A Arte da Omissao

Será que Obama ainda tem uma política militar?

Será que Obama ainda tem uma política militar? De Thierry Meyssan

Thierry Meyssan, que foi o primeiro a prever a possível nomeação de Chuck Hagel como secretário de Defesa, pondera as razões por trás da sua demissão. Elas não se encontram nos actos de Hagel, mas na mudança de política do presidente Obama. Thierry observa ainda que, Washington já não tem uma política específica e que a administração Obama está a levar a cabo acções perigosamente contraditórias.

| Damasco (Síria) | 1 de Dezembro 2014

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Chuck Hagel, nomeado para implementar a política de Barack Obama, recusou-se a segui-lo na sua deriva, preferindo renunciar.

É inegável que a administração Obama perdeu a sua bússola em termos da determinação da sua política de segurança nacional. Em Maio de 2013, a Casa Branca não renovou o Intelligence Advisory Board (Conselho consultivo presidencial da Inteligência, N.do T), do presidente e, nesta semana, ela perde o seu fiel secretário de Defesa, Chuck Hagel. Mais importante ainda, ela continua a atrasar o lançamento da nova doutrina de segurança nacional, a qual deveria por lei, ter sido submetida ao Congresso há 7 meses.

Considerando que existem directrizes claras, para objectivos a longo prazo (impedir o desenvolvimento económico da Rússia e China) e os meios para o alcançar (deslocando tropas da Europa e do Golfo para o Extremo Oriente), ninguém sabe quais são os objectivos no contexto do mundo árabe hoje.

Parece que, em 2010, a “primavera árabe” – preparada, de longa data, pelo Departamento de Estado Americano, para instalar a Irmandade Muçulmana no poder em toda a região – apanhou o presidente Obama de surpresa, pelo menos parcialmente. O mesmo se aplica à mudança do regime orquestrada em 2013 na Ucrânia.

Hoje, uma parte do aparelho de Estado norte-americano combate o Estado Islâmico, enquanto a outra parte apoia os esforços para lutar contra a República Árabe da Síria.

Chuck Hagel, que tinha solicitado um esclarecimento por escrito ao Conselheiro da Segurança Nacional do Presidente não só não obteve uma resposta, como foi largado sem nenhuma explicação.

De fato, o homem não conseguiu conquistar a equipe do Departamento de Estado, mas o apoio dos seus oficiais superiores nunca esteve em dúvida. Ele opôs-se à guerra no Iraque sob Bush Jr e esteve determinado a reposicionar as forças norte-americanas em torno de objectivos nacionais em vez dos privados.

Os seus dois potenciais e principais sucessores, senador Jack Reed e Michele Flournoy, imediatamente deitaram a toalha ao chão, ao perceberem que Chuck Hagel não foi afastado do cargo por falhas, mas por ter aplicado a política que o presidente Obama tinha definido. De repente, todos os olhos voltam-se agora as segundas escolhas, Bob Trabalho e Ash Carter. No entanto, não é suficiente ser nomeado; também é necessário alcançar a ratificação pela maioria republicana no Senado, a qual trará complicações.

A imprensa especializada pinta um retracto estranho do secretário que está de saída. Reconhece a sua honestidade – uma qualidade muito rara em Washington – para melhor o acusarem de ser um fracassado. Agora as orientações que recebeu, como definido no momento da sua nomeação, foi precisamente para não iniciar novas guerras e para reformar o Pentágono, que já estava em marcha. Em primeiro lugar, ele rompeu com muitos laços entre as forças dos EUA e o IDF (Forças Defesa de Israel-N.do T.). De seguida, implementou cortes colossais em orçamentos, excepto no campo nuclear. Durante o seu mandato foi atacado incessantemente por pró-israelitas, neo conservadores e organizações gays.

A confusão em torno da política dos Estados Unidos no mundo árabe remonta a meados de 2012. Na época, a secretária de Estado Hillary Clinton e o director da CIA, David Petraeus, aproveitaram a campanha presidencial dos EUA para promover uma segunda guerra contra a Síria, desta vez via França e Qatar. Após a sua reeleição e a saída dos seus dois “associados”, Obama nomeou novos membros do gabinete, com a tarefa de construir a paz na Síria. Mas depois de alguns meses, tornou-se claro que a política Clinton-Petraeus continuou sem o conhecimento da Casa Branca e contra o Pentágono.

Claramente, o presidente Obama não é mais dono de si mesmo, da mesma forma que George W. Bush não o foi, e existem todos os motivos para acreditar que ele tem vindo gradualmente a aceitar as políticas secretas da sua própria administração. Assim, o homem que havia proclamado o fim da dissuasão nuclear e das guerras no Afeganistão e Iraque, que se comprometeu a abandonar a guerra contra o terror, segue, na realidade, o caminho oposto: ele está a modernizar e a expandir as armas nucleares, está a enviar soldados de volta para o Afeganistão e Iraque, e a lançar de novo o conceito banal da guerra contra o terrorismo.

A demissão de Chuck Hagel não é um castigo pelas suas acções, mas uma clara indicação da mudança sofrida pelo presidente Barack Obama.

Há ainda a necessidade de identificar que forças estão por trás do triunfo de Clinton e general Petraeus. Será o “Estado profundo” ou serão atores económicos? Claramente, a imprensa norte-americana está completamente perdida: é incapaz de explicar o que está a acontecer, ou mesmo analisar esta situação, e muito menos em condições de dar respostas.

Em última análise, as embaixadas ao redor do mundo estão à espera de novos dados antes de tirarem conclusões. Enquanto isso, no terreno, o Pentágono bombardeia o Estado Islâmico, financiado e armado por outros americanos.

Nos Estados Unidos, como na França, os presidentes sucedem-se sem conseguirem influenciar os acontecimentos. Independentemente de nos referimos ao republicano Bush ou o democrata Obama, ou ao UMP Sarkozy ou ao Social Democrata Holland, a máquina inexoravelmente continua o seu curso, sem ninguém saber quem a programa.

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This entry was posted on 5 de Dezembro de 2014 by in USA and tagged , , .

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