A Arte da Omissao

John McCain, maestro da «primavera árabe» e do Califa

Tradução do artigo John McCain, Conductor of the “Arab Spring” and the Caliph

| Damasco (Síria) | 18 de Agosto de 2014

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » realces desta cor, são da minha responsabilidade

 Barack Obama e John McCain proclamam-se adversários políticos ou estão a trabalhar em conjunto na estratégia imperialista do país?

John McCain é conhecido como o líder dos republicanos e como o infeliz candidato às presidenciais de 2008 nos EUA. Isto é, e vamos ver, só a parte real da sua biografia, a que serve de capa para encobrir as acções secretas em nome do seu governo.

Quando estive na Líbia durante o ataque “ocidental”, tive acesso a um relatório dos serviços de inteligência estrangeiros, onde pude  ler que a 04 de Fevereiro de 2011, a NATO organizou no Cairo, uma reunião para lançar a “Primavera Árabe” na Líbia e Síria. Segundo esse documento, a reunião foi presidida por John McCain. O relatório detalhava a lista dos participantes líbios, cuja delegação foi chefiada pelo número 2 do governo da época, Mahmoud Jibril (político líbio, que foi primeiro-ministro interino da Líbia quando Gaddafi foi morto -Ndt),  tendo abruptamente mudado de lado no início da reunião, ao tornar-se o líder da oposição no exílio. Lembro-me de que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard-Henry Lévy, embora oficialmente nunca tenha exercido funções dentro do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, incluindo uma grande delegação de sírios que viviam no exterior.

Ao sair da reunião, a misteriosa conta do Facebook, “A revolução Síria de 2011”, apelou a manifestações à frente da Assembleia Nacional em Damasco, a 11 de Fevereiro. Apesar desta conta ter na época mais de 40.000 seguidores, apenas uma dúzia de pessoas responderam ao apelo. A manifestação dispersou-se pacificamente e os confrontos só começaram um mês mais tarde em Deraa. [1]

A 16 de Fevereiro de 2011, uma manifestação que decorria em Benghazi (cidade da Líbia -NdT), em memória dos membros do Grupo de Combate Islâmico na Líbia [2] massacrados em 1996 na prisão de Abu Selim, degenerou num tiroteio. No dia seguinte, um segundo evento, desta vez em memória dos que morreram ao atacar o consulado dinamarquês devido às caricaturas de Maomé, também degenerou em tiroteio.

Ao mesmo tempo, os membros do Grupo de Combate Islâmico da Líbia, vindos do Egipto e coordenados por indivíduos encarapuçados e não identificados, atacaram simultaneamente quatro bases militares em quatro cidades diferentes.

Depois de três dias de combates e de atrocidades, os manifestantes  lançaram a insurreição  da Cirenaica  contra Tripolitânia [3]; ataque terrorista que a imprensa ocidental falsamente apresentou como a “revolução democrática” contra “o regime” de Mouamar el-Kadhafi.

No dia 22 de Fevereiro desse ano, John McCain estava no Líbano. Lá, encontrou-se com membros do Movimento do Futuro (o partido de Saad Hariri (Primeiro Ministro do Líbano de 2009–2011 – Ndt), a quem encarregou de supervisionar a transferência de armas para a Síria em torno do deputado Okab Sakr [4]. Depois, deixou Beirute, foi inspeccionar a fronteira com a Síria e escolher aldeias, incluindo Ersal, que iria ser usada como base de apoio a mercenários na guerra em preparação.

As reuniões presididas por John McCain foram claramente o ponto de disparo «do plano há muito tempo preparado por Washington»; plano que colocaria o Reino Unido e a França a atacar simultaneamente a Líbia e Síria, seguindo a doutrina da «liderança dos bastidores» e do anexo do Tratado de Lancaster House de Novembro de 2010. [5]

A viagem ilegal para a Síria em Abril de 2013

A Maio de 2013, o senador John McCain,  foi ilegalmente através da Turquia até perto de Idleb na Síria, para se reunir com líderes da “oposição armada”.  A viagem só veio a público quando regressou a Washington. [6]

Este movimento foi organizado pela Syrian Emergency Task Force, que, ao contrário do seu nome, é uma Organização Sionista, liderada por um funcionário palestino da AIPAC  [7]

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John McCain na Síria. Em primeiro plano, à direita o director da Syrian Emergency Task Force. Na porta ao centro, Mohammad Nour.

Nas fotografias divulgadas na época, deu-se pela presença de Mohammad Nour, porta-voz da Brigade Tempête du Nord (Brigada de Assalto do Norte – NdT), (da Frente Al-Nosra, que é o mesmo que dizer, da Al-Qaeda na Síria), e que sequestrou e prendeu 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz. [8] Questionado sobre a sua proximidade com os sequestradores da al-Qaeda, o senador afirmou não conhecer Mohammad Nour, e que este se teria infiltrado na foto.

O caso gerou um grande ruído e as famílias dos peregrinos sequestrados apresentaram uma queixa ao poder judiciário libanês contra o senador McCain por cumplicidade no sequestro. Em última análise, foi alcançado um acordo, e os peregrinos foram libertados.

Vamos supor que o senador McCain teria dito a verdade e que Mohammad Nourse se teria infiltrado na foto. O objectivo da sua viagem ilegal à Síria foi  encontrar-se com o estado maior do Exército Sírio Livre. De acordo com ele, esta organização era composta «exclusivamente por sírios» que lutavam pela «liberdade» contra a «ditadura Alouite”.(sic) Os organizadores da viagem publicaram a  seguinte fotografia, que atesta o encontro.

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John McCain e o estado maior do Exército Livre da Síria. Em primeiro plano, à esquerda, «Ibrahim al-Badri», com quem o senador está a falar. Logo após, o brigadeiro-general Salim Idris (com óculos)

Se podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército Sírio Livre, também podemos ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador John McCain está a falar. De volta à viagem surpresa, John McCain afirmou que todos os responsáveis ​​do Exército Sírio Livre eram « moderados e confiáveis» (sic).

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No entanto, desde 4 de Outubro de 2011,  Ibrahim al-Badri (também conhecido por Abu Du’a) consta na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos. Até foi oferecido um prémio até US $ 10 milhões  para quem ajudasse na sua captura. [9] No dia seguinte, a 5 de Outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi incluído na lista do Comité de Sanções da ONU, como membro da Al-Qaida [10].

Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ÉIIL) – ao mesmo tempo que ainda pertencia ao estado-maior do muito «moderado» Exército livre sírio -.

Ibrahim al-Badri reivindicou o ataque às prisões Taj e Abu Ghraib no Iraque, onde ajudou a escapar entre 500 a 1000 jihadistas que se juntaram à sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações quase simultâneas em outros oito países. E em cada um, mais fugitivos se juntaram às organizações jihadistas que combatiam na Síria. Este caso foi tão estranho que a Interpol emitiu uma nota e pediu a ajuda a 190 países membros. [11]

Eu sempre afirmei que no terreno, não havia diferenças entre o Exército Livre da Síria, a Frente Al-Nosra, o Emirado Islâmico etc … Todos são compostos pelos mesmos indivíduos que mudam constantemente de  bandeira. Quando são Exército Sírio Livre, arvoam a bandeira da colonização francesa e falam apenas em derrubar o «cão Bashar». Quando são a Frente Al-Nosra, carregam a bandeira da Al-Qaeda e declaram a intenção de difundir o Islão ao mundo. Por fim, quando dizem ser o Emirado Islâmico, surgem com a bandeira do Califado e anunciam que vão limpar todos os infiéis da região. Mas qualquer que seja o rótulo, praticam sempre os mesmos abusos: estupro, tortura, decapitações e crucificações.

Portanto, nem o senador McCain nem os seus companheiros da Syrian Emergency Task Force, forneceram informações que dispunham sobre Ibrahim al-Badri ao Departamento de Estado, nem tão pouco pediram a recompensa. Também não informaram o Comité anti-terrorista da ONU.

Nenhum país do mundo, independentemente do seu sistema político, aceitaria que o líder da oposição, tivesse estado em contacto directo, e publicamente amigável, com um perigoso e procurado terrorista.

Quem é então o senador McCain?

John McCain não é apenas o líder da oposição política ao presidente Obama. É também um dos seus altos funcionários!

Ele é, de facto, desde Janeiro de 1993 o presidente do Instituto Republicano Internacional (IRI), ramo republicano da NED/CIA [12]. A tão falada “ONG” foi criada oficialmente pelo presidente Ronald Reagan para alargar determinadas actividades da CIA, em conexão com os serviços secretos britânicos, canadianos e australianos. Contrariamente às suas pretensões, o IRI é de facto uma agência intergovernamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso numa rubrica orçamental dependente do Secretário de Estado.

É também pelo facto de ser uma agência conjunta com os serviços secretos anglo-saxões, que vários Estados do mundo interditaram as suas actividades nos seus territórios.

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Acusados de prepararem o derrube do presidente Hosni Mubarak para a Irmandade Muçulmana, os dois funcionários do Instituto Republicano Internacional (IRI) no Cairo, John Tomlaszewski (segunda à direita) e Sam LaHood (segundo à esquerda e filho do secretário dos Transportes, o democrata Ray LaHood), refugiaram-se na embaixada dos Estados Unidos. Aqui estão eles na foto acima, juntamente com os senadores John McCain e Lindsey Graham, na reunião preparatória da “Primavera Árabe” para a Líbia e Síria. Eles acabaram por ser libertados por Mohamed Morsi, quando este se tornou presidente.

A lista de intervenções de John McCain em nome do Departamento de Estado é impressionante. Nos últimos 20 anos, participou em todas as revoluções coloridas.

Para enumerar penas alguns exemplos, sempre em nome da «democracia», John McCain « preparou o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo Chávez na Venezuela», [13] o derrube do presidente constitucionalmente eleito Jean-Bertrand Aristide no Haiti [14], a tentativa para derrubar o presidente constitucional Mwai Kibaki do Quénia [15] e, mais recentemente, a destituição do presidente constitucional da Ucrânia, Viktor Yanukovych.

Em qualquer Estado do mundo, quando um cidadão toma a iniciativa de derrubar o regime de outro Estado, pode vir a ser apreciado se for bem sucedido e se o novo regime for um aliado, mas será severamente condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas  para o seu próprio país.

Mas o Senador McCain nunca se preocupou com as suas acções antidemocráticas nos Estados onde falhou e que  se voltaram contra Washington. A Venezuela, é um exemplo. Tal é possível porque para os Estados Unidos, John McCain não é um traidor, mas sim um agente. Um agente que tem a melhor cobertura que se possa imaginar: é o adversário oficial de Barack Obama. Como tal, ele pode viajar para qualquer lugar do mundo (ele é o senador dos Estados Unidos mais viajado) e reunir-se com quem quiser, sem medo. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington, ele promete-lhes que a vai continuar, caso contrário, passa a responsabilidade para o presidente Barack Obama.

John McCain é conhecido por ter sido um prisioneiro de guerra no Vietname durante cinco anos, e de ter sido torturado. Foi vítima de um programa concebido não só para extrair informações, mas também para incutir a confissão. Programa que pretendia transformar a sua personalidade, a fim que ele fizesse declarações contra o seu próprio país. Este programa, estudado com base numa experiência coreana para a Rand Corporation, levada a cabo pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas conduzidas em Guantánamo e noutros lugares pelo Dr. Martin Seligman [16]. Foi Aplicado por George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros, transformou muitos deles em verdadeiros guerreiros ao serviço de Washington. John McCain, com o que viveu no Vietname, entende bem este processo e sabe como manipular  os jihadistas.

Qual é a estratégia dos Estados Unidos com os jihadistas do Levante?

Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Depois de terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao Kuwait como um assunto interno do Iraque, usaram-no como desculpa para mobilizarem uma ampla coligação contra o Iraque. No entanto, devido à oposição da URSS, não derrubaram o regime, mas contentaram-se em controlar uma zona de exclusão aérea.

Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para compensar a influência da comissão para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram o país novamente e desta vez derrubaram o presidente Hussein. Naturalmente, John McCain foi um dos principais líderes do comité. Depois de entregarem a uma empresa privada a pilhagem do país ao longo de um ano [17], tentaram dividir o Iraque em três estados separados, mas tiveram que desistir devido à resistência da população. Tentaram de novo em 2007, em torno da resolução Biden-Brownback, mas falharam novamente. [18] Daí a estratégia actual em o tentar conseguir, usando para esse objectivo, um actor não estatal: o Emirado Islâmico.

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A operação foi planeada com antecedência, mesmo antes do encontro de John McCain com Ibrahim al-Badri. A correspondência interna do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar, publicada pelos meus amigos James e Joanne Moriarty  [19], mostra que em 2012, 5.000 jihadistas foram treinados às custas do Catar na Líbia e 2,5 milhões de dólares foram pagos ao mesmo tempo, ao futuro Califa.

Em Janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta na qual foi votada, violando o direito internacional, a aprovação do financiamento à Frente Al-Nosra (Al-Qaeda) e Emirado Islâmico do Iraque e do Levante até Setembro de 2014. [20]. Embora não seja claro exactamente o que foi realmente acordado durante a reunião revelada pela agência britânica de notícias Reuters [21], e que nenhum meio de comunicação norte-americano ousou passar devido à censura, é altamente provável que a lei inclua uma secção sobre armamento  e treino dos jihadistas.

Orgulhosa deste financiamento dos Estados Unidos, a Arábia Saudita reivindicou na sua estação de televisão pública, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico foi chefiado pelo príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al- Faisal (ministro das Relações Exteriores) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos EUA e Reino Unido) [22].

O Emirado Islâmico representa um novo passo no mundo dos mercenários. Ao contrário dos grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, Bósnia-Herzegovina e Chechénia com Osama bin Laden, ele não constitui uma força residual, mas, na verdade, um exército. Ao contrário dos grupos anteriores no Iraque, Líbia e Síria, em torno do príncipe Bandar bin Sultan, eles têm serviços de comunicação sofisticados à sua disposição para o recrutamento e funcionários civis treinados em grandes escolas ocidentais, capazes de tomarem de imediato a administração de um território.

As novas armas ucranianas foram compradas pela Arábia Saudita, enviadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado Islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani na reunião de grupos jihadistas em Amã, a 01 de Junho de 2014 [23] O ataque conjunto no Iraque pelo Emirado Islâmico e Governo Regional do Curdistão começou quatro dias depois. O Emirado Islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto o Governo Regional do Curdistão aumentou o seu território em mais de 40%. Fugindo das atrocidades dos jihadistas, as minorias religiosas deixaram a área sunita, abrindo o caminho para a divisão do país em três.

Violando o acordo de defesa iraquiano-americano, o Pentágono não interveio e permitiu que o Emirado Islâmico continuasse a sua conquista e massacres. Um mês depois, os Peshmerga do Governo Regional Curdo recuaram sem lutar, e quando as emoções da opinião pública mundial se tornaram muito fortes, o presidente Obama deu a ordem para bombardear algumas posições do Emirado Islâmico. No entanto, de acordo com o general William Mayville, director de Operações no Estado-Maior, «Estes bombardeamentos  não são susceptíveis de afectar a capacidade total do Emirado Islâmico e as suas actividades noutras áreas do Iraque ou Síria». [24] É óbvio que os bombardeamentos não se destinavam a destruir o exército jihadist,  mas apenas garantir que cada jogador não ultrapassava o território que lhe foi atribuído. Além disso, eles são simbólicos e destruíram apenas um punhado de veículos. Foi, finalmente, a intervenção dos curdos da Turquia e sos curdos sírios do PKK que pararam o andamento do Emirado Islâmico e abriram um corredor para permitir que os civis fugissem do massacre.

Muita desinformação circula sobre o Emirado Islâmico e o seu califa. O jornal Gulf Daily News afirmou que Edward Snowden tinha feito revelações sobre isso. [25] No entanto e após verificação, o ex-espião americano nada tinha publicado. Gulf Daily News é publicado em Bahrein, Estado ocupado por tropas sauditas. O artigo tem como objectivo limpar a Arábia Saudita e o príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.

O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários da Europa do século XVI, que levaram a cabo guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes num campo, outras noutro. O Califa Ibrahim é um condottiere (mercenário que controlava uma milícia) moderno. Embora ele esteja sob as ordens do príncipe Abdul Rahman (Membro do clã Sudeiris), não seria surpreendente se continuasse a sua epopeia na Arábia Saudita (depois de um breve desvio no Líbano ou Kuwait) e determinar a sucessão real favorecendo o clã Sudeiris contra o Príncipe Mithab (filho, não irmão do rei Abdullah).

John McCain e o Califa

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Na última edição da sua revista, o Emirado Islâmico dedicou duas páginas a denunciar o senador John McCain como «o inimigo» e «traidor», recordando o seu apoio à invasão do Iraque. Para que essa acusação não fosse conhecida nos Estados Unidos, o senador emitiu imediatamente uma declaração onde se referiu ao Emirado como o “grupo terrorista islâmico mais perigoso do mundo” [26].

Esta controvérsia é só para distrair a galeria. Até gostaríamos de acreditar … não fosse a fotografia de Maio de 2013.

Brahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, ou Abu Bakr al-Baghdadi, e também como Califa Ibrahim, mercenário do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, é financiado pela Arábia Saudita, Catar e Estados Unidos. Ele pode cometer todos os horrores que são proibidos aos estados pelas Convenções de Genebra.

Artigos Relacionados:

- « France24 tente de démentir la photo de John McCain et Ibrahim al-Baghdadi », par Réseau Voltaire, Réseau Voltaire, 9 octobre 2014.
- « John McCain a admis être en contact permanent avec l’Émirat islamique », Réseau Voltaire, 19 novembre 2014.

Thierry Meyssan
Reproduzimos abaixo o comentário do gabinete de John McCain, em resposta a uma pergunta de Christopher Bollyn:

De : “Tarallo, Julie (McCain)” Julie_Tarallo@mccain.senate.gov
Para : Christopher Bollyn
Enviado: Terça-feira, 26 de Agosto de 2014, às 8:04 PM
Assunto : RE : URGENT : Questão sobre a pessoa que fala com Senador McCain na Síria

Olá Christopher,

No fundo, não, isto é uma luta da brigada Northern Storm, um grupo afiliado do Exército Livre Sírio, com uma longa história de luta contra o ISIS. A foto foi tirada durante a visita do senador McCain à Síria em Maio de 2013, quando se encontrou com  os comandantes do Exército Sírio Livre de todo o país, incluindo a brigada Northern Storm. Após a reunião, o ISIS, na verdade, fez uma ameaça de morte contra qualquer um que se tenha reunido com senador McCain, como aponta esta históri: http://eaworldview.com/2013/10/syri…

Veja também este relatório da Reuters de Outubro de 2013 sobre a luta da brigada Northern Tempestade contra o ISIS. Também é citada uma mensagem de áudio divulgada pelo ISIS que ataca McCain como “o porco americano”:  http: //www.reuters.com/article/2013 ..

E para demonstrar como é verdadeiramente absurda esta alegação, o ISIS já afirmou que o senador McCain está entre os seus principais adversários, como recentemente o colocaram como “o inimigo” e “cruzado” na sua primeira revista de propaganda – veja a história sobre isso aqui: http : //freebeacon.com/national-secu

Obrigado,

Julie

[1] Nous avons relayé les rapports de presse assurant que la manifestation de Deraa était une protestation après l’arrestation et la torture de lycéens ayant tagué des slogans hostiles à la République. Or, de nombreux collègues ont tenté d’établir l’identité de ces lycéens et de rencontrer leurs familles. Aucun n’y est parvenu, les seuls témoins qui se sont exprimés l’ont fait pour la presse britannique, mais de manière anonyme, donc invérifiable. Nous sommes aujourd’hui convaincus que cet événement n’a jamais existé. L’étude des documents syriens de l’époque montre que la manifestation portait en réalité sur une hausse des salaires des fonctionnaires et sur les retraites. Elle a obtenu satisfaction de la part du gouvernement. À ce moment là, aucun journal n’a parlé de ces lycéens, cette histoire n’étant inventée par Al-Jazeera que deux semaines plus tard.

[2] Les membres du Groupe islamique combattant en Libye, c’est-à-dire d’Al-Qaïda en Libye, avaient tenté d’assassiner Mouamar el-Kadhafi pour le compte du MI6 britannique. L’affaire fut révélée par un officier du contre-espionnage britannique, David Shyler. Cf « David Shayler : “J’ai quitté les services secrets britanniques lorsque le MI6 a décidé de financer des associés d’Oussama Ben Laden” », Réseau Voltaire, 18 novembre 2005.

[3] Rapport de la Mission d’enquête sur la crise actuelle en Libye, juin 2011.

[4] « Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie », Réseau Voltaire, 5 décembre 2012.

[5] Sur ce plan, on se reportera à ma série de six émissions 10 ans de Résistance, sur la guerre des États-Unis contre la Syrie.

[6] « John McCain entre illégalement en Syrie », Réseau Voltaire, 30 mai 2013.

[7] « La Syrian Emergency Task Force, faux-nez sioniste », Réseau Voltaire, 7 juin 2013.

[8] « John McCain a rencontré des kidnappers en Syrie », Réseau Voltaire, 1er juin 2013.

[9] “Wanted for Terrorism”, Rewards for Justice Program, Department of State.

[10] Le Comité du Conseil de sécurité créé par la résolution 1267 (1999) le 15 octobre 1999 est également connu sous le nom de « Comité des sanctions contre Al-Qaida ». Fiche d’inscription d’Ibrahim al-Badri (cette fois avec le nom de guerre d’al-Samarrai).

[11] « Évasions simultanées de jihadistes dans 9 pays », Réseau Voltaire, 6 août 2013.

[12] « La NED, vitrine légale de la CIA », par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 6 octobre 2010.

[13] « Opération manquée au Venezuela », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 18 mai 2002.

[14] « La CIA déstabilise Haïti », « Coup d’État en Haïti », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 janvier et 1er mars 2004.

[15] « L’expérience politique africaine de Barack Obama », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 9 mars 2013.

[16] « Le secret de Guantánamo », par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 28 octobre 2009.

[17] « Qui gouverne l’Irak ? », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.

[18] « La balkanisation de l’Irak », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 17 juin 2014.

[19] « Official Document Qatar Embassy Tripoli Confirms Sending 1800 Islamic Extremists Trained in Libya to Fight in Syria », Libyan War The Truth, 20 septembre 2013.

[20] « Les États-Unis, premiers financiers mondiaux du terrorisme », par Thierry Meyssan, Al-Watan (Syrie), Réseau Voltaire, 3 février 2014.

[21] “Congress secretly approves U.S. weapons flow to ’moderate’ Syrian rebels”, par Mark Hosenball, Reuters, 27 janvier 2014.

[22] « L’ÉIIL est commandé par le prince Abdul Rahman », Réseau Voltaire, 3 février 2014.

[23] « Révélations du PKK sur l’attaque de l’ÉIIL et la création du “Kurdistan” », Réseau Voltaire, 8 juillet 2014.

[24] “U.S. Air Strikes Are Having a Limited Effect on ISIL”, par Ben Watson, Defense One, 11 août 2014.

[25] « Baghdadi ’Mossad trained’ », Gulf Daily News, 15 juillet 2014.

[26] “Statement by senator John McCain on being targeted by terrorist group ISIL as “the ennemy” and “the crusader””, Cabinet de John McCain, 28 juillet 2014.

 


Links desta cor e realces desta são da minha responsabilidade

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2 comments on “John McCain, maestro da «primavera árabe» e do Califa

  1. Rafael
    28 de Agosto de 2014

    Off topic, mas um tema que poderá ser abordado/publicado neste blog: https://fsf.org/blogs/community/gnu-hackers-discover-hacienda-government-surveillance-and-give-us-a-way-to-fight-back (se assim o entenderem, claro! 🙂 ).

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