A Arte da Omissao

ACORDEM

A revolta de Washington contra Obama

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » e  realces desta cor, são da minha responsabilidade

Tradução do artigo “Washington se révolte contre Obama” de Thierry Meyssan

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A crise que o aparelho de Estado dos Estados Unidos atravessa ameaça directamente a sobrevivência do Império. Não se trata de mais uma opinião de Thierry Meyssan, mas sim do que está a agitar a classe dominante em Washington, ao ponto do presidente honorário do Conselho de Relações Exteriores (CFR), exigir a a demissão dos principais assessores do presidente Obama e a nomeação de uma nova equipe. Este confronto nada tem a ver  com a oposição típica entre democratas e republicanos, nem mesmo com dos  doves (os que acreditam na resolução dos  conflitos internacionais, sem a ameaça da força – N.d.T.) / hawks (os que defendem a política externa agressiva com base no forte poder militar -N.d.T.). O que está em jogo é a liderança dos Estados Unidos e da NATO.

| Damasco (Síria) | 26 de Janeiro de 2015

Há vários meses que verifico que não há nenhuma política externa em Washington, mas sim duas facções que se opõem uma à outra em todas as coisas e que conduzem a políticas contraditórias e inconsistentes. [1]

O clímax desta situação foi atingido na Síria, quando a Casa Branca enviou o Daesh para limpar etnicamente o Iraque, e depois lutou contra ele, embora a CIA o continue a apoiar. Esta inconsistência tem-se espalhado  gradualmente aos Aliados.

Assim, a França juntou-se à coligação anti-Daesh enquanto alguns dos seus legionários fazem parte do quadro Daesh [2].

Quando o secretário de Defesa, Chuck Hagel, solicitou esclarecimentos por escrito, não só não recebeu resposta como foi demitido. [3]

A desordem rapidamente se espalhou à NATO, uma aliança criada para lutar contra a URSS e mantida contra a Rússia, quando o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan assinou gigantes acordos económicos com Vladimir Putin. [4]

Leslie H. Gelb, presidente honorário do Conselho de Relações Exteriores [5], sai de seu silêncio e soou o alarme. [6]

Ele disse que “a equipe de Obama não tinha instintos básicos nem discernimento para conduzir a política de segurança nacional nos próximos dois anos.” E continuou, em nome da classe dominante dos EUA como um todo:

“O presidente Obama precisa de substituir a sua equipa com personalidades fortes e estrategas experientes. Deve colocar novas pessoas como principais conselheiros dos secretários de Defesa e de Estado. E deve finalmente implementar consultas regulares a Bob Corker, presidente da Comissão de Relações Exteriores, e a John McCain [7], presidente da Comissão dos Serviços Armados.»

Nunca, desde a sua criação em 1921, o Conselho de Relações Exteriores tomou tal posição. Tal ocorre porque as divisões dentro do aparelho do Estado estão a empurrar os Estados Unidos para a desgraça.

Referindo os principais conselheiros, que, segundo ele devem sair, Mr. Gelb cita quatro pessoas muito próximas intelectualmente e emocionalmente ao presidente: Susan Rice (Conselheiro de Segurança Nacional), Dennis McDonough (Chefe de Gabinete da Casa Branca), Benjamin Rhodes (Comunicações) e Valerie Jarrett (Assessor de Política Externa). A classe dominante em Washington acusa-os de nunca apresentarem propostas originais ao presidente, de não o contradizerem, e de o apoiarem sempre nos seus preconceitos.

A única personalidade a cair em graça aos olhos do Conselho de Relações Exteriores, é Anthony Blinken, o novo número 2 no Departamento de Estado, que é um “falcão liberal”.

Para o Conselho de Relações Exteriores, sendo um órgão bipartidário, Gelb propõe que o presidente Obama se rodeie de quatro democratas e quatro republicanos, que correspondem ao perfil por ele descrito.

Primeiro os Democratas: Thomas Pickering (ex-embaixador das Nações Unidas), Winston Lord (ex-assistente de Henry Kissinger), Frank Wisner (não oficialmente um dos chefes da CIA e padrasto de Nicolas Sarkozy) e Michèle Flournoy (Presidente do Centro para uma Nova Segurança Americana) [8].

Agora os republicanos: Robert Zoellick (ex-chefe do Banco Mundial) [9], Richard Armitage (ex-assistente de Colin Powell) [10], Robert Kimmitt (provável próximo chefe do Banco Mundial), e Richard Burt (ex-negociador na redução de armas nucleares).

Para secretário de Defesa, Sr. Gelb propõe o rabino Dov Zakheim para gerir os orçamentais [11], o Almirante Mike Mullen (ex-chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos) e o General Jack Keane (ex-Chefe do Estado-Maior do Exército).

Por fim, Sr. Gelb propõe que a estratégia da segurança nacional seja elaborada com consultas aos quatro “homens sábios”: Henry Kissinger [12] Brent Scowcroft, Zbigniew Brzezinski, [13] e James Baker. [14]

Olhando mais de perto para esta lista, entendemos que o Conselho de Relações Exteriores não queria decidir entre os dois grupos rivais dentro da administração Obama, mas tem a intenção de restaurar a ordem no sistema a começar por cima. A este respeito, não é irrelevante num país, até hoje liderado por WASPs (protestantes brancos Anglo-Saxónicos), que dois conselheiros cujos demissões estão a ser necessárias, sejam mulheres negras, enquanto quatorze dos quinze dos novos nomes sejam homens brancos, protestantes ou judeus « Ashkenazi ». O arrumação política também é, portanto, uma recuperação étnica e religiosa.

[1] For instance : “Does Obama still have a military policy?”, by Thierry Meyssan, Translation Roger Lagassé, Voltaire Network, 1 December 2014.

[2] “French « ex-military » operatives with Daesh jihadists”, Translation Pete Kimberley, Voltaire Network, 24 January 2015.

[3] “Who is the Pentagon fighting against in Syria?”, Voltaire Network, 4 November 2014.

[4] “How Vladimir Putin Upset NATO’s Strategy”, by Thierry Meyssan, Translation Roger Lagassé, Voltaire Network, 13 December 2014.

[5] « Comment le Conseil des relations étrangères détermine la diplomatie US », Réseau Voltaire, 25 juin 2004.

[6] « This Is Obama’s Last Foreign Policy Chance », Leslie Gelb, The Daily Beast, January 14, 2015.

[7] “John McCain, Conductor of the “Arab Spring” and the Caliph”, by Thierry Meyssan, Voltaire Network, 18 August 2014.

[8] “CNAS, the democratic version of conquest imperialism”, by Thierry Meyssan, Translation Roger Lagassé, Al-Watan (Syria), Voltaire Network, 6 January 2015.

[9] « Robert B. Zoellick, maître d’œuvre de la globalisation », Réseau Voltaire, 10 mars 2005.

[10] « Richard Armitage, le baroudeur qui rêvait d’être diplomate », Réseau Voltaire, 8 octobre 2004.

[11] « Dov Zakheim, la caution du Pentagone », par Paul Labarique, Réseau Voltaire, 9 septembre 2004.

[12] « Le retour d’Henry Kissinger », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 28 novembre 2002.

[13] “The outrageous strategy to destroy Russia”, by Arthur Lepic, Voltaire Network, 22 October 2004.

[14] « James A. Baker III, un ami fidèle », Réseau Voltaire, 16 décembre 2003.

 

 
 

2 comments on “A revolta de Washington contra Obama

  1. Maria celeste ramos
    30 de Janeiro de 2015

    E já agora Michelle Obama poderia ter levado chapéu na cabeça em respito aos costumes bem delicados e próprios com aliás fazia Lady Di que a cada pais visitado se vestida de forma a mostrar-se integrada nos costumes locais sem os desafiar – tão POUCO ISTO ?? Se calhar por menos se faz uma guerra ou se irritam – Liberdade é também, ser responsável e respeitar os USOS e COSTUMES de não importa quem – sem religiões à mistura – apenas delicadeza humana – nem estou a ver Michelle Obama a sentar-se no chão como o fez Lady Di, senhora de grande sensibilidade humana – inteligência emocional – ou bem “aconselhada ?? Tanto faz Fez bem

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    • urantiapt
      30 de Janeiro de 2015

      Não podemos comparar Michelle com Lady Di.
      Globalmente falta o bom senso.
      Um abraço

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This entry was posted on 30 de Janeiro de 2015 by in Nova Ordem Mundial, USA and tagged , .

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