A Arte da Omissao

Caso Madeleine McCann

Escrevia-se assim no The telegraph

Alegações contra Kate e Gerry McCann, apresentadas em tribunal no primeiro dia do processo por difamação do casal ao detective Português.

Dito no tribunal Português:

“Madeleine McCann morreu num acidente no apartamento no Algarve e a sua morte foi encoberta por seus pais, que  de seguida, confeccionaram um conto de sequestro”.

Kate e Gerry McCann, ambos de 41 anos,compareceram no tribunal para ouvir os detectives que investigaram o desaparecimento de sua filha e que acreditam que o casal terá mentido para esconder a verdade.

“Ela morreu no apartamento, num trágico acidente e os pais simularam um sequestro depois de terem falhado na guarda  dos filhos“, disse Tavares de Almeida, ex inspector-chefe da delegacia de polícia de Portimão, no tribunal em Lisboa.

“Estas foram as conclusões do relatório da polícia, assinado por mim a 10 de Setembro, 2007”, acrescentou.

Estas alegações contra Kate e Gerry McCann, foram apresentadas no tribunal, no primeiro dia de audiências para contestar a publicação do livro escrito pelo detective Gonçalo Amaral.

Advogados do detective, que liderou a equipe que fez dos McCann arguidos – suspeitos – no desaparecimento de sua filha, chamaram testemunhas para sustentarem as alegações referidas no livro. O estatuto de arguido dos McCann foi levantado passados dez meses, a Julho de 2008, quando o Procurador-Geral determinou que não havia provas contra eles.

O casal pela primeira vez, fica cara a cara com o seu detractor, desde que foram feitos oficialmente arguidos a Setembro de 2007, quatro meses depois de sua filha ter desaparecido.

Sr. Amaral de 50 anos, liderou a investigação inicial sobre o desaparecimento de Madeleine de um apartamento na Praia da Luz a 3 de Maio de 2007, enquanto seus pais jantavam com amigos num bar nas proximidades. Amaral foi demitido do caso, que permanece sem solução. O seu livro, intitulado “A Verdade da Mentira” foi publicado em Julho de 2008, reivindica que Madeleine morreu no apartamento. Tornou-se um best-seller em Portugal, vendeu mais de 200.000 cópias, foi publicado em seis idiomas e transformado num documentário.

Depois de um ano de campanha dos McCann, estes conseguiram em Setembro, obter uma providência cautelar temporária,  que proíbia novas vendas e o livro teria que ser retirado das prateleiras. O casal está a processar o inspector por difamação, alegando que que o livro prejudica a procura de sua filha, ao afirmar que ela já está morta.

(Texto integral do Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que decidiu a extinção da providência cautelar interposta pelo casal McCann e seus filhos, que visava proibir a comercialização do livro “Maddie, A Verdade Da Mentira” no âmbito da acção movida pelos mesmos contra Gonçalo Amaral e outros, ndt (É um acordão extenso, melhor é lerem a decisão final, na última página))

Esperam pedir ao juiz cerca de £1 milhão por danos que vão usar para custear a sua própria procura da filha, que acreditam ter sido sequestrada e pode ainda estar viva, presa em algum lugar.

Sr. Almeida disse ao tribunal: “Nós sempre falamos de uma morte acidental trágica – não de homicídio. Os McCann não a mataram mas esconderam o seu corpo”

Almeida, que trabalhou com Amaral e que em Setembro de 2007 foi também retirado do caso, disse que a decisão de designar os McCann ‘arguidos’ foi feita pela polícia depois dos cães farejadores vindos da Inglaterra terem realizado as suas pesquisas.

Dando como prova, Sr. Almeida disse que os cães identificaram sangue e cheiro de cadáver humano dentro do quarto das crianças e na sala de jantar, no apartamento que McCann ocupavam.

Os animais também reagiram a vestígios num pedaço de pano num apartamento alugado depois pelos McCann depois de terem deixado o anterior apartamento, e no porta-malas de um carro de aluguel contratado pela família algumas semanas depois de Madeleine ter desaparecido.

Almeida também se queixou que os esforços da polícia portuguesa para investigar os McCann haviam sido frustrados pelos seus colegas britânicos.

“Fomos informados que o Reino Unido não aceitaria qualquer investigação sobre os McCann – houve uma falta de cooperação”, disse ele.

Mais tarde refere que a teoria de que os pais haviam encoberto a morte de Madeleine, conforme descrito no livro de Amaral, foi também entendida pela polícia britânica em Portugal.

“Isto não foi algo inventado por Amaral”, insistiu. “Foi a conclusão a que chegou a equipa de investigadores portugueses, assim como a polícia britânica.”

A Srª McCann, vestida com um vestido floral de cor escura sentou-se, impassível na primeira fila da sala do tribunal ao lado do marido. O casal de mãos dadas, trocavam sussurros ocasionais e acenos, enquanto eram passadas ​​notas pelos intérpretes, informando-os dos processos judiciais, que foram realizadas em Português.

Sr. Amaral, vestido com um terno escuro e gravata roxa, estava sentado no banco ao lado com a sua equipe de advogados, a quinze metros de distância do casal. Ele passou a maior parte do processo com os olhos fechados evitando o olhar directo dos McCann.

A audiência de terça-feira na capital Portuguesa foi a oportunidade para o Sr. Amaral ver a providência cautelar contra a publicação ser anulada. Nem ele nem os McCann serão chamados para prestar depoimento em audiência, que está prevista para durar um mínimo de três dias.

Uma terceira testemunha disse que o ponto de viragem da investigação surgiu na sequência de uma chamada chorosa da Srª McCann onde e depois de um sonho, informou a polícia onde procurar o corpo da filha.

O inspector de polícia Ricardo Paiva, que actuou como ligação entre os McCann e a polícia portuguesa nos dias depois do desaparecimento de sua filha, disse ao tribunal que ele tinha recebido o telefonema no final de Julho de 2007.

“Kate ligou-me, estava sozinha pois Garry estava ausente e estava a chorar”, disse ele. “Ela disse-me que tinha sonhado que Madeleine estava numa colina e que devíamos procurá-la lá. Ela deu a impressão de pensar que a filha estava morta – foi ponto de viragem para nós.”

O detective sénior disse que a terra foi revistada, mas nada foi encontrado.

“Foi quando decidimos enviar os cães especializados. A Polícia britânica informou-nos como eles poderiam detectar o cheiro da morte.”

Ele admitiu que a polícia  suspeitou dos McCann desde o início da investigação. “Eles desobedeceram ao nosso pedido de manterem o silêncio sobre os detalhes do desaparecimento de sua filha, enquanto conduzimos a nossa investigação. Em vez disso, transformaram-na num circo mediático o que por si deu origem a algumas suspeitas “.

Ele disse que os McCann deveriam ser processados por deixarem seus filhos sozinhos.

“Eles deveriam ter sido julgados por negligência. Pessoas foram presas por muito menos – mesmo no Reino Unido “. ( continuam a ser presas, ndt)

O processo continua.

 01 Setembro 2014

Secret Madeleine McCann report finds competing British forces hampered inquiry

Segundo um relatório secreto da HO, forças policiais britânicas que competiam para ser vistas a ajudar a encontrar Madeleine McCann dificultaram a investigação e tiveram um efeito negativo a longo prazo.

O relatório não publicado de Jim Gamble, ex-chefe da Child Exploitation and Online Protection Centre (CEOP), descobriu que tantas agências inglesas envolvidas prejudicaram  a polícia portuguesa. Estudo encomendado em 2009 por Alan Johnson, ex secretário do Interior,  foi entregue em 2010 e levou a que a polícia metropolitana reabrisse a investigação sobre o desaparecimento de Madeleine.

Pela primeira vez, os detalhes foram transmitidos à Sky News, revelando que o Sr. Gamble criticou a Association of Chief Police Officers de ter colocado polícia de Leicestershire no comando das operações, porque os McCann vivem no concelho, quando a mesma  estava mal equipada para lidar com uma investigação de tal envergadura.

Sr. Gamble refere que poucas semanas depois do desaparecimento de Madeleine, a polícia Portuguesa começou a receber orientações da CEOP, Metropolitan Police, Serious Organised Crime Agency e National Police Improvement Agency.

A Crimestoppers também publicou o seu apelo e vários ministros – Primeiro Ministro e Ministros do Ministério do Interior e do Ministério das Relações Exteriores – exigiram sessões informativas das várias agências.

Sr. Gamble disse: “Todos nós na época, inclusive eu no CEOP, tivemos a reacção instintiva de querer ajudar, uma criança desapareceu … então todos vieram com as melhores das intenções, e criaram a sensação de caos e de competição, pessoas a quererem ajudar e em muitos casos, na minha opinião, a quererem ser vistos a ajudar.

“Se olharmos honestamente, havia alguns em cargos de liderança que queriam representar as suas organizações, queriam ser vistos a assumir um papel de liderança e queriam ser vistos a contribuir, o que tornou difícil a acção da pequena força regional como Leicestershire.

“Foi inútil … Eu não tenho dúvidas que desde o início, as relações com Português foram afectadas por isso, e acho que teve um efeito negativo a longo prazo na investigação, e acho até que a equipe actual da investigação da Met, tem ainda que gerir essa relação e, talvez, para ser justo com o Portugal, consertar algumas cercas que foram pisadas nos primeiros dias. “

Ele recusou-se a discutir o conteúdo do seu relatório, mas detalhes revelam que a intervenção de múltiplas forças policiais e agências de crime levaram à “frustração” e “ressentimento” da polícia portuguesa, que acreditava que os seus colegas britânicos estavam do lado dos McCann. 

Discutindo a investigação, Sr. Gamble disse que a resposta da polícia Português inicial para o desaparecimento de Madeleine foi “casual”. 

“Em primeiro lugar, os pais devem ser o suspeito número um. Na maioria dos casos, nas primeiras horas enquanto se recolhem provas, já se poderá ver se serão ou não.

“E nesta, essa foi uma das grandes falhas, as pessoas não se concentraram em limpar o chão sob seus pés nessas primeiras horas caóticas que deram origem  às desordenadas primeiras semanas.

Anthony Summers, cujo livro “À procura de Madeleine” sai na próxima semana e contém mais revelações sobre o caso, disse: “Foi um caso de muitos cozinheiros, todos com boas intenções, mas que estragaram o caldo da investigação inicial. E então os enganos, ou devo dizer os erros, começaram a empilhar-se uns sobre os outros “.

Co-autor Robbyn Swan acrescentou: “Os problemas que cresceram fora da corrida para ajudar na fase inicial da investigação Madeleine, os problemas da falta de coordenação entre as polícias Portuguesa e britânica, a má sensação, a falta de capacidade na tradução, essas coisas não foram fundamentalmente resolvidas. “

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Livro de Gonçalo Amaral sobre Maddie devolvido à editora

 

Nota: Links desta cor, são da minha responsabilidade

 

Muita tinta tem rolado. A vida de Gonçalo Amaral foi destruída.  Mas a pergunta é inevitável.O que é que o sistema não quer que se veja/descubra…

Gonçalo Amaral opinou por escrito, com base numa investigação que fez, porque foi a forma que encontrou de ser “ouvido”, perante o abandono e até destruição pessoal por parte do sistema a que pertencia. Mas mais grave ainda, o sistema reagiu à exposição, porque não é do seu agrado ou vai de conta interesses externos. E a polícia judiciária permitiu-se ficar tão mal na fotografia. Que belos organismos de defesa temos….

 

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3 comments on “Caso Madeleine McCann

  1. Rafael
    23 de Setembro de 2014

    Pois… O SENHOR Gonçalo Amaral ficou com a vida destruida, os pais da menina continuam “à grande” e parece que tudo quer encobrir o assunto.
    Não entendo, se até os cães dos ingleses encontraram odor a cadaver num carro que eles não tinham aquando do desaparecimento da menina!

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    • urantiapt
      23 de Setembro de 2014

      O casal têm gente na mão. Só pode.
      No que diz à nossa PJ, está espelhada a dependência deste organismo, que DEVERIA ser independente, das altas esferas nacionais e internacionais.
      É uma vergonha como deixam cair desta forma um elemento deles.

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      • Rafael
        23 de Setembro de 2014

        Concordo plenamente nos dois ponto do teu comentário.

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