A Arte da Omissao

Ucrânia: Polónia formou os golpistas com dois meses de antecedência

Tradução do artigo de Thierry Meyssan

Ukraine : la Pologne avait formé les putschistes deux mois à l’avanc

Diz-se que as mentiras têm pernas curtas. Dois meses após a mudança de regime em Kiev, a imprensa polaca publica revelações sobre o envolvimento do governo de Donald Tusk na preparação do golpe de estado. Estas novas informações contradizem o discurso ocidental e demonstram que o actual governo interino de Oleksandr Tourtchynov foi imposto pela NATO, violando o direito internacional.

| Damasco (Síria) | 17 de Abril de  2014

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Na sua qualidade de negociador da UE, Radosław Sikorski assinou um acordo sobre a resolução da crise com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, na noite de 21 de Fevereiro de 2014. Nessa mesma madrugada, os homens que ele secretamente treinou na Polónia tomaram conta do poder.

O semanário polaco de esquerda Nie, publicou um testemunho chocante sobre a formação dos militantes mais violentos da EuroMaidan [1].

Segundo esta fonte, em Setembro de 2013, o ministro polaco das Relações Exteriores, Radosław Sikorski, convidou 86 membros do Sector da direita (Sector Pravy) a viajarem até à Polónia, supostamente fazendo parte de um programa de cooperação entre universidades. Na realidade, os convidados não eram estudantes e muitos tinham mais de 40 anos. Eles não foram para a Universidade Técnica de Varsóvia, como constava no programa oficial, mas sim para o centro de treino da polícia da Legionowo, a uma hora de carro da capital. Lá e durante quatro semanas receberam treino intensivo em controlo de multidões, em reconhecimento de pessoas, em tácticas de combate, comando e comportamento em crise, em protecção contra gaz utilizado pelas forças da ordem, na construção de barricadas e, especialmente, em aulas de tiro, incluindo o uso de espingardas de  franco-atiradores.

Este treino foi realizado em Setembro de 2013, depois dos protestos que ocorreram na praça Maidan, como resposta ao decreto que suspendeu as negociações para a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia, assinado pelo primeiro-ministro Mykola Azarov, a 21 de Novembro de 2013.

O semanário precisa ainda a existência de fotos que atestam o treino. Nelas vêm-se ucranianos com uniformes nazis juntos aos seus instrutores polacos vestidos à civil.

Estas revelações justificam uma nova leitura sobre a resolução, aprovada no início de Dezembro de 2013 pelo Parlamento polaco, onde este declarou a sua «total solidariedade com os cidadãos ucranianos, que, com uma forte determinação mostravam ao mundo que queriam assegurar a adesão plena do seu país à União Europeia». Claro que, os parlamentares polacos não sabiam que o seu país tinha formado indivíduos que tentaram e conseguiram, tomar o poder.

Este escândalo ilustra o papel que a NATO atribuiu à Polónia na Ucrânia, o qual pode ser comparado ao que deu à Turquia, no caso da Síria. Foi o governo do liberal pró-europeu Donald Tusk, que desempenhou a fundo esse papel. O ministro dos Negócios Estrangeiros, o jornalista Radosław Sikorski, ex-refugiado político no Reino Unido, foi o cérebro que esteve por trás da integração da Polónia na NATO. Na qualidade de membro do “Triângulo de Weimar”, foi um dos três representantes da União Europeia para negociar o acordo de 21 de Fevereiro de 2014 entre o presidente Viktor Yanukovych e os três principais líderes da EuroMaidan [2]. É claro que o presidente ucraniano não sabia que Sikorski tinha treinado os cabecilhas da insurrecção. Quanto ao ministro do Interior e coordenador dos serviços especiais, Bartłomiej Sienkiewicz (o grande neto do escritor Henryk Sienkiewicz, autor do Quo Vadis ?), foi um dos fundadores do actual serviço secreto polaco, o Instituto de Defesa do Estado (Urzd Ochrony Państwa) . Ele também foi vice-director do Centro de Estudos Orientais (Ośrodek Studiów Wschodnich), um centro nacional de pesquisa sobre a Europa Oriental e Balcãs, em particular Ucrânia e Turquia. Este instituto tem uma profunda influência sobre a percepção ocidental dos acontecimentos actuais, por meio dos seus acordos com a Fundação Carnegie [3].

Durante o governo de Yulia Tymoshenko (2007-2010), o presidente interino actual da Ucrânia, Oleksandr Tourtchynov, era o chefe da inteligência e vice primeiro ministro. trabalhava na época com os polacos Donald Tusk (já primeiro-ministro), Radosław Sikorski (então ministro da Defesa) e Bartłomiej Sienkiewicz (director da sociedade de informação privada, ASBS OTHAGO).

Para derrubar o governo do seu vizinho, A Polónia contou com activistas nazis como a Turquia usou a Al-Qaeda para derrubar o governo sírio. Nada tem de surpreendente ver que as actuais autoridades polacas recorreramm aos netos dos nazis que a CIA integrou na rede Gladio da NATO para lutar contra a União Soviética, mas recordemos a controvérsia que eclodiu na eleição presidencial polaca de 2005: o jornalista e deputado, Jacek Kurski revelou que Józef Tusk, o avô de Donald Tusk se integrou como voluntário na Wehrmacht. Depois de negar os fatos, o primeiro-ministro, finalmente, admitiu que o seu avô havia de fato servido no exército nazi, mas alegou que havia sido convocado após a anexação de Danzig. Uma memória que nos diz muito sobre como Washington selecciona os seus agentes na Europa Oriental.

Em resumo, a Polónia formou os desordeiros para derrubar o presidente democraticamente eleito da Ucrânia e fingiu negociar com ele uma solução de paz a 21 de Fevereiro de 2014, enquanto os seus manifestantes desordeiros estavam a tomar o poder.

Além disso, não há dúvida de que o golpe foi patrocinado pelos Estados Unidos, como evidenciado pela conversa telefónica entre o secretário de Estado adjunto, Victoria Nuland e o embaixador Geoffrey R. Pyatt [ 4 ]. Da mesma forma, é claro que outros membros da NATO, incluindo a Lituânia (ex- Ucrânia dominada pelo império polaco-lituano) e Israel na sua qualidade de membro de facto do Estado-Maior da Aliança Atlântica, participaram no golpe de Estado. [5] Este arranjo sugere ainda que a NATO tem agora uma nova rede Gladio na Europa Oriental [6]. Mais, após o golpe, os mercenários americanos de uma subsidiária da sociedade Academi ( Greystone Ltd.) foram implantados na Ucrânea em coordenação com a CIA. [7]

Estes factos modificam profundamente a percepção que poderíamos ter do golpe de Estado de 22 de Fevereiro de 2014 na Ucrânea. Eles contradizem os argumentos transmitidos aos jornalistas pelo Departamento de Estado dos EUA (pontos 3 e 5 da nota de 5 de Março) [8] e constitui à luz da Lei Internacional, um acto de guerra. Portanto, o raciocínio dos ocidentais sobre os acontecimentos, incluindo a adesão da Crimeia à Federação Russa e as insurreições atuais a Oriente e Sul da Ucrânia, é nulo.

1] « Tajemnica stanu, tajemnica Majdanu », Nie, n°13-2014, daté du 18 avril 2014.

[2] « Accord sur le règlement de la crise en Ukraine », Horizons et débats (Suisse), Réseau Voltaire, 21 février 2014.

[3] « La Fondation Carnegie pour la paix internationale », Réseau Voltaire, 25 août 2004.

[4] « Conversation entre l’assistante du secrétaire d’État et l’ambassadeur US en Ukraine », Oriental Review, Réseau Voltaire, 7 février 2014. « Les desseins machiavéliques de Catherine Ashton et Victoria Nuland », par Wayne Madsen, Traduction Gérard Jeannesson, Strategic Culture Foundation, Réseau Voltaire, 12 mars 2014.

[5] « Des soldats israéliens étaient camouflés place Maidan », Réseau Voltaire, 3 mars 2014.

[6] « Le nouveau Gladio en Ukraine », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 18 mars 2014.

[7] « Des mercenaires US déployés au Sud de l’Ukraine », et « Le directeur de la CIA recherche des mercenaires US à Kiev », Réseau Voltaire, 4 mars et 15 avril 2014.

[8] « Fiche documentaire du département d’État : 10 contre-vérités sur l’Ukraine », Réseau Voltaire, 5 mars 2014.

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