de Washington. E por uma boa razão: os USA significam o terrorismo e a delegação da “oposição” recebe ordens directamente do embaixador Robert S. Ford, presente no local.

 Robert S. Ford, foi assistente de John Negroponte no Iraque. No início dos anos 80, Negroponte atacou a revolução nicaraguense, envolvendo milhares de mercenários que se misturaram com locais, vindo a constituir os “Contras”. A Corte Internacional de Justiça, ou seja, o tribunal interno das Nações Unidas, condenou Washington por esta interferência não declarada. Então, na década de 2000, Negroponte e Ford repetiram o mesmo cenário no Iraque. Desta vez, tratava-se de  destruir a resistência nacionalista, usando o ataque da Al Qaeda.

Enquanto os sírios e a delegação da “oposição” discutiam em Genebra, Obama em Washington, continuava o seu exercício de hipocrisia e dizia ao Congresso que o aplaudia mecanicamente: “Lutamos contra o terrorismo, não só com a ajuda dos serviços secretos e das operações militares, mas também ao mantermo-nos fiéis aos ideais da nossa Constituição e dando o exemplo para o mundo (…) e continuaremos a trabalhar com a comunidade internacional para dar à luz o futuro que o povo sírio merece – um futuro sem ditadura, sem terror e sem medo.”

A guerra travada pela NATO e CCG (Conselho de Cooperação do Golfo-  ndT) na Síria já matou mais de 130 mil pessoas – segundo as estatísticas do MI6, divulgadas pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos – cujos carrascos atribuem a responsabilidade ao povo que ousa resistir-lhes e ao seu presidente, Bashar al-Assad. (fonte)

Nota: realces desta cor são da minha reponsabilidade

3 comments on “Estados Unidos, principal financiador mundial de terrorismo

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