A Arte da Omissao

cyberbullying, fenómeno em expansão

DADOS PREOCUPANTES

Propague para amigos que tenham no seu agregado potenciais agressores / vítimas

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Estudo revela que o cyberbullying é um fenómeno em expansão, que cresce silenciosamente. É complicado identificar os agressores, as vítimas sofrem caladas, e as testemunhas assumem uma atitude de indiferença. Professor investigou o assunto e avisa que os pais têm um papel importante para inverter a “cultura do quarto”.

Trinta e um por cento dos alunos admitem conhecer um colega que já foi “gozado ou ameaçado na Internet”. Treze por cento dos estudantes do 10.º ano já foram ameaçados, pelo menos uma vez, no ciberespaço, percentagem que sobe para os 19% no caso dos jovens dos cursos profissionais. Grande parte das “vítimas” não sabe quem está do outro lado, desconhece quem é o agressor. Muitos jovens preferem sofrer em silêncio do que partilhar as suas histórias com quem está mais próximo. Perto de 45% não contam o que se passa e cerca de 27% dos que assistem a uma agressão calam-se ou ficam indiferentes. O cyberbullying, esta forma de agressão à distância de um clique, é um fenómeno que tem ganho expressão. José Ilídio Sá, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Gomes de Almeida, Espinho, estudou o assunto a fundo e obteve alguns resultados que fazem pensar.

Durante o ano letivo 2010-2011, a atenção do docente recaiu em duas turmas, uma do 7.º ano e outra do 10.º, e dos seus 21 professores, de uma escola secundária com o 3.º ciclo do distrito de Aveiro. A investigação da sua tese de doutoramento “Bullying nas Escolas: Prevenção Intervenção”, realizada no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro (UA), incluiu a aplicação de dois questionários a 190 alunos – 99 rapazes e 91 raparigas do 7.º e 10.º anos, anos de início de ciclo de ensino – e entrevistas feitas a pequenos grupos no âmbito de um projeto-piloto aplicado a alunos e docentes. José Ilídio Sá quis delinear fatores e dinâmicas que caracterizam o fenómeno do bullying e que contribuem para a sua ocorrência, para que sejam encontradas estratégias e soluções eficazes na abordagem a este fenómeno.

O bullying eletrónico é um fenómeno que silenciosamente se expande no ciberespaço. É um fenómeno que tem caraterísticas muito particulares. É difícil delimitar fronteiras entre o espaço escolar e o mundo para lá dos portões das escolas, é complicado saber quem está do lado de lá e apontar o dedo aos agressores que continuam a movimentar-se na sombra. Esta nova forma de violência, que difunde ameaças, difamações e violência psicológica através da Internet, é um tema pouco estudado quando se reconhece que é um meio cada vez mais utilizado pelos jovens para ofender terceiros. Os números do estudo demonstram que é preciso refletir sobre o assunto.  

Este é um problema que diz respeito a toda a sociedade e não apenas às escolas”, sublinha o autor da investigação, numa nota divulgada pela UA. cyberbullying é uma forma mais complexa de bullying. Mais escondida, mais complicada. A propagação viral das ofensas, agressões e humilhações, a facilidade de acesso à Internet, a smartphones com câmara fotográfica e de vídeo, o anonimato ou a falsa identidade do ofensor dificultam o combate.

Os números da investigação indicam que nas agressões sofridas mais do que duas vezes, nos dois meses anteriores ao preenchimento do questionário, 8,4% dos jovens disseram ter sido alvo de mentiras sobre si, 7,9% que tinham sido vítimas de falsos rumores ou de gozo, 6,8% de nomes impróprios, 5,3% de empurrões e 3,2% de insultos. A percentagem de alunos que foi alvo de agressão uma ou várias vezes por semana – forma continuada, mais grave e severa de bullying – não ultrapassou os 5%. As ofensas verbais diretas e indiretas são as mais frequentes entre os adolescentes inquiridos neste estudo, surgindo em terceiro lugar as de pendor direto físico.

“Foi-nos possível apurar que as percentagens de vitimação de bullying presencial considerado por nós moderado se situavam abaixo dos 10%, sendo que, para as ofensas sofridas de modo mais intenso, e passíveis de serem consideradas efetivamente casos de bullying, esses níveis não ultrapassavam os 5% para qualquer uma das formas de agressão apresentadas”, revela o investigador.

Monitorizar consumo da Internet
Na maior parte dos casos, a identidade do agressor não é conhecida e muitas vítimas têm uma forte relutância em relatar o que se passa. Por outro lado, revela José Ilídio Sá, há um “número igualmente significativo de situações em que os pares, na qualidade de testemunhas, revelaram adotar uma postura pouco ativa no sentido de cessarem os conflitos ou procurarem ajuda para o fazer”. Perto de 45% dos jovens vítimas de agressão admitiram não terem reportado o sucedido a uma terceira pessoa, tendo, por isso, “sofrido em silêncio de modo presumivelmente continuado e prolongado”. E cerca de 27% confessaram optar por uma “atitude passiva ou de indiferença perante uma agressão testemunhada”.

Os que optaram pela denúncia fizeram-no a um colega (42,6%) ou a um familiar (29,7%, sendo que 23,8% aos respetivos pais e 5,9% aos irmãos). “Note-se que apenas uma percentagem muito residual de jovens (13%) mencionou ter participado essa agressão a um adulto da escola”, refere. Os dados indicam que um quarto dos alunos (26,8%) confessaram assumir uma atitude passiva ou de indiferença perante uma agressão testemunhada, um comportamento traduzido em nada fazer, virar as costas ou limitar-se a assistir. “Estas duas realidades confirmam indubitavelmente a grande margem de atuação que as escolas ainda dispõem a este respeito”, alerta José Ilídio Sá.

“O aparente divórcio aqui verificado entre alunos e adultos nas escolas reproduz, porventura, a falta de confiança ou o afastamento comunicacional e afetivo dos dois grupos. A aparente apatia dos mais novos, no caso das agressões testemunhadas, indicia que devem ser desenvolvidos e incentivados os comportamentos de maior responsabilidade e assertividade social interpares”, observa.

José Ilídio Sá analisa as conclusões, faz uma leitura dos números, defende que é preciso estar atento e atuar. O papel das famílias é fundamental na vigilância e monitorização do uso e consumo que os jovens fazem da Internet, bem como na definição de regras quanto aos conteúdos a ver, tempos de utilização, localização dos equipamentos, procurando inverter a “cultura do quarto”, bastante comum nos jovens e adolescentes.

A comunidade escolar tem também um papel importante nesta matéria. É necessário que esteja sensibilizada e que se mobilize na informação e formação de professores, não docentes, alunos e pais de forma “a serem criados e preservados climas de escola positivos e seguros”. “A parte empírica do trabalho que realizámos veio confirmar e apontar para a existência de uma matriz assente em três pilares ¿ princípios estratégicos/operacionais ¿ fundamentais à estruturação de qualquer programa que vise prevenir e combater os comportamentos de bullying e cyberbullying nos estabelecimentos de ensino”, sustenta o investigador que vê na escola um “palco para a aprendizagem e para o exercício pleno de valores cívicos – ajuda, amizade, convivência, cooperação, paz, solidariedade, tolerância”.
 
Há então uma matriz que assenta em três pilares. O primeiro, o da sensibilização, deve disseminar informação sobre este fenómeno, consciencializar a comunidade escolar para “a seriedade e perversidade dos fenómenos, realçando todas as possíveis consequências negativas, e para a necessidade de mobilização de todos os sujeitos, seja a direção, os professores, os assistentes operacionais, os alunos e as famílias”. O segundo pilar, da confiança, materializa-se “nos mecanismos ao dispor da escola para obviar ou responder aos diversos relacionamentos de conflitualidade que vão surgindo”. E, por último, o pilar da ação, para contrariar um “paradigma assente na apatia, na indiferença ou na insensibilidade perante a dor ou a humilhação vivida por terceiros para um modelo mais humanista e solidário, em que os sujeitos se encontram plenamente capacitados para identificar os comportamentos de cariz ofensivo e disponíveis para agir de acordo com as circunstâncias”. (fonte)

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Nota: Realces desta cor são da minha responsabilidade

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This entry was posted on 10 de Dezembro de 2014 by in cyberbullying, DIANTE DOS NOSSOS OLHOS and tagged .

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