A Arte da Omissao

O grande cordão da falácia

Hoje em Paris, vimos representantes governamentais de países europeus, África, Israel, Palestina, Ucrânia…., de braço dado, alegadamente unidos contra o ataque à Democracia, na figura do ataque à liberdade de expressão, levado a cabo pelos actos assassinos que ocorreram em Paris. A comunicação social não se cansou de referir à manifestação,  como a manifestação histórica a favor de uma sociedade de tolerância e pluralismo contra o terror e a violência. Acredito que esse sentimento esteve presente em todos os corações do povo francês.

No entanto, hoje, Hollande conseguiu dispersar as atenções sobre a sua responsabilidade directa, quando financiou movimentos radicais na Síria com o fim de deporem o presidente sírio. O estado islâmico tem origem nesses movimentos.

Eu sou contra os assassínios levados a cabo, por actos de guerras de poder mascaradas com crenças religiosas, mas também sou contra actos de guerras geopolíticas e de controlo mascaradas com o combate ao terrorismo e às liberdades, estas últimas com a bênção da NATO e comandados pelos Estados Unidos.

O que consegui ver foi um cordão de hipócritas:

* Que financiaram e continuam a financiar esses movimentos radicais, pois necessitam deles para levarem a cabo o trabalho sujo da destituição de presidentes e da divisão de nações petrolíferas, sempre com a falsa bandeira da defesa do mundo.

* Que não respeitam os direitos humanos nem o direito internacional, por acharem que têm o direito de invadir outras nações e de confinarem milhares de seres humanos em colonatos. Sem justificações visíveis, Hollande destacou  Israel com o discurso de  Netanyahu  na sinagoga da capital francesa.

É neste cenário de promiscuidade, que o terrorismo ganha força.

Os Estados Unidos esfregam as mãos, pois  está justificada a disseminação da sua política do medo e terror.

O terrorismo não pode ser combatido só na área da segurança. O combate tem que ser feito ao nível social. As sociedades ocidentais assentam unicamente em factores económicos, em detrimento dos sociais. Os homens passaram a ser meros números. É este palco que tem de ser alterado. É necessário que se exponham os agentes políticos (alguns bem visíveis nas televisões ao longo de toda a tarde) que por trás das cortinas, estabeleceram e continuam a estabelecer alianças e financiam estes movimentos radicais.

Não pretendo de forma alguma justificar actos como os que ocorreram em Paris.  É necessário que se façam muitos exames de consciência. Os turcos saíram à rua solidários com os franceses, MAS o seu governo é um dos que  “alimenta” o estado islâmico. É necessário que os tribunais dos direitos humanos comecem a funcionar em pleno.

Enquanto existirem nações que não olham a meios para reforçarem os seus poderes geopolíticos, sob a falsa bandeira da defesa das liberdades, vamos continuar a ver conflitos entre os geradores do terrorismo e os terroristas, com a  mortes de civis inocentes.

O povo francês de vários credos, mostrou coesão e consciência. O cordão dos governos para mim, foi uma vergonha.

Hoje só se falou na defesa da liberdade. Se amanhã não se colocar em cima da mesa do debate, a análise das causas sociais e políticas,  que estão por trás desta geração de terror, iniciada com o 11 de Setembro, tudo ficará na mesma. A solução não reside só na implementação de medidas a nível de segurança. Já vimos que ao longo destes anos, não resultou.

É de lamentar e condenar as mortes dos civis franceses. Mas também se devia condenar publicamente as milhares de mortes de civís que ocorrem na Líbia, Síria, Iraque, à mão de organizações militares estremistas, que conseguiram reorganizar-se nos espaços deixados vazios, resultantes das invasões dos agentes ocidentais e USA, que enriquecem  com a venda à Turquia do petroleo que roubam e com os financiamentos do ocidente, USA, Qatar e Arábia Saudita.

O mundo da hipocrisia:

Quem compõe o «Emirado islâmico»?

O incrível ”plano de paz” dos Estados Unidos para a Síria

John McCain admitiu seu contacto regular com Estado Islâmico

Para Ancara, o massacre é uma opção de política?

 

2 comments on “O grande cordão da falácia

  1. Octopus
    12 de Janeiro de 2015

    Bem, muito bem estou plenamente de acordo contigo.

    Um grande abraço

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    • urantiapt
      12 de Janeiro de 2015

      Neste momento, este assunto está em debate nos Prós e Contras. Está neste momento a ser abordado a questão social.

      Gostar

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This entry was posted on 11 de Janeiro de 2015 by in A arte da Guerra, Afinal Quem é Terrorista?, França and tagged .

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