A Arte da Omissao

Sra. Nuland, que tal pedir desculpas à Ucrânia?

texto completo da interceptação telefónica

A saída a público da conversa telefónica entre o subsecretário de Estado dos EUA, Victoria Nuland e o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey R. Pyatt, atingiu já as manchetes da comunicação internacional. Em suma, acabou por revelar que as autoridades norte-americanas coordenam esforços para colocarem um governo fantoche na Ucrânia.

 Rede Voltaire | 07 de Fevereiro de 2014

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Neste telefonema,Victoria Nuland e  Geoffrey R. Pyatt, concordam em nomear Arseniy Petrovych Yatsenyuk, líder do partido Batkyvshchina para vice primeiro ministro, em colocar fora de jogo por algum tempo, Vitaly Klitschko, líder do partido Udar e em fazer desacreditar Tiahnybok, líder do partido neo nazista Svoboda. Então a Sra. Nuland informou o embaixador que a mão de Washington, através de Jeffrey Feltman, Sub-Secretário-Geral para os Assuntos Políticos da ONU já tinha instruído Ban Ki-moon para enviar esta semana o seu enviado especial para Kyiv “para colar as coisas.” Referindo-se ao  papel da Europa na gestão de crise política da Ucrânia, Victoria Nuland,  elegantemente diz: “Foda-se a União Europeia”.

 Num curto espaço de tempo, depois de algumas tentativas nervosas em culpar os russos pela fabricação (!) da fita, o (Departamento de Estado: “esta é uma nova dos Serviço de Inteligência da Russa”), a Sra. Nuland apresentou as suas desculpas às autoridades da UE. Será que a atitude repetidamente mostrada por Washington no sentido da “parceria estratégica transatlântica” é mais digna de ser desculpada do que a interferência directa e clara nos assuntos internos de um Estado soberano e a violação do acordo EUA-Rússia-Reino Unido (memorando de Budapeste em 199) na garantia da segurança para a Ucrânia? Enquanto isso, designadamente nesse documento, pode-se ler:

Os Estados Unidos da América, a Federação Russa e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, reafirmam o seu compromisso com a Ucrânia, de acordo com os princípios da Acta Final da CSCE, de respeitar a independência, soberania e fronteiras existentes da Ucrânia.

Os Estados Unidos da América, a Federação Russa e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, reafirmam a sua obrigação em se absterem de recorrer à ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política da Ucrânia, e que nenhuma das suas armas serão usadas contra a Ucrânia, excepto em legítima defesa ou de outra forma, de acordo com a Carta das Nações Unidas.

Os Estados Unidos da América, a Federação Russa e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, reafirmam o seu compromisso com a Ucrânia, de acordo com os princípios da Acta Final da CSCE, em se absterem de coerção económica projectada para subordinar aos seus próprios interesses, o exercício da Ucrânia aos direitos inerentes à sua soberania e assim obterem vantagens de qualquer espécie.

Voltemos ao mais recente colapso diplomático da Sra. Nuland tornado público. Andrey Akulov, da Strategic Culture Foundation (Fundação Estratégica para a Cultura, NdT), publicou há um par de dias atrás, um relatório brilhante (Bride at every wedding [1]) onde descreve a flagrante falta de profissionalismo e integridade de Nuland. Descreveu ainda e em detalhe, o envolvimento dela  na desinformação do presidente e nação dos EUA sobre as circunstâncias do assassinato do embaixador dos EUA na Líbia, Chris Stevens em Benghazi a Setembro de 2012 e o seu apoio no financiamento ilegal dos EUA a uma série de ONGs russas “independentes” que buscam trazer uma revolução de cores à Rússia.

O seu comportamento diplomaticamente inaceitável na pista ucraniana, que culminou nesta semana com o carregamento da chamada no YouTube (vídeo e transcrição completos estão disponíveis abaixo), sugere que a Sra. Nuland é, talvez, a pessoa errada na posição errada para proteger os interesses americanos na Eurásia.

Transcrição completa da conversa telefónica entre o secretário-assistente de Estado dos EUA, Victoria Nuland e o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey R. Pyatt  (colocado  no YouTube em 06 de Fevereiro de 2014):

Victoria Nuland (V.N.): O que acha você?

Geoffrey R. Pyatt (G.P.): Eu acho que estamos na jogada. O peão Klitchko (líder do partido UDAR, NdT) é, obviamente, o eléctron mais complicado aqui, especialmente depois do anúncio para vice-primeiro-ministro. Você viu as minhas anotações sobre os problemas do casamento neste momento, então estamos a tentar fazer uma leitura muito rápida para sabermos que posição ocupa na equipa. Eu acho que a fundamentação que vai ter de que lhe dar, será essa apróxima chamada telefónica que você tem de configurar e que é exactamente igual à que fez a Yats (alcunha de Arseniy Yatsenyuk, (líder do partido Batkivshchyna, NdT). Estou feliz que o tenha colocado no terreno. <…> Ele encaixa-se neste cenário. E estou muito feliz por ele ter dito o que disse.

V.N.: Óptimo. Eu não acho que Klitsch (alcunha de Klitschko) deva estar no governo. Eu acho que não seja necessário, acho que não é uma boa ideia.

GP: Sim, quero dizer, eu acho … Em termos de ele não ir para o governo … Eu tinha acabado de o deixar ficar de fora e fazer o seu trabalho de casa político. Eu só estou a pensar, em termos do processo avançar, nós queremos manter os democratas moderados juntos. O problema vai ser com Tyahnibok e os seus rapazes. E, você sabe, eu tenho certeza que é parte do que Yanukovych está a calcular com tudo isto.

V.N.: Eu acho que o Yats é o tal. Ele tem experiência económica e de governo. Ele é o tal. Você sabe, o que ele precisa é de  Klitsch e Tyahnibok fora do jogo. Ele precisa de falar com eles  quatro vezes por semana. Você sabe, eu acho que se Klitchko entra, ele vai estar  nesse nível de trabalho para Yatsenuk,  não vai dar certo …

G.P.: Sim, sim, eu concordo. Ok, bom. Gostaria que nós preparemos a chamada para ele, como próximo passo?

VN: O meu entender sobre a chamada que você me falou é que os três grandes estavam a ir  para a sua própria reunião e que Yats ia oferecer neste contexto, você sabe, uma conversa  “três mais um»  ou  «três mais dois» com você. Não foi assim que você entendeu?

 GP: Não. Eu acho que isso foi o que ele propôs mas ao conhecer a dinâmica que tem existido entre eles, quando  Klitchko era o cão superior, ele irá aparecer em qualquer reunião que tenham e nesse ponto, provavelmente ele estará neste momento a falar com os seus rapazes. Então, eu acho que você deve ir directamente ter com ele, ajudar na gestão de personalidades entre os três, o que também lhe dará a si a oportunidade de se mover rapidamente com tudo isto e colocar-nos por trás, antes que os três se sentem  e ele explique porque não concorda.

V.N.: Ok. Boa. Estou feliz. Por que você não o contacta  e ver se ele quer falar antes ou depois.

G.P.: Ok, eu vou fazê-lo. Obrigado

V.N: Não me lembro se lhe disse isto ou se disse apenas a Washington: quando eu falei com Jeff Feltman esta manhã e ele tinha um novo nome para o cara da ONU – Robert Serry. Esta manhã, eu escrevi-lhe sobre isto.

G.P.: Sim, eu vi.

V.N.: Ok. Jeff Feltman tem agora Serry e Ban ki-Moon a concordarem que Serry deverá vir na segunda-feira ou terça-feira. Acho que isso seria óptimo para ajudar a colar esta coisa e ter a ajuda da ONU a colá-lo e, se você gosta, foda-se a União Europeia.

G.P: Não exactamente. E acho que temos de fazer alguma coisa para o manter do nosso lado, porque você pode ter certeza de se começa a assumir que os russos estarão a trabalhar nos bastidores para tentarem torpedear isto. Entretanto está a decorrer neste momento uma reunião com uma facção do Partido das Regiões e tenho a certeza que há uma argumentação animada a acontecer nesse grupo. Mas de qualquer maneira, podemos pousar alguma geleia em cima dele, se nos movermos rapidamente. Então deixe-me trabalhar sobre Klitschko e se você poder apenas manter … Eu acho que nós só precisamos de tentar chegar a alguém com uma personalidade internacional para vir aqui e ser a parteira desta coisa. A outra questão tem a ver com algum tipo de divulgação para Yanukovych mas nós provavelmente vamos reagrupar amanhã enquanto vemos como as  coisas se começam a encaixar.

Transcrição da conversa telefónica entre a Secretária-Geral adjunta do Serviço Externo EE, Helga M. Schmid (HS) e Jan Tombinsky (JT) , Embaixador da UE na Ucrânia (minuto 00:04:13 da fita) :

Helga M. Schmid: Jan, é Helga mais uma vez. Eu gostaria de lhe dizer mais uma coisa, é confidencial. Os norte-americanos estão com rodeios e dizem que a nossa posição é muito mole. Eles acham que devemos ser mais fortes e aplicar sanções. Eu conversei com Cathy (Cathrene Ashton – OR) e ela concorda com a gente sobre o assunto que estávamos a discutir da última vez. Vamos fazê-lo, mas temos de organizar tudo de uma maneira inteligente.

Jan Tombinsky: Você sabe que temos outros instrumentos.

HS: Os jornalistas já estão a dizer que a posição da UE é “muito suave”. O que você realmente tem de saber é que estamos muito zangados porque os americanos estão com rodeios. Talvez você deva chamar a atenção do embaixador dos EUA para o facto de que a nossa posição não é mole, acabamos de fazer uma declaração dura e tomámos uma posição mais dura … Eu quero que você saiba que seria prejudicial para os nossos interesses vermos nos jornais que «A União Europeia não suporta a liberdade». Cathy não vai gostar.

J.T. : Helga, nós não competimos numa corrida. Devemos demonstrar que esta situação não é uma competição em tenacidade diplomática. Acabei de ouvir sobre a nova proposta da oposição ao presidente. Vou escrever agora mesmo a Cathy sobre isso.

H. S. : Ok .

(fonte)

[1] US Assistant Secretary Nuland Visits Ukraine – Some Thoughts to Share, by Andrei Akulov, Part I and Part II, Strategic Culture Foundation, 5 and 6 February 2014.

Nota: Links e realces desta cor são da minha responsabilidade

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Será que depois de mais  uma confirmação que os Estados Unidos é uma das nações mais mercenária e geradora do terrorismo, que tanto apregoa lutar contra, o mundo vai continuar a fechar os olhos e a meter a cabeça debaixo da areia?

O que por detrás do pano preparam, para começarem a destabilizar a Ucrânea, é o já fizeram com tantas outras, Iraque, Líbia, Síria …..  e vêm depois estas “organizações idóneas”, como NATO e ONU a lamentarem as chacinas…  Está tudo podre.

Ainda acham que são teorias de conspiração, ou não são mesmo conspirações reais?

O mundo fecha os olhos  a estas CONSTANTES violações do direito internacional e a estas CONSTANTES manipulações a Estados soberanos e mesmo assim consegue ainda apregoar  o direito à LIBERDADE.

ESTÁ TUDO PODRE. Resta-me a garantia do que a HISTÓRIA nos tem relatado.

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3 comments on “Sra. Nuland, que tal pedir desculpas à Ucrânia?

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